sábado, 1 de julho de 2017

Escrever. Eis meu dilema.
Não é que eu não escrevo. Escrevo muito, inclusive.
Minha profissão assim exige.
E talvez por isto seja tão difícil agora escrever sobre aquilo que não é teórico; sobre aquilo que sinto.

Eu vivo ensaiando textos.
Gosto de vários dos pequenos jargões literários que confabulo.
E depois esqueço.
É porque raramente tenho tempo livre, então, não o desperdiço (?) no computador.
E, como agora até a escrita é mediada pela tecnologia, me furto às letras.

O que fica do que sonho um dia botar no "papel" é o fato de meus textos serem conversas com você.
É como se eu quisesse te mostrar, através desse diálogo que gera bons futuros-nunca-escritos textos, como eu interpreto o que está acontecendo no mundo.
Queria mostra-lo a você pelas minhas lentes.

E eu tenho ciência de que, estando morta, não tens consciência alguma para ser minha interlocutora.
E, diante essa mania de querer que você exista, quase acredito na possibilidade de haver um Deus ou um além no qual você poderia ter acesso a esse meu não-dito.
Então rio dessa ironia e desisto.

(...)

É tão fácil morrer, até quando não se quer.