domingo, 14 de abril de 2013

sobre o amor adolescente fora da adolescência

andava com uma racionalidade fora de mim. claro que sempre com meus impulsos, geralmente sem explicações! mas cheia de certezas sobre números e sentimentos. olhava pra tudo de fora, sem calor. e assim a matemática ficava muito simples: sentimentos deliberados proporcionalmente. isso quando realmente havia algum sentimento a ser compartilhado! e a vida era simples: sem ansiedade, dor ou amor. só que escondido em algum lugar, talvez atrás de um estereótipo que inventei, havia a saudade daquele tempo em que eu pulava de ponta sem coletes salva-vidas e dizia palavras apaixonadas somente por sentir. um amor adolescente, puro, inocente... eu ria, chorava, gritava, girava, escrevia canções e tinha um pra quem. e tudo era no mundo como se só coisas boas existissem. e muito azul. e muita vida.
só que a gente vai crescendo. as maneiras de pensar e sentir vão mudando. e de repente se vê com o pé está pregado chão. e torna-se impossível flutuar com o peso que alguns amores (?) podem trazer. eu já devo ter carregado umas quinze bigornas nas costas! e tudo que eu queria era voar pra longe pra poder voltar amar com leveza. pra amar alguém com quem eu pudesse brincar de esconde-esconde, de lutinha, fazer cócegas e ganhar no xadrez. ou mais simples ainda que isso: alguém da qual eu sentisse saudade e quisesse estar perto, só pelo fato dela me fazer rir, por eu me sentir bem e por querer fazer o bem. 
tanto tempo desejando (escondido) sentir outra vez que eu achei que isso nem fosse mais possível. a adolescência ficou pra trás e pensei que isso jamais me aconteceria sendo eu agora uma adulta, daquelas que fazem planilhas no excel para controlar o orçamento mensal. só quando dei por mim, estava fazendo micagem com/pra alguém e sentindo, talvez não necessariamente da mesma forma, como se eu tivesse 17 anos outra vez. e eu gostei. juro que me convenci de que gostava, porque é maravilhoso. a parte boa é boa quando é bom. mas fui enganada por essa minha memória seletiva que só rememorou do amor da adolescência as partes boas, deixando de lado a lembrança das inseguranças, daquele frio na barriga do tipo ruim e do fato de que os sentimentos nem sempre são correspondidos. 

e no meio dessa confusão de sentimentos, vontades e incertezas, uma coisa: a racionalidade é realmente muito confortável. é dela agora que sinto saudades.