domingo, 30 de junho de 2013

sobre o amor


ele deve ter entrado pela porta dos fundos. ou então pela janela. como é que eu não o vi chegar? eu deveria ter observado melhor as trancas. só que agora ele já está aqui e trouxe até a escova de dentes. 

sexta-feira, 21 de junho de 2013

O Intruso - Marco Aurélio de Souza

eu não sei mais de quem é a culpa. minha que não é, nem nunca foi - não pode ser o culpado aquele que quer ajudar. eu já tinha esquecido, talvez, como é sentir a dor por quem sente prazer enquanto você sofre. e agora eu choro. aquele pranto que eu venho escondendo há dois ou mais anos ou desde a última vez que li esse mesmo texto. e como eu sinto (em todas as possíveis interpretações dessa palavra!) o seu texto. é como se fosse eu, porque também o sou. eu matei um mateus, diferente do seu, mas também sou uma assassina! e eu me sinto horrível todos os dias por me sentir tão bem. 


texto escrito após a leitura do livro O Intruso, de Marco Aurélio de Souza.

domingo, 16 de junho de 2013

desconexão

talvez eu queira, verdadeiramente, mudar. mudar pra ver se esta mudança trará alguma mudança. e se essa mudança me fará mudar, de verdade. e tem sido isso: só desconexão. não sei mais qual é o meu querer. porque sempre o que quis tive. e quando não tenho é como se nunca tivesse querido, só para não perder o hábito das coisas acontecerem como eu desejo. preciso aprender a perder, e não chorar. aprender a ouvir e a lidar com a minha tpm e com o meu dinheiro, que nunca tenho no fim do mês. eu preciso aprender a amar outra vez, pra não achar que isso que sinto por você é amor, quando sei que é desprezo (ou despeito). eu preciso aprender que não sou a pessoa mais inteligentemente inteligente do mundo, ao mesmo tempo em que preciso parar de me subestimar, quando você me subestima. não sabendo tudo, ainda sim sei da vida e de como ela pode ser bela, porque um dia já foi e se já foi, pode voltar a ser. e será. porque eu tenho uma visão otimista da vida, do tempo lento, e das pessoas. talvez o que está me faltando seja um pouco de literatura, cinema, poesia, companhia e arco-íris. talvez só um copo de cerveja ou algo que me faça sentir algo. preciso de um estopim pra chorar essas lágrimas engasgadas, que antes os comerciais mais melodramáticos faziam verter. quero um porquê. alcançar todos os sonhos é lindo! quero novos sonhos, novos planos e novos cardápios em novas oportunidades. quero o outro, perder o medo de (a)mar. enfrentar medos, pular muros e romper com algumas barreiras, principalmente àquelas que eu construí como um estereótipo pra mim mesma e que me prendem nisso que eu não sou, mas que, um dia, pensei ser e que agora não consigo me livrar. são como correntes ou aquelas bolas de ferro que dificultam o caminhar, o avançar e o sorrir. quero minha auto carta de alforria. quero uma carta de alforria do que já foi e não foi bom. quero um remédio de memória com duplo efeito: que faça lembrar do que é bom e esquecer de vocês. apagar esses setecentos tipos de passado que parecem passado, mas estão bem presentes, na lembrança e na vontade cotidiana de esquecer. ai, o esquecimento... uma dádiva! escrever sobre essa minha vontade de esquecer sem êxito é uma grande ironia à uma historiadora da memória. sei sobre como fazem pra fazer esquecer e não sei como fazer pra eu deixar de lembrar do que não foi e poderia ter sido, do que foi e poderia ter sido diferente e do que só foi ou não. eu só queria esquecer que já chorei e que mudei meus planos por alguém. queria esquecer do fato de já ter me colocado em segundo plano. e terminando de escrever esta frase começo a pensar que talvez essa seja a resposta à mudança que estou buscando: me priorizar e me amar, deixando de buscar a aprovação alheia para o que faço com sinceridade de coração.


poema do Cesar Saad pra mim e sobre o fato de eu estar voltando (?) a escrever:

Lembro da época, 
que você, escrevia;
eu, lia.
Da época que você, cantava;
e eu, ouvia.
Dos choros e sorrisos,
das noites perenes;
envolto em fantasias,
Resplandecia!

sábado, 1 de junho de 2013

leminski

amor, então
também, acaba?
não, que eu saiba.
o que eu sei
é que se transforma 
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
ou em rima.