sexta-feira, 29 de novembro de 2013

sobre o amor que eu gostaria que tivesse sido e sobre o amor que não foi

hoje foi um dia daqueles... daqueles bem ansiosos, no qual não se faz nada além de esperar o telefone tocar. e tocou. tocou incontáveis vezes. e em nenhuma era ele. cansei de esperar, cansei de projetar futuros de dezenove dias - porque as férias sempre vem e o amor acaba!
e eu que sempre lidei bem com sentimentos, me vi entristecida.
talvez porque senti, pelo menos por um momento, o que costumam chamar de reciprocidade.
eu vi um ou dois olhares sinceros, que me fizeram sorrir e acreditar. quase amar outra vez. sim, meu coração chegou a bater mais forte naquele dia em que chegou sem avisar - da mesma maneira como se foi.

o dia estava longo demais e a noite interminável. resolvi sair pra encurtar o tempo. meia hora na rua e tudo nela não me satisfazia. voltei para casa e tinha um outro alguém em meu portão, forçando sua entrada, dizendo as palavras doces que eu queria ouvir, mas não de sua boca. tecendo elogios, me deixando sem palavras, por estar adorando ser bajulada e por não conseguir ser falsa o suficiente para retribuí-las!

- Ana, eu sinto um aperto no peito... me dizendo que você não é pra mim; que é você quem sabe o que quer; que é você quem escolhe!
Tudo o que meu lábios me permitiram responder foi que hoje é um lindo dia para ouvir palavras boas como as dele, afinal, estava meio tristinha. E acrescentei:
- Não me superestime!
Sua resposta potencializou aquela tristezinha que já me fazia companhia:
- Não te superestimo... apenas falo por mim. Sempre te achei linda; sempre tive vontade de ficar com você, mas sempre dependi de suas respostas, das suas decisões. Sempre fui submisso à você... e sabes disso.
É lógico que  a minha intenção jamais foi a de colocá-lo em uma posição de passividade, afirmação com a qual ele concordou dizendo que ele próprio havia escolhido tal postura.
Era isso mesmo? Eu fiquei o dia inteirinho uma pessoa específica dizer que gosta de mim e agora, já no fim da noite, um outro alguém faz isso?!
Já faz anos que conversamos - especialmente via internet, pela distância - mas jamais, em tempo algum, imaginei que o que passamos juntos pudesse se tornar algo mais forte - para ele.
E o que eu poderia dizer? A verdade. Sempre fui muito boa com ela!
- A vida está aí, meu bem, na sua frente. Tem que viver e não ficar esperando os acasos das pessoas distantes!
E antes de eu terminar completamente a frase, ele acrescenta sobre as saudades e vontades, até de comer meu macarrão! Só que já faz tanto tempo que cozinhamos juntos, que o tempero deve ser outro agora...
Quando ele disse que queria sentir-se efetivamente parte da minha vida, tive que deixar todos os eufemismos de lado para, finalmente, dizer com o mínimo de metáforas possível o que (não) sentia:
- Eu, realmente, gosto de estar contigo. E é bom quando, esporadicamente, estamos juntos. Mas é só! O amor, quando vem pra mim, me tira o pé do chão e me faz sentir um frio na barriga inenarrável!
Nisso, já se afastando, perguntou-me se era para, definitivamente, deixar-me. E minha resposta não poderia ser outra:
- Talvez seja melhor para você!
Tal colocação incitou outra breve discussão:
- Melhor? O que eu sinto por você não se encontra em esquinas...
- É isso que eu estou tentando te dizer: os sentimentos podem ser tão lindos, mas são mais lindos quando compartilhados. Eu só sei dividir!
Deixando a frente da minha casa e da minha vida, olhou pra trás e acrescentou:
- Imagino que para estar acontecendo o que está acontecendo aqui, hoje, agora, deve ter alguém em seu coração. Sorte dele...
Eu simplesmente não poderia responder outra coisa:
- AZAR O MEU!

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

há um bom tempo venho pensando em lhe escrever, especialmente após um dia em que senti profunda saudade. depois desse dia, já não sabia mais o que dizer, como ainda não sei!
escrever, para mim, foi sempre como um refúgio à dor e ali, enquanto escrevia, era como se toda a tristeza saísse de mim e fosse para o papel. acontece agora que não estou triste e isso tira um pouco a poesia de minhas palavras.