quarta-feira, 30 de outubro de 2013

essa é só mais uma carta de amor

Ponta Grossa, 24 de outubro de 2013.

Não se assuste com o fato de eu lhe escrever! Essa é só mais uma carta de amor, daquelas que são escritas quando se sente saudades; daquelas que são escritas repletas de sentimentos bons. Espero que consiga senti-los todos enquanto lê essas breves palavras.
Honestamente, nunca imaginei que um dia escreveria para ti. Mas é que hoje estive ouvindo Skank - será que você ainda gosta deles? O que você está ouvindo de novo? Tanta coisa muda em tão pouco tempo... - e pensando sobre meus amores imperfeitos. E quantos versos sobre nós eu já guardei...
Eu não sei quem foi  - oôo infeliz! - que inventou o medo de sentir. Pelo medo de você sentir medo eu senti medo, e calei.
Mas acontece que tudo é tão raro e rápido, que o certo mesmo seria escancarar o peito, só para não perder a possibilidade dos sorrisos e de assistir o pôr do sol em boa companhia!
Essa carta não tem um objetivo específico e, sinceramente, não sei se será enviada. Escrevo apenas para falar do que já foi, mas que guardo um pouco aqui. Escrevo para descarregar o coração, que, quando você está perto, flutua. Escrevo sobre a imperfeição desse amor e da distância. Escrevo porque tenho sentido uma saudade enorme. Escrevo para eu lembrar. Escrevo porque não quero esquecer as coisas boas de ti, como esses sentimentos. Apenas escrevo. E escrevendo vejo - lembra de nossas conversas sobre guardar ou não lembranças das pessoas? - que tenho muito de ti guardado. Lembranças imateriais, mas que tomam todo o espaço do meu quarto e parte da cozinha, a garupa da moto e os lugares em que já estivemos juntos.
Essa é só mais uma carta de amor, porque adoro estar com você e discutir sobre o mundo e sobre jornalismo. Essa é só mais uma carta de amor, porque adoro, inclusive, seus 02 maiores defeitos: teimar comigo! Essa é só mais uma carta de amor, porque hoje eu acordei te gostando, ou melhor, gostando do ideal construído por mim sobre você. Essa é só mais uma carta de amor, porque eu queria escrever.
E se você sumir após essa leitura, vou bater à porta de sua casa. Não se preocupe, você sabe que eu sei lidar bem com sentimentos. Viu só? Um infeliz mesmo quem inventou o medo de sentir. Já sinto, enquanto termino de escrever, medo do seu medo.

Mas eu adoro a corda bamba!!!

Com amor e saudade,
Ana Braun

OBS.: Seu segundo defeito é não estar aqui agora.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

entre eu e mim

- faz tempo que eu não me sentia assim. talvez nunca tenha sentido tanto tédio como agora.
- ei, mas essa não é uma versão bem próxima da vida que planejei?
- nos meus sonhos não parecia tão chata...

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

sobre quando deixei de dançar

dia desses eu conheci um professor de ballet.
na verdade, já faz tempo...
preferi apenas não contar para parecer que eu não estava - como é perceptível que não estou! - dando importância.
eu o vi num espetáculo e ele era lindo.
eu o vi num espetáculo, sorrindo enquanto dançava, e o odiei por me ignorar.
e depois dessa, tantas vezes o vi dançar com outro par. não comigo - nem pra variar!
e como eu queria que aquela valsa fosse nossa!
me resignei e continuei a bailar sem par.
fui uma bailarina de solos por muito tempo...
um dia, não lembro ao certo o porquê, em apenas duas piruetas ele se aproximou.
talvez quisesse ensaiar comigo por algumas horas ou fazer apenas uma apresentação.
e em uma frustada tentativa de impressionar, as palavras me fugiram todas trôpegas. trôpegas como eu.
ao errar os passos, pensava eu ter definitivamente perdido o par e saí bailando sozinha por aí.
ralei até os joelhos num passo em falso e de vergonha, sumi. (preciso treinar mais meu grand jeté!)
mas a escola de dança dele é perto da minha;
hora ou outra seria inevitável: e vê-lo era, pra mim, insuportável!
fiz-me indiferente. tentei, ao menos.
mas acontece que certo dia ele me tomou a mão inesperadamente, de uma forma que eu não tive como não me deixar conduzir. e, confesso, secretamente sempre quis dançar uma - ou mais - temporada inteirinha com aquele par!!!
existiam outras bailarinas, eu sei. e tudo bem. existem espetáculos lindos onde cada um dança apenas o que lhe cabe. e, assim mesmo, tudo é maravilhoso! eu tinha o meu papel, como ele o dele em minha dança.
mas acontece que, um dia, uma das bailarinas, uma que já fazia parte da escola a bastante tempo, falhou (?) e o professor, como que seu dono, a desacatou de um jeito que não se faz com dançarina alguma. 
e agora todas nós estamos tristes!
ao falar a respeito dela e nos dizer que poderia ter todas as bailarinas do mundo dançando pra ele, ofendeu o corpo de baile inteiro.
é por isso que vou sair da escola. vou pendurar as sapatilhas.
e vou chorar, porque vou sentir saudade.
mas é que não existe nada mais inapropriado que um professor falar de seus alunos a outrém como se fossem meros objetos. todos querem estar ali e se ali estão é porque gostam. fazer ballet é dolorido, algumas vezes. 
agora eu terei que deixar de fazer o que mais gosto, como um castigo exemplar.
acho que vou sofrer um pouquinho, dizendo não à mão estendida.

mas uma hora... e essa hora há de acontecer... eu vou voltar pro ballet porque haverá outro par pra minha valsa-sem-par.
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uma analogia besta sobre os acontecimentos dos últimos dias, em uma tentatíva frustada de colocar para fora algo que vem me tirando o sono: gostar de alguém machista é, realmente, meu maior paradoxo!