sábado, 30 de março de 2013

vagalumes cegos, cícero

Nem sei
Dessa gente toda
Dessa pressa tanta
Desses dias cheios
Meios-dias gastos
Elefantes brancos
Vagalumes cegos
Meio emperrados
Entre o meio e o fim
Meio assim
Nem sei
Dessa pressa toda
Dessa gente tanta
Meios-dias feios
Desses dias chatos
Vagalumes brancos
Elefantes cegos
E o céu engarrafado
Fica por aqui
Vem cuidar de mim
Vamos ver um filme, ter dois filhos
Ir ao parque
Discutir caetano
Planejar bobagens
E morrer de rir
Fica bem aí
Que essa luz comprida
Ficou tão bonita
Em você daqui
Fica bem aí
Que essa luz comprida
Ficou tão bonita
Em você daqui
Ninguém vai dizer
Que foi por amor
Todos vão chamar de derrota
Vamos esconder nosso cobertor
E vamos viver sem escolta

sábado, 16 de março de 2013

quase nada

fazia tempo que eu não contava os dias, quem dirá as horas. e como quarta-feira demorou para chegar! eu iria vê-lo, depois de dois meses e conversas entrecortadas pela internet. 
ah como eu odeio conversas pela internet! 
eu gosto é de olho no olho, ouvir a respiração, a voz que as vezes gagueja e as mãos suadas. gosto de falar bobeira deitada na cama, olhando pra cima, obsevando os bichinhos voando ao redor da lâmpada quentinha.
só que quando eu cheguei tudo estava diferente. talvez não diferente de verdade, mas diferente do que eu planejei pra nós: você havia colocado aqueles repelentes de tomada no quarto e já não havia mais bichinhos e nem a luz era a mais a mesma, pois você já não me via, nem eu olhava na mesma direção. dois meses. e você já não era mais meu... dois meses e aquele medo que tínhamos um do outro, de se perder e se encontrar, já não existia mais, porque o nós que nunca foi, passou a ser menos ainda. você foi, enquanto eu achei que ficava mas estava indo também.
toda aquela perspectiva de futuro se foi e "é isso?". é. muito menos dolorosamente do que eu imaginei, percebi nossos horizontes distantes e minha vida bem longe da tua. 
se eu te vir outra vez, certamente vou querer estar perto, como já estivemos, por saber que é bom e sentir-me bem e, da mesma maneira, quando estivermos longe, será tudo como agora: quase nada.

sobre crescer

to virando gente grande. do tipo que pagam as contas sem a ajuda dos pais e não saem durante a semana porque tem que acordar cedo no dia seguinte. to virando gente grande e morrendo de medo. não medo de ter responsabilidades. isso, mais cedo ou mais tarde, eu já sabia que iria acontecer. o gente grande que eu to virando é daqueles chatos, que se esquecem que as melhores e mais belas coisas da vida são as mais simples e que riem por bobeira. to virando gente grande, do tipo desconfiada. gente grande, do tipo que precisa ver pra crer. gente grande da pior espécie, que quer números, dados comprobatórios. e se for pra ser assim, não quero mais! vou fazer um beicinho, chorar um pouquinho e voltar pra baixo da proteção dos meus pais. pelo menos, a vida era menos pesada e eu não chorava por estar extenuada. sobre a proteção deles o mundo era mais bonito e não havia pressões. as únicas satisfações a serem dadas eram à eles. e agora são pra mim. e que pessoa mais "cobrante" eu me tornei. quero tudo e quero tanto, que quando vejo não quero nada. e não tenho nada. e continuo querendo, por querer, por ter. por esquecer de ser... 


saudades de sentimentos puros!