sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Feliz ano bom

- Vamos logo, a gente tá atrasado! Pegou as bebidas?
Imóvel, olhando pra mim, toda ansiosa, ele me observava. Eu vestia branco. Não sei direito o porquê. Era a primeira vez que eu ia passar o ano novo na praia, não sabia direito como agir, então, decidi estar vestida como imaginei que todo o mundo estivesse. Eu tinha uma flor igualmente branca no cabelo, a mesma que depois joguei ao mar, homenageando Iemanjá. A flor foi ele quem havia me dado. Acho que roubou do jardim do vizinho. Eu sempre odiei cheiro de flor, que me dá dor de cabeça, mas aquela era especial, já que tinha sido roubada com exclusividade para mim. Quando ele chegou com ela e estendeu as mãos em minha direção, eu decidi o que iria pedir ao pular as sete ondas: era ele. Quando ele a colocou, delicadamente, nos meus cabelos, eu já sabia o que queria para o ano que estava por vir: era ele. 
- Você está linda! - disse ele, depois de ficarmos parados por alguns momentos, nos admirando.
E como eu o admirava. Sempre acreditei que a admiração é essencial para qualquer relacionamento. E não faço da questão estética, até porque ele tinha vários atributos físicos que me agradavam. Falo de caráter, integridade, inteligência... Características que me arrancavam muito mais vezes o fôlego e suspiros. Eu queria falar sobre isso, mas retribuir o elogio soaria falso naquele momento, como se eu apenas estivesse o fazendo porque ele havia dito algo anteriormente. Então, eu apenas o abracei demoradamente e ele entendeu o que eu queria dizer mesmo sem ter aberto a boca: eu amo você. Aliás, eu abri. Quando dei por mim estava pronunciando letra por letra a declaração de amor. Eu nunca tinha dito isso antes e comecei a rir. A sensação de falar sobre o que o coração está cheio é indescritível. É como se o peito ficasse leve e  gente tirasse os pés do chão. É como se o mundo passasse a fazer sentido. É como se aquele sentimento fosse o que há de mais belo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. E eu repeti milhares de vezes entre expressões de estranhamento e felicidade. Ele sem muito entender, sorriu. E me beijava a cada vez que eu proferia a frase. E de repente eu ouço as pessoas em frente à casa de praia gritar: 5, 4, 3, 2, 1! 
Saímos correndo para ver os fogos. Os fogos mais lindos que eu já vi. Talvez não fossem tão lindos assim, mas eu estava feliz. 
Cheguei à beira do mar para pular as famosas 07 ondas, mas não o fiz. Eu estava plena, não precisava de superstição alguma para que o ano que estava começando fosse um ano bom. Apenas tirei a flor do cabelo e a lancei ao mar, agradecendo pelo meu pedido ter sido realizado: era ele. 



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para 2013: novas perspectivas

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Vermelho

e aqui, deitada no meu quarto, de janelas e cortinas fechadas, no escuro, distante do mundo lá fora, procuro esquecer da imagem que não vejo no espelho. e quando saio e vejo sozinha o pôr do sol, rio, porque já acostumei a olhá-lo somente pelas minhas vistas, de mãos livres e coração vazio. mas aí você aparece, pega a minha mão e me tira do quarto escuro onde estou. e tudo desmorona. e eu nada sei. porque agora, quando você não vem pra me levar ver o sol, eu saio pra te procurar. e é por isso, por presumir onde isso vai parar, que eu não deveria ter medo do mundo. deveria me jogar. mas não, eu corro. fujo. e ao mesmo tempo, te vejo e você sorri, e é aí que eu me perco entre ideias e sentimentos... 


Fica um pouco mais. Tá cedo ainda! Não precisa ir embora agora, não. Tem aquele bolo que você gosta e eu deixo você comer na cama. Não tem problema os farelos! Só diga que vai ficar. Quer café? Você me diz como faz, que eu preparo um pra você. E eu posso fazer um almoço gostoso. Macarrão, pode ser? Ou te levo pra almoçar. Serve comida japonesa? É minha favorita, lembra? Hum... Aquele sushi de cream cheese e salmão. Delicioso! Ah, olha essa foto: sou eu quando criança. Olha como meu pai ficou melhor, depois que tirou o bigode. Deixa eu te contar: sou aspirante a mestre agora. É, passei no mestrado. Tomara que eu consiga bolsa! Você sabe a diferença entre morsa, leão-marinho e foca? Eu li num site na internet. Até então confundia e é bom saber, nunca se sabe quando irá encontrar com uma delas! Viu, não fume aí atrás, a vizinha é uma bruxa. Senta aí, vou pegar o cinzeiro. Quer ver televisão ou quer que eu ligue uma música? Ah, sempre eu que ouço essa música lembro de você! Só acho péssima a parte em que eles riem cantando. Falta de profissionalismo deixar o celular ligado durante a gravação do álbum. (...)

Amor, fique! Perdure. Encha minha cama de farelos e sorrisos. 
Você sempre chega assim, quietinho, me arromba a porta, me assusta e sai de mansinho. Amor, fique!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

pra sempre hoje, pra sempre amanhã, pra sempre depois de amanhã

eu sempre tive medo desse "pra sempre", que pra mim nunca chegou. tudo bem, eu confesso. ele chegou várias vezes, mas me tomaram sem se quer perguntar minha opinião. e eu chorei. e acostumei. e sem esse pra sempre tudo o que eu tenho é hoje, tudo agora. e se é só agora, eu me jogo. simplesmente me jogo, sem entender direito o que está acontecendo, só para não perder a mínima possibilidade de um pra sempre durar para mim. só que aí veio você, que me fez sair do fundo de onde um estou, bagunçou todas as minhas certezas (?). e eu quero correr. não por não gostar, não por não querer ficar junto, é por não saber como lidar  com a situação. é que já faz tanto tempo que meu coração peludo não batia... eu estou assustada! tenho medo do futuro, medo de apostar minhas fichas e perder porque quem sabe jogar é você. eu tenho medo de me apaixonar de verdade, porque do que eu me lembro isso dói. eu tenho medo de colocá-lo em primeiro plano, como usualmente fazia, e esquecer de mim, e dos meus sonhos, e da minha vidinha medíocre que sempre desejei. eu estou perdida em ideias desconexas e nessa bagunça que é o coração. eu quero, depois não quero, mas em seguida quero de novo. eu gosto, depois desgosto e quero outra vez. e você não tem que aceitar isso, não tem que se arriscar nisso. você não precisa fazer nada por mim. talvez, tentar entender meus pontos e objeções. talvez tentar entender que eu chorei e que eu não quero que isso aconteça outra vez. talvez...