domingo, 29 de dezembro de 2013

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

sobre o amor que eu gostaria que tivesse sido e sobre o amor que não foi

hoje foi um dia daqueles... daqueles bem ansiosos, no qual não se faz nada além de esperar o telefone tocar. e tocou. tocou incontáveis vezes. e em nenhuma era ele. cansei de esperar, cansei de projetar futuros de dezenove dias - porque as férias sempre vem e o amor acaba!
e eu que sempre lidei bem com sentimentos, me vi entristecida.
talvez porque senti, pelo menos por um momento, o que costumam chamar de reciprocidade.
eu vi um ou dois olhares sinceros, que me fizeram sorrir e acreditar. quase amar outra vez. sim, meu coração chegou a bater mais forte naquele dia em que chegou sem avisar - da mesma maneira como se foi.

o dia estava longo demais e a noite interminável. resolvi sair pra encurtar o tempo. meia hora na rua e tudo nela não me satisfazia. voltei para casa e tinha um outro alguém em meu portão, forçando sua entrada, dizendo as palavras doces que eu queria ouvir, mas não de sua boca. tecendo elogios, me deixando sem palavras, por estar adorando ser bajulada e por não conseguir ser falsa o suficiente para retribuí-las!

- Ana, eu sinto um aperto no peito... me dizendo que você não é pra mim; que é você quem sabe o que quer; que é você quem escolhe!
Tudo o que meu lábios me permitiram responder foi que hoje é um lindo dia para ouvir palavras boas como as dele, afinal, estava meio tristinha. E acrescentei:
- Não me superestime!
Sua resposta potencializou aquela tristezinha que já me fazia companhia:
- Não te superestimo... apenas falo por mim. Sempre te achei linda; sempre tive vontade de ficar com você, mas sempre dependi de suas respostas, das suas decisões. Sempre fui submisso à você... e sabes disso.
É lógico que  a minha intenção jamais foi a de colocá-lo em uma posição de passividade, afirmação com a qual ele concordou dizendo que ele próprio havia escolhido tal postura.
Era isso mesmo? Eu fiquei o dia inteirinho uma pessoa específica dizer que gosta de mim e agora, já no fim da noite, um outro alguém faz isso?!
Já faz anos que conversamos - especialmente via internet, pela distância - mas jamais, em tempo algum, imaginei que o que passamos juntos pudesse se tornar algo mais forte - para ele.
E o que eu poderia dizer? A verdade. Sempre fui muito boa com ela!
- A vida está aí, meu bem, na sua frente. Tem que viver e não ficar esperando os acasos das pessoas distantes!
E antes de eu terminar completamente a frase, ele acrescenta sobre as saudades e vontades, até de comer meu macarrão! Só que já faz tanto tempo que cozinhamos juntos, que o tempero deve ser outro agora...
Quando ele disse que queria sentir-se efetivamente parte da minha vida, tive que deixar todos os eufemismos de lado para, finalmente, dizer com o mínimo de metáforas possível o que (não) sentia:
- Eu, realmente, gosto de estar contigo. E é bom quando, esporadicamente, estamos juntos. Mas é só! O amor, quando vem pra mim, me tira o pé do chão e me faz sentir um frio na barriga inenarrável!
Nisso, já se afastando, perguntou-me se era para, definitivamente, deixar-me. E minha resposta não poderia ser outra:
- Talvez seja melhor para você!
Tal colocação incitou outra breve discussão:
- Melhor? O que eu sinto por você não se encontra em esquinas...
- É isso que eu estou tentando te dizer: os sentimentos podem ser tão lindos, mas são mais lindos quando compartilhados. Eu só sei dividir!
Deixando a frente da minha casa e da minha vida, olhou pra trás e acrescentou:
- Imagino que para estar acontecendo o que está acontecendo aqui, hoje, agora, deve ter alguém em seu coração. Sorte dele...
Eu simplesmente não poderia responder outra coisa:
- AZAR O MEU!

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

há um bom tempo venho pensando em lhe escrever, especialmente após um dia em que senti profunda saudade. depois desse dia, já não sabia mais o que dizer, como ainda não sei!
escrever, para mim, foi sempre como um refúgio à dor e ali, enquanto escrevia, era como se toda a tristeza saísse de mim e fosse para o papel. acontece agora que não estou triste e isso tira um pouco a poesia de minhas palavras.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

essa é só mais uma carta de amor

Ponta Grossa, 24 de outubro de 2013.

Não se assuste com o fato de eu lhe escrever! Essa é só mais uma carta de amor, daquelas que são escritas quando se sente saudades; daquelas que são escritas repletas de sentimentos bons. Espero que consiga senti-los todos enquanto lê essas breves palavras.
Honestamente, nunca imaginei que um dia escreveria para ti. Mas é que hoje estive ouvindo Skank - será que você ainda gosta deles? O que você está ouvindo de novo? Tanta coisa muda em tão pouco tempo... - e pensando sobre meus amores imperfeitos. E quantos versos sobre nós eu já guardei...
Eu não sei quem foi  - oôo infeliz! - que inventou o medo de sentir. Pelo medo de você sentir medo eu senti medo, e calei.
Mas acontece que tudo é tão raro e rápido, que o certo mesmo seria escancarar o peito, só para não perder a possibilidade dos sorrisos e de assistir o pôr do sol em boa companhia!
Essa carta não tem um objetivo específico e, sinceramente, não sei se será enviada. Escrevo apenas para falar do que já foi, mas que guardo um pouco aqui. Escrevo para descarregar o coração, que, quando você está perto, flutua. Escrevo sobre a imperfeição desse amor e da distância. Escrevo porque tenho sentido uma saudade enorme. Escrevo para eu lembrar. Escrevo porque não quero esquecer as coisas boas de ti, como esses sentimentos. Apenas escrevo. E escrevendo vejo - lembra de nossas conversas sobre guardar ou não lembranças das pessoas? - que tenho muito de ti guardado. Lembranças imateriais, mas que tomam todo o espaço do meu quarto e parte da cozinha, a garupa da moto e os lugares em que já estivemos juntos.
Essa é só mais uma carta de amor, porque adoro estar com você e discutir sobre o mundo e sobre jornalismo. Essa é só mais uma carta de amor, porque adoro, inclusive, seus 02 maiores defeitos: teimar comigo! Essa é só mais uma carta de amor, porque hoje eu acordei te gostando, ou melhor, gostando do ideal construído por mim sobre você. Essa é só mais uma carta de amor, porque eu queria escrever.
E se você sumir após essa leitura, vou bater à porta de sua casa. Não se preocupe, você sabe que eu sei lidar bem com sentimentos. Viu só? Um infeliz mesmo quem inventou o medo de sentir. Já sinto, enquanto termino de escrever, medo do seu medo.

Mas eu adoro a corda bamba!!!

Com amor e saudade,
Ana Braun

OBS.: Seu segundo defeito é não estar aqui agora.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

entre eu e mim

- faz tempo que eu não me sentia assim. talvez nunca tenha sentido tanto tédio como agora.
- ei, mas essa não é uma versão bem próxima da vida que planejei?
- nos meus sonhos não parecia tão chata...

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

sobre quando deixei de dançar

dia desses eu conheci um professor de ballet.
na verdade, já faz tempo...
preferi apenas não contar para parecer que eu não estava - como é perceptível que não estou! - dando importância.
eu o vi num espetáculo e ele era lindo.
eu o vi num espetáculo, sorrindo enquanto dançava, e o odiei por me ignorar.
e depois dessa, tantas vezes o vi dançar com outro par. não comigo - nem pra variar!
e como eu queria que aquela valsa fosse nossa!
me resignei e continuei a bailar sem par.
fui uma bailarina de solos por muito tempo...
um dia, não lembro ao certo o porquê, em apenas duas piruetas ele se aproximou.
talvez quisesse ensaiar comigo por algumas horas ou fazer apenas uma apresentação.
e em uma frustada tentativa de impressionar, as palavras me fugiram todas trôpegas. trôpegas como eu.
ao errar os passos, pensava eu ter definitivamente perdido o par e saí bailando sozinha por aí.
ralei até os joelhos num passo em falso e de vergonha, sumi. (preciso treinar mais meu grand jeté!)
mas a escola de dança dele é perto da minha;
hora ou outra seria inevitável: e vê-lo era, pra mim, insuportável!
fiz-me indiferente. tentei, ao menos.
mas acontece que certo dia ele me tomou a mão inesperadamente, de uma forma que eu não tive como não me deixar conduzir. e, confesso, secretamente sempre quis dançar uma - ou mais - temporada inteirinha com aquele par!!!
existiam outras bailarinas, eu sei. e tudo bem. existem espetáculos lindos onde cada um dança apenas o que lhe cabe. e, assim mesmo, tudo é maravilhoso! eu tinha o meu papel, como ele o dele em minha dança.
mas acontece que, um dia, uma das bailarinas, uma que já fazia parte da escola a bastante tempo, falhou (?) e o professor, como que seu dono, a desacatou de um jeito que não se faz com dançarina alguma. 
e agora todas nós estamos tristes!
ao falar a respeito dela e nos dizer que poderia ter todas as bailarinas do mundo dançando pra ele, ofendeu o corpo de baile inteiro.
é por isso que vou sair da escola. vou pendurar as sapatilhas.
e vou chorar, porque vou sentir saudade.
mas é que não existe nada mais inapropriado que um professor falar de seus alunos a outrém como se fossem meros objetos. todos querem estar ali e se ali estão é porque gostam. fazer ballet é dolorido, algumas vezes. 
agora eu terei que deixar de fazer o que mais gosto, como um castigo exemplar.
acho que vou sofrer um pouquinho, dizendo não à mão estendida.

mas uma hora... e essa hora há de acontecer... eu vou voltar pro ballet porque haverá outro par pra minha valsa-sem-par.
___

uma analogia besta sobre os acontecimentos dos últimos dias, em uma tentatíva frustada de colocar para fora algo que vem me tirando o sono: gostar de alguém machista é, realmente, meu maior paradoxo!

domingo, 29 de setembro de 2013

sobre sentimentos e ideias desconexas

hoje procurei pela casa o que sobrou. e eu não tinha uma carta, um bilhete, uma foto rasgada ou algo seu. encontrei apenas um casaco no guarda-roupas, que você me deu no dia em que pensei que iria me pedir em casamento. e o resto? onde foi parar? eu sei que, nesse sentido, sou toda culpa, porque tenho o hábito de jogar fora o que faz me lembrar ex-relacionamentos. mas hoje eu queria lembrar, quero muito lembrar, porque senti saudade e não tinha nada. é como se, quando coloquei as cartas, bilhetes e fotografias para reciclar, tivesse me desfeito de um pedaço da minha memória. e hoje são só lembranças soltas, umas canções e a vontade de reviver, porque eu faria tudo, tudo exatamente igual, por não me arrepender. 

essa semana eu tenho pensado muito em você, porque diversos assuntos do meu cotidiano tem lhe feito referência. dia desses, enquanto conversava com uma colega, falávamos sobre como o fato de amar alguém em específico nos impede de nos abrirmos novamente para o amor, e como isso pode vir a machucar outras pessoas. e na mesma semana fui parcialmente pedida em namoro. e eu queria, juro que queria! há quanto tempo não estamos mais juntos?! eu queria começar algo novo, com alguém novo e renovar meus sorrisos e alegrias. e enquanto, possivelmente, estava machucando alguém com um sonoro "não", pensei em você. sei que agora, depois de tanto tempo, somos pessoas diferentes e talvez nossos caminhos não se cruzem outra vez, mas eu pensei em você. é que você vive aqui, em algum canto, calado. 

e eu quis saber de você e eu quero saber sobre você, de você, porque eu me importo, porque eu tenho carinho, porque eu ainda sinto amor. e eu desejo coisas boas. e eu desejo cores. e eu desejo sorrisos. porque a vida ainda pode ser leve. e porque daqui eu planejo sua vida e nesses planos ela é tão linda, porque você é uma pessoa linda, por dentro e por fora, e merece coisas igualmente lindas.

sinto saudade do seu humor, da foma como me chamava de bobinha e de como me apertava, quando estava especialmente me amando. sinto falta dos quadrinhos, dos filmes e das músicas clássicas, que acabei perdendo o hábito de ouvir na sua ausência. sinto falta da sua cultura pura e de como me ensinava as coisas que ainda não sabia. sinto falta de estar entre os seus e de como cuidavam de mim. sinto falta do amor deles. sinto falta do seu amor e de como o demonstrava fazendo comidinhas na madrugada.

as últimas vezes que nos vimos eu senti frio na barriga, confesso. e tentei não demonstrar enquanto contava sobre minha vida, supervalorizando o que me acontecia em uma tentativa frustada de parecer melhor sem você. como você mesmo dizia, sou uma grande mentirosinha! 


domingo, 22 de setembro de 2013

"ele era lindo por dentro e por fora, de uma beleza diferente, que os meus olhos não conseguiram suportar" AFBV

terça-feira, 10 de setembro de 2013

é tão mais fácil desistir. calçar um bom tênis de corrida e fugir pra direção oposta. é tão fácil desistir de viver o presente pelo medo do futuro que pode até mesmo não vir a ser. é fácil desviar o olhar e dissimular os sentimentos. mas eu quero pular de ponta, mesmo sem saber nadar muito bem. me dá a sua mão pra eu não afogar?!

domingo, 1 de setembro de 2013

domingo, 11 de agosto de 2013

eu amei esses dias

sempre disse ter amado duas vezes. pensava que o amor havia me acontecido apenas durante os namoros mais longos, daqueles que quando acabaram eu solucei enquanto chorava, pensei que não conseguiria mais viver sem a pessoa, nem ser feliz, e que jamais amaria outra vez. talvez nem fosse mesmo amor. era um sentimento possessivo e egoísta. após o término desses relacionamentos as lágrimas secaram, o sorriso veio e o amor também. digo, os amores também, porque foram vários. e amei a todos eles com sinceridade de coração. eu amo o tempo todo. e quando não estou compartilhando sentimentos para com as pessoas, estou me amando (algo que aprendi recentemente e tento exercitar todos os dias!). e esse amor não tem regras, é só de sentir. porque sentir é melhor do que pensar (nas formalidades, nos pudores, no deveres e tantas outras coisas que nos oprimem). por isso estou buscando amar de maneira mais livre, para que o amor possa ser a cada dia ainda melhor. porque amar não é de sofrer, não foi feito pra ser assim. amar foi feito pra fazer bem e fazer sorrir. quero amar mais e melhor, porque eu sinto, sinto o tempo inteiro as palavras, as coisas e a cores. e quero cada vez mais a pureza do amor, porque ele me faz sorrir. e é leve. e me faz sonhar. e me faz acreditar.


[algumas coisas que venho pensando sobre o amor após algumas leituras!]

segunda-feira, 29 de julho de 2013

será que você esteve mesmo aqui ou foi só um sonho bom, daqueles que a gente não quer acordar? eu fico confusa sobre o que sinto e sobre o que sei, porque ontem você estava aqui, tão perto e ouvindo eu falar apaixonadamente sobre as coisas pelas quais acredito, e depois tive que dizer adeus. e faz pouco tempo desde a última vez que ouvi sua voz e sua maneira toda própria de me ensinar como a vida pode ser, mas eu tenho medo. eu não quero esquecer o seu rosto, nem o resto. quero lembrar de você sorrindo e sorrir, da mesma maneira como estou fazendo agora enquanto escrevo. 

você me arranca sorrisos à distância e quem me vê pelas ruas acha que sou louca quando pronuncio baixinho a frase "véia, não faça isso!" e gargalho demoradamente após proferi-la!

domingo, 28 de julho de 2013

domingo, 14 de julho de 2013

eu achava que já tinha até perdido no meio de minhas bagunças acadêmicas ou emprestado para alguém que não me devolveu. foram tantas provas a utilizando como sinal de boa sorte. boa sorte desejada por você, quando me deu de presente aquela caneta. era quase um amuleto. meu amuleto. e eu passei em todas as provas. estranha coincidência, não? você também (eu também te dei uma caneta no dia que te levei pra aquele teste, lembra?). passaram as provas, e o tempo. e ela ficou ali, guardada no porta canetas, do armário da sala. não sei por quanto tempo. sem trazer sorte, e talvez até azar.
mas hoje ele precisava de uma caneta para preencher o tique da passagem de ônibus. ele vai e vem, e sempre vem. e é bem por isso que eu expliquei onde ficam as coisas quando pedi para que ficasse à vontade na minha casa e na minha vida. maldita caneta escolhida! era com a sua caneta que ele iria escrever a data e a hora de ir e voltar. era a caneta de uma história que pode ter sido com você e que agora será com alguém que a usava para escrever uma nova história: a minha, com ele. 

[devaneio besta, relevem!]

quarta-feira, 3 de julho de 2013

feliz dois anos

esse ano eu não comprei bolo, logo não assoprei as velas. esse ano não fazia mais sentido comemorar só para poder fazer um pedido quando apagasse a velinha. o pedido sempre era o mesmo: paz. sempre o coloquei num plano genérico, para não te superestimar. e pedir para esquecê-lo seria um pedido mentiroso. acho que não fica bem mentir num momento tão sério quanto as projeções de futuro para o próximo ano que começa ali, quando a chama se apaga. eu nunca quis esquecê-lo. do contrário: sempre quis continuar lembrando das coisas boas e felizes, para manter uma pontinha de sorriso no rosto enquanto rememoro em silêncio e quem estiver olhando se perguntar o que me faz sorrir assim, do nada. 
quando pedi paz foi tentando consumir com aquele sentimento que me angustiava o peito de porquês e de culpados, aquela inquietação que me tirava o sono, que, quando vinha, vinha acompanhado de sonhos ruins e aquele andar sempre em frente sem porquê, nem pra quem. eu só queria me sentir plena outra vez, porque nós dois éramos dois, depois um, que virou duas metades. e eu não sei viver de metade, nem de futuro. e a paz que eu pedia não era uma bandeira branca que simbolizaria o fim das nossas brigas, birras e mágoas, e sim sentir-me completa sem você, que já foi minha metade. ou mais. 
e eu já tinha quase esquecido disso tudo, me peguei, justamente hoje, falando sobre você. e há quanto tempo eu não falava sobre você! só aí eu percebi o dia de hoje e a paz que eu já tinha encontrado, porque me sinto leve. e se hoje comemoro é num sentido feliz, diferente do lacrimejoso aniversário anterior. sabe aquele sorriso de cantinho de boca que comentei ali em cima? é assim que rememoro agora.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

e por ver problema
em amar várias pessoas
ao mesmo tempo,


cada dia amo uma.

domingo, 30 de junho de 2013

sobre o amor


ele deve ter entrado pela porta dos fundos. ou então pela janela. como é que eu não o vi chegar? eu deveria ter observado melhor as trancas. só que agora ele já está aqui e trouxe até a escova de dentes. 

sexta-feira, 21 de junho de 2013

O Intruso - Marco Aurélio de Souza

eu não sei mais de quem é a culpa. minha que não é, nem nunca foi - não pode ser o culpado aquele que quer ajudar. eu já tinha esquecido, talvez, como é sentir a dor por quem sente prazer enquanto você sofre. e agora eu choro. aquele pranto que eu venho escondendo há dois ou mais anos ou desde a última vez que li esse mesmo texto. e como eu sinto (em todas as possíveis interpretações dessa palavra!) o seu texto. é como se fosse eu, porque também o sou. eu matei um mateus, diferente do seu, mas também sou uma assassina! e eu me sinto horrível todos os dias por me sentir tão bem. 


texto escrito após a leitura do livro O Intruso, de Marco Aurélio de Souza.

domingo, 16 de junho de 2013

desconexão

talvez eu queira, verdadeiramente, mudar. mudar pra ver se esta mudança trará alguma mudança. e se essa mudança me fará mudar, de verdade. e tem sido isso: só desconexão. não sei mais qual é o meu querer. porque sempre o que quis tive. e quando não tenho é como se nunca tivesse querido, só para não perder o hábito das coisas acontecerem como eu desejo. preciso aprender a perder, e não chorar. aprender a ouvir e a lidar com a minha tpm e com o meu dinheiro, que nunca tenho no fim do mês. eu preciso aprender a amar outra vez, pra não achar que isso que sinto por você é amor, quando sei que é desprezo (ou despeito). eu preciso aprender que não sou a pessoa mais inteligentemente inteligente do mundo, ao mesmo tempo em que preciso parar de me subestimar, quando você me subestima. não sabendo tudo, ainda sim sei da vida e de como ela pode ser bela, porque um dia já foi e se já foi, pode voltar a ser. e será. porque eu tenho uma visão otimista da vida, do tempo lento, e das pessoas. talvez o que está me faltando seja um pouco de literatura, cinema, poesia, companhia e arco-íris. talvez só um copo de cerveja ou algo que me faça sentir algo. preciso de um estopim pra chorar essas lágrimas engasgadas, que antes os comerciais mais melodramáticos faziam verter. quero um porquê. alcançar todos os sonhos é lindo! quero novos sonhos, novos planos e novos cardápios em novas oportunidades. quero o outro, perder o medo de (a)mar. enfrentar medos, pular muros e romper com algumas barreiras, principalmente àquelas que eu construí como um estereótipo pra mim mesma e que me prendem nisso que eu não sou, mas que, um dia, pensei ser e que agora não consigo me livrar. são como correntes ou aquelas bolas de ferro que dificultam o caminhar, o avançar e o sorrir. quero minha auto carta de alforria. quero uma carta de alforria do que já foi e não foi bom. quero um remédio de memória com duplo efeito: que faça lembrar do que é bom e esquecer de vocês. apagar esses setecentos tipos de passado que parecem passado, mas estão bem presentes, na lembrança e na vontade cotidiana de esquecer. ai, o esquecimento... uma dádiva! escrever sobre essa minha vontade de esquecer sem êxito é uma grande ironia à uma historiadora da memória. sei sobre como fazem pra fazer esquecer e não sei como fazer pra eu deixar de lembrar do que não foi e poderia ter sido, do que foi e poderia ter sido diferente e do que só foi ou não. eu só queria esquecer que já chorei e que mudei meus planos por alguém. queria esquecer do fato de já ter me colocado em segundo plano. e terminando de escrever esta frase começo a pensar que talvez essa seja a resposta à mudança que estou buscando: me priorizar e me amar, deixando de buscar a aprovação alheia para o que faço com sinceridade de coração.


poema do Cesar Saad pra mim e sobre o fato de eu estar voltando (?) a escrever:

Lembro da época, 
que você, escrevia;
eu, lia.
Da época que você, cantava;
e eu, ouvia.
Dos choros e sorrisos,
das noites perenes;
envolto em fantasias,
Resplandecia!

sábado, 1 de junho de 2013

leminski

amor, então
também, acaba?
não, que eu saiba.
o que eu sei
é que se transforma 
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
ou em rima.

domingo, 26 de maio de 2013

teve uma vez que eu fiz gritar forte aos ouvidos o amor e vi passos desesperados correndo na direção oposta à mim. teve uma vez, ou várias. e eu que sempre fui muito fiel aos meus sentimentos, agora dissimulo.


domingo, 14 de abril de 2013

sobre o amor adolescente fora da adolescência

andava com uma racionalidade fora de mim. claro que sempre com meus impulsos, geralmente sem explicações! mas cheia de certezas sobre números e sentimentos. olhava pra tudo de fora, sem calor. e assim a matemática ficava muito simples: sentimentos deliberados proporcionalmente. isso quando realmente havia algum sentimento a ser compartilhado! e a vida era simples: sem ansiedade, dor ou amor. só que escondido em algum lugar, talvez atrás de um estereótipo que inventei, havia a saudade daquele tempo em que eu pulava de ponta sem coletes salva-vidas e dizia palavras apaixonadas somente por sentir. um amor adolescente, puro, inocente... eu ria, chorava, gritava, girava, escrevia canções e tinha um pra quem. e tudo era no mundo como se só coisas boas existissem. e muito azul. e muita vida.
só que a gente vai crescendo. as maneiras de pensar e sentir vão mudando. e de repente se vê com o pé está pregado chão. e torna-se impossível flutuar com o peso que alguns amores (?) podem trazer. eu já devo ter carregado umas quinze bigornas nas costas! e tudo que eu queria era voar pra longe pra poder voltar amar com leveza. pra amar alguém com quem eu pudesse brincar de esconde-esconde, de lutinha, fazer cócegas e ganhar no xadrez. ou mais simples ainda que isso: alguém da qual eu sentisse saudade e quisesse estar perto, só pelo fato dela me fazer rir, por eu me sentir bem e por querer fazer o bem. 
tanto tempo desejando (escondido) sentir outra vez que eu achei que isso nem fosse mais possível. a adolescência ficou pra trás e pensei que isso jamais me aconteceria sendo eu agora uma adulta, daquelas que fazem planilhas no excel para controlar o orçamento mensal. só quando dei por mim, estava fazendo micagem com/pra alguém e sentindo, talvez não necessariamente da mesma forma, como se eu tivesse 17 anos outra vez. e eu gostei. juro que me convenci de que gostava, porque é maravilhoso. a parte boa é boa quando é bom. mas fui enganada por essa minha memória seletiva que só rememorou do amor da adolescência as partes boas, deixando de lado a lembrança das inseguranças, daquele frio na barriga do tipo ruim e do fato de que os sentimentos nem sempre são correspondidos. 

e no meio dessa confusão de sentimentos, vontades e incertezas, uma coisa: a racionalidade é realmente muito confortável. é dela agora que sinto saudades.

sábado, 30 de março de 2013

vagalumes cegos, cícero

Nem sei
Dessa gente toda
Dessa pressa tanta
Desses dias cheios
Meios-dias gastos
Elefantes brancos
Vagalumes cegos
Meio emperrados
Entre o meio e o fim
Meio assim
Nem sei
Dessa pressa toda
Dessa gente tanta
Meios-dias feios
Desses dias chatos
Vagalumes brancos
Elefantes cegos
E o céu engarrafado
Fica por aqui
Vem cuidar de mim
Vamos ver um filme, ter dois filhos
Ir ao parque
Discutir caetano
Planejar bobagens
E morrer de rir
Fica bem aí
Que essa luz comprida
Ficou tão bonita
Em você daqui
Fica bem aí
Que essa luz comprida
Ficou tão bonita
Em você daqui
Ninguém vai dizer
Que foi por amor
Todos vão chamar de derrota
Vamos esconder nosso cobertor
E vamos viver sem escolta

sábado, 16 de março de 2013

quase nada

fazia tempo que eu não contava os dias, quem dirá as horas. e como quarta-feira demorou para chegar! eu iria vê-lo, depois de dois meses e conversas entrecortadas pela internet. 
ah como eu odeio conversas pela internet! 
eu gosto é de olho no olho, ouvir a respiração, a voz que as vezes gagueja e as mãos suadas. gosto de falar bobeira deitada na cama, olhando pra cima, obsevando os bichinhos voando ao redor da lâmpada quentinha.
só que quando eu cheguei tudo estava diferente. talvez não diferente de verdade, mas diferente do que eu planejei pra nós: você havia colocado aqueles repelentes de tomada no quarto e já não havia mais bichinhos e nem a luz era a mais a mesma, pois você já não me via, nem eu olhava na mesma direção. dois meses. e você já não era mais meu... dois meses e aquele medo que tínhamos um do outro, de se perder e se encontrar, já não existia mais, porque o nós que nunca foi, passou a ser menos ainda. você foi, enquanto eu achei que ficava mas estava indo também.
toda aquela perspectiva de futuro se foi e "é isso?". é. muito menos dolorosamente do que eu imaginei, percebi nossos horizontes distantes e minha vida bem longe da tua. 
se eu te vir outra vez, certamente vou querer estar perto, como já estivemos, por saber que é bom e sentir-me bem e, da mesma maneira, quando estivermos longe, será tudo como agora: quase nada.

sobre crescer

to virando gente grande. do tipo que pagam as contas sem a ajuda dos pais e não saem durante a semana porque tem que acordar cedo no dia seguinte. to virando gente grande e morrendo de medo. não medo de ter responsabilidades. isso, mais cedo ou mais tarde, eu já sabia que iria acontecer. o gente grande que eu to virando é daqueles chatos, que se esquecem que as melhores e mais belas coisas da vida são as mais simples e que riem por bobeira. to virando gente grande, do tipo desconfiada. gente grande, do tipo que precisa ver pra crer. gente grande da pior espécie, que quer números, dados comprobatórios. e se for pra ser assim, não quero mais! vou fazer um beicinho, chorar um pouquinho e voltar pra baixo da proteção dos meus pais. pelo menos, a vida era menos pesada e eu não chorava por estar extenuada. sobre a proteção deles o mundo era mais bonito e não havia pressões. as únicas satisfações a serem dadas eram à eles. e agora são pra mim. e que pessoa mais "cobrante" eu me tornei. quero tudo e quero tanto, que quando vejo não quero nada. e não tenho nada. e continuo querendo, por querer, por ter. por esquecer de ser... 


saudades de sentimentos puros!

domingo, 10 de fevereiro de 2013

ai, que bobagem!

que grande bobagem escrever sobre aquilo que não se consegue dizer, ou não se sabe como. que grande bobagem é querer e não ter por medo. bobagem mesmo é tomar conselhos com bêbados errantes, que nem de suas próprias vidas sabem, e agarrar tais palavras como profecias a serem cumpridas. bobagem mesmo é achar que você é o meu par, daqueles perfeitos. e pior bobagem é querê-lo pra mim. assim, do nada. as vezes demora um pouquinho para perceber que alguém é único no mundo. agora eu vejo. e quando você está comigo é como se nada mais existisse. não há música, não há festa. nada consigo ouvir além das suas doces palavras. a cada uma que profere é como se minha admiração aumentasse e, quando percebo, tudo que eu quero é tê-lo perto. te sentir, te tocar. e cuidar. e amar. eu tenho vontade de aprender uma porção de coisas, só pra ter o que falar. e te ensinar. e te mostrar o mundo pelas minhas lentes, onde o mundo é colorido e belo...

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Tem tanta coisa que eu gostaria...

eu gostaria de te ver chegar e ter certeza de um futuro bom; de olhar em seus olhos e acreditar; de fazer planos, sem me preocupar com a brevidade do tempo e efemeridade de sentimentos. (...) eu gostaria de fazer uma lista imensa sobre essas coisas, mas, definitivamente, todas elas resumem-se em apenas uma: tê-lo por inteiro, pelo menos uma vez.



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da série textos esquecidos no rascunho
e eu que já vivi tanto de pernas pro ar. e eu que já sonhei tanto que estava sonhando. e eu que sempre quis acreditar num impossível; logo eu, hoje me percebi com os pés no chão, que era estranhamente frio e confortável.


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da série textos esquecidos no rascunho
Todos tornam-se nostálgicos no final do ano. Pelo menos, uma vez ao ano. E sentem falta do que passou e dos planos que fizeram e não conseguiram realizar. E eu não sou diferente. Sou de carne e osso e sentimentos. Sou feita de sonhos que, às vezes, dão certo. Eu respiro sonhos.

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da série textos esquecidos no rascunho

T2

justo naquele dia, em que pensei nele em segredo, eu o reencontrei. e o abracei apertado. eu pude sentir seu coração, que pulsava rápido, como o meu. talvez, mesmo depois de tanto tempo, mesmo depois de eu quase ter esquecido seu rosto, ainda haja amor.


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da série textos esquecidos no rascunho

things you call fate

Olhando pro que passou, ou ainda está passando, vejo o quanto é difícil deixa-lo ir. Não é fácil chegar em uma casa que não é a nossa, deitar em uma cama que não é a nossa e ter uma vida completamente diferente do que um dia a gente já planejou. E você me trouxe tanta felicidade... É a lembrança dela que eu tento esquecer entre doses de whisky e frustração. Eu me sinto como se estivesse enlouquecendo! Eu fico olhando pras paredes e pensando no fato de que éramos livres para escolher, quando escolhemos um ao outro. Você me escolheu. Você me fez sonhar outra vez. E agora é tudo diferente e eu não consigo entender. Foi você que me colocou na posição em que estou? Você diz que o amor acabou e chama isso de destino? Nós passamos a olhar um ao outro como se tivéssemos uma relação fraternal, em que um tem medo de perder o outro. Apenas isso. E aqui estamos. E agora eu não tenho nada, só a maldita bagagem que você deixou me esperando no corredor. Eu não tenho mais maquiagens espalhadas pela pia do banheiro e sua gaveta de meias ficou praticamente vazia sem as minhas. Como é que nós esquecemos o que é o amor? Como esquecer o que é amar? É fácil se você nunca se arrepende. Mas eu amo. E você não pode sair assim, da minha vida, com uma desculpa, pedindo desculpas. Não é tão fácil assim, não pra mim. E depois de tanto tempo você está indo a lugar nenhum. E isso não faz sentido algum. Você pode pegar o carro, aproveitando o dia ensolarado, e acelerar ou pode estar vivendo o oposto do que planejou comigo. Você pode assistir navios partindo em uma viagem ao exterior ou tornar-se uma piada pras pessoas que tem vem e sabem de toda a história. Nós nunca vamos saber do futuro. Eu só sei que não estamos juntos agora. E eu vou vivendo dias e dias, tentado torna-los fáceis e entender aquilo que você acredita e chama de destino.


quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

velho velho amor

fiquei sabendo que ele chega de viagem hoje. não perguntei pra ninguém, pra não dar tanto assim na vista. mas ter amigos em comum é uma coisa boa, porque, querendo ou não, sempre fico sabendo das novidades sobre ele. e eu sempre quero. soube agora, por último, que ele passou num concurso bacana. não é daqueles concursos que vão até a aposentadoria, mas pagam bem. soube de várias coisas. e quando eu sei de algo novo sobre ele, começo a filosofar a vida alheia, pensando por ele, sentindo por mim querendo que seja ele. e ele está lá, vivendo a vida que escolheu, acolheu ou finge que acolheu, enquanto eu a resolvo em dois segundos:

"até hoje eu não entendi porque ele casou, se é pra fazer o que faz. ela não estava grávida, o que também não significa obrigação alguma. e justo com ela. o que sabe da vida? sabe sobre algumas agulhadas e sua mundivisão limitada. e sim, eu sou uma pessoa inteligente. e em breve terei títulos!"

é, talvez ser somente inteligente não seja o suficiente. não pra ele. e, além disso, eu fico o tempo todo lamentado o passado pelo futuro que não foi. isso não é nada inteligente! mas estou convencida de que a vida não me foi justa. e, então, eu quero encontrar os porquês. por que acabou? por que ele não ficou comigo? e mais um monte de porquês que nunca me levam a lugar nenhum. e na verdade, não é de levar, é só de questionar, porque eu não quero mais estar com ele, eu sei disso, eu sinto isso, mesmo quando tenho vontade de ligar. é aquela coisa de amor mal resolvido. talvez uma xícara de café numa padaria movimentada, cheia de gente ao redor, resolvendo suas vidas como também estaríamos fazendo, fosse a solução. e fim. não teria mais porquê. mas nosso últimos encontros nunca foram bem fadados. não falamos sobre nada, nem fizemos nada. e quando eu o abracei, não queria soltar. e depois de milésimos de segundos, tempo do cérebro lembrar de tudo que passou e de como ele agiu, a vontade era de desabraçar. abraçar e desabraçar. e agora eu lembrei daquele desabraço do primeiro encontro, que foi seguido de um beijo e eu acabei de sorrir. que absurdo! eu penso que deve ser aquela coisa de primeiro amor, aquela coisa de "a primeira vez a gente nunca esquece", porque não existe uma explicação racional. mas o que me faz, depois de tantos anos, sentir frio na barriga quando o vejo passar? o que me faz parecer absurdamente feliz quando eu sei que ele está no mesmo ambiente que eu? e sim, eu estou absurdamente feliz, de uma maneira que eu não planejei, mas estou. e me sinto plena. sinto-me plena desde que os assuntos não perpassem o nome dele, que até hoje tremo ao pronunciar. e deve soar falsa a naturalidade que tento transparecer quando o mencionam ou falam sobre sua mulher, seu filho e seus cachorros. eu sinto que era pra eu estar agora ali. ele tocando violão e eu cantando. era pra ele estar comigo e me levar no primeiro dia de aula do mestrado. eu sinto como minha vida tivesse sido roubada. era pra ser eu no banco de passageiro do carro novo. 



e depois dele eu já tive um amor, um grande amor. acho que aquela história de que um novo amor faz esquecer o velho talvez não seja cem porcento verdadeira. de qualquer maneira, os clichês tornam-se clichês pelo seu fundo de verdade. não me custa nada procurar um novo novo amor para esquecer do velho velho amor.