quarta-feira, 26 de setembro de 2012

é que o final do ano tá chegando e, com ele, todas aquelas milhares de coisas para fazer e contas para pagar. e eu, que sempre odiei essa história de espírito de fim de ano, não tenho em que me desculpar pelas grosserias que venho cometendo. e talvez nem deva. porque é sempre assim: tomo a culpa para mim como se ela nunca tivesse sido tua. e você sorri, enquanto eu sofro.

sábado, 15 de setembro de 2012

nós dois éramos três e/ou agora dois e eu sozinha

[esse texto pode soar desconexo pra você, que não sente como eu]


Você acha que é fácil assim, contar dos sonhos mais banais e de um plano pro futuro? Você acha que é fácil assim, dizer que gosto de você, mesmo quando luto pra tentar sentir o contrário? Você acha que é fácil assim, abrir o coração e ler meus escritos mais particulares para você? Você acha que é fácil assim, viver por um amanhã pelo que se sente hoje? Você até pode achar fácil essas e tantas outras coisas, mas para mim não o é. E quando eu te olhava no olho, sendo sincera de sentimentos e tentava fazer com que você igualmente baixasse a guarda e reaprendesse a amar, era por um motivo nobre: bem-querer. E eu quis. Quis por muitos dias que pudesse dar certo. Quis por muitos dias te chamar de meu e dormir contigo, ouvindo o canal de músicas da tevê à cabo. Eu quis cuidar de ti, que já foi tão ferido como eu. Quis cuidar de você, para que juntos pudéssemos fazer coisas boas e, quem sabe, voltássemos a sorrir. E quando eu me coloquei em segundo plano, deixei meus sentimentos, desejos e vontades de lado foi por gostar de ti e respeitá-lo. E quando eu ouvia suas palavras que não faziam sentido algum pra mim, só pra você, eu tentava entender e esperar. E te curar. E te fazer sentir-se bem. Eu queria vê-lo gargalhando por bobeira, só por ver quando a vida é boa. Eu tentei por muito tempo entender quando você dizia que precisa tratar-se sozinho, para, então, poder andar de mãos dadas e assistir a um filme cult juntos. Por falta de esforço não foi. Mas é que eu quero tudo pra ontem e o quis assim também. Queria você aqui já faz um tempo. Talvez desde uma infância já remota, quando a gente cria uns amores platônicos. Você sabe, você sempre foi um deles. E agora, que eu poderia, quem sabe, ter você, o tempo passou. Um breve tempo passou. Uma? Duas semanas? Não sei. Eu só sei que a gente sempre tem um segundo plano. Lamento ter sido o seu. Lamento ter sido usada para que você se estabilizasse emocionalmente, para seguir sua vida longe de mim. E por mais que eu diga pra mim mesma que eu não queria estar contigo, penso ser mentira quando sinto raiva. Pior, inveja. Eu queria estar no lugar dela. Eu fiz todo o trabalho sujo para ela chegar e pegar a sala de estar limpa. Coração limpo. E agora, outra vez eu finjo que está tudo bem. Pulo na cama elástica como criança, para tentar dar risada da vida, que vive me colocando de ponta cabeça em cambalhotas. Mas agora, em casa, talvez eu devesse chorar. Seria bom. Eu me sentiria bem. Eu não choro desde aquele dia, em que você enxugou minhas lágrimas e pediu para eu parar, para você não quedar-se em lágrimas junto à mim. Eu queria chorar por você, chorar por amor. Chorar por aquele futuro que não foi, pelas viagens que me prometeste ao Leste Europeu... Chorar pelo que havia de ser e não foi. Mas o máximo que eu conseguiria é de raiva. E é uma raiva diferente: é uma vontade de acabar com a sua felicidade, só para que você voltasse pra onde estava e de onde te tirei. É vontade de gritar pelo mundo as coisas ruins que fazes só para eu ter o prazer de fazê-lo chorar. É vontade de te fazer novamente vazio, como me sinto agora. E o pior é que é uma raiva não pelo que já foi, não pelo que não foi, mas por eu ter sido seu segundo plano sem ser comunicada. Eu sei, eu sei, todo o mundo tem seu segundo plano. Eu sei, eu sei, todo mundo é um segundo plano de alguém. É normal. São mecanismos de defesa que criamos. É melhor ter duas pessoas para não ter verdadeiramente uma só. Talvez seja menos dolorido caso se distribua o amor. Aí, a dor vem em doses homeopáticas. Eu só lamento que nós dois éramos três e agora dois e eu sozinha. E pode ser despeito, por me achar mil vezes mais inteligente. Mais bonita talvez não. Mas eu sei falar sobre coisas do universo, das sociedades e arrisco até umas datas históricas. E eu sei ser amor. Você, diferente de muitos, teve a oportunidade de conhecer um pouco de quem verdadeiramente sou. Queria que isso fosse entre nós um segredo eterno e que eu pudesse dia-a-dia te mostrando coisas novas. Queria ter uma rotina pra quebra-la. Queria fazer o teu mundo girar, na minha órbita. Queria tirar teus pés do chão. Na verdade, eu só queria fazer você sentir o que sinto quando estou próxima à você: vontade de te bater, te tanto gostar de você. Porque seria mais fácil se o errado fosse verdadeiramente você, que vê a saída e agora tem alguém. E deixou de estar livre sem direção.

E só de raiva eu vou parar de ouvir Sondre Lerche. 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

pra quem olha assim, como eu, de longe, pode achar fácil separar todas as coisas, todas as cartas e poemas, juntá-las todas e uma sacola e mandar pra reciclagem. pra quem olha assim, como eu, de longe, pode parecer fácil dizer um adeus da boca pra fora e fazer valer a palavra. pra quem olha assim, como eu, de longe, pode parecer fácil, mas só parece!

é tão difícil guardar no peito o que se quer gritar.
e quando você me olha, querendo entender, e nada se explica, deve ser porque eu nunca fiz muito sentido mesmo.

o amor vai chegar

e o amor vai chegar. em uma hora ou duas. em três ou quatro. daqui um mês. talvez menos. vai chegar e virá sem avisar. o amor gosta de fazer surpresas. gosta de chegar e arrombar minha porta. gosta de chegar e interfonar, fazendo uma brincadeirinha boba. e mesmo assim, assim mesmo, sem avisar, destruindo tudo que tenho tentando construir, eu vou amar. o amor chega em alguns dias e vai me escancarar o peito, como se fosse meu dono. vai entrar na minha casa, deitar na minha cama e, sem dizer nada, reocupar meu coração.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

bon voyage

parte 01:
dizem que se a gente fizer rolinhos com a roupa sobra mais espaço na mala. não acredito nisso. to dobrando normal, do jeito que faço para guardá-las no guarda-roupas mesmo. bem na verdade, to fazendo como eu imagino que economiza mais espaço. eu tinha pensado em emprestar uma mala maior, por causa do meu excesso de bagagem. deixei pra lá. vou me obrigar a carregar menos daquele peso das costas e daquela angústia do peito.



parte 02:
e agora, depois de enchê-la de tralhas, tenho a sensação de que estou esquecendo de alguma coisa! e se eu estiver? assim, faltando algo não posso, nem devo, fechar essa mala e sair em viagem. espero que seja só a escova de dentes ou aquele brinco que combina com a blusa marrom. espero, sinceramente, que sejam somente essas coisinhas banais que não me deixam fechá-la. espero que não seja pelo meu pé pregado no chão, de raízes profundas de um passado próximo que não me deixam sair do lugar. e viajar. e conhecer o novo. e olhar pra frente. e seguir. 

terça-feira, 11 de setembro de 2012

talvez, mas só talvez

talvez eu devesse ler algumas páginas de freud pra tentar entender o que sonho, além dos devaneios em acordado.  talvez eu devesse estudar um pouco mais sobre aquelas coisas de física, sobre massa, gravidade e como que um corpo se mantém preso ao solo. talvez eu devesse relembrar do dia em que o professor disse que dois corpos não ocupam o mesmo espaço. talvez eu devesse acreditar só nessas coisas e abstrair você de mim, que vive aqui, pregado, ocupando um vasto espaço e participando dos sonhos mais secretos. talvez, mas só talvez.

domingo, 9 de setembro de 2012

você não podia surgir agora

eu só estava tomando um café, na hora do tédio do trabalho, quando você apareceu. e eu tomei um susto. você estava de branco. era como um fantasma dos meus pesadelos e devaneios mais terríveis. e pior, todos esses fantasmas sempre atenderam por um único nome: o seu. e eu que há muito tempo estava sozinha, fazendo aniversário de solidão, escolhi continuar assim. por mais que você traga novas palavras, citações de livros que eu ainda não li, e que estas palavras possam soar como verdadeiras, aquele tempo de super-heróis já passou. e é porque eu to crescendo. e quando eu paro e sinto medo, sei que é só para me proteger do que há de ser, porque eu não quero (queria) nem de longe conhecer alguém novo pro meu coração. seria melhor se você não tivesse voltado agora, para que eu não abrisse meus olhos e continuasse vivendo a ilusão do nosso amor. só que aqui, agora, eu te vejo fumando esse marlboro de filtro vermelho no lugar de classic, e percebo apenas o que mudou. não existe um será, poque eu, que estava aqui, até então pensando somente em você, olhei para o lado e percebi onde está o amor: em quem se distrai me dando atenção.

texto parcialmente inspirado em: http://letras.mus.br/roberta-sa/voce-nao-podia-surgir-agora/

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

1901

é que eu acabei de dar play naquela música, aquela que dá vontade de viver... eu nem sei o que a letra diz, , mas a sonoridade dela me dá vontade de sair do lugar, acordar pra vida que está à frente e vivê-la realmente, plenamente. vontade de mudar, vontade de conhecer o que está do lado de lá. e eu vou correndo, pra me jogar!




segunda-feira, 3 de setembro de 2012

eu te amo


meu celular tava tocando, insistentemente, até que finalmente decidi sair debaixo das cobertas para atendê-lo. básica olhada antes de apertar o botão verde: era ele, de novo. cogitei a possibilidade de não atender, mas tinha certeza de que ele iria insistir na ligação até eu ceder, como já ocorreram outra vezes. era um pouco depois das dez da manhã, eu ainda dormia porque tinha ficado até tarde escrevendo pro blog sobre ladainhas de amor e dos meus romances. enfim, atendi.
- alô?
- oi, ana.
- oi. (tentei a fazer a voz de maior insatisfação da vida, para que assim, quem sabe, ele entendesse de vez que havia acabado. e já fazia tempo)
- como você tá? faz tanto tempo que a gente não se fala...
eu demorei um pouco pra responder. pensei em contar sobre as provas de mestrado que estou fazendo, dos caras que estou saindo, dos empregos que estou procurando e dos livros que tenho lido. mas fiquei com preguiça. preguiça de dar satisfação da minha vida para alguém que não quero satisfazer.
- ah, tudo como sempre, você sabe. só estudando!
- sei como é, aliás, imagino como deve ser foda o quarto ano da universidade: milhões de trabalhos, provas e o tcc.
- é, tá puxado!
fez um silêncio ao telefone. acho que aquela era a hora que eu tinha que perguntar "e você?", mas eu não queria saber. só quero saber de quem não quer saber. sempre assim... 
ele retomou a conversa:
- eu to bem. to trabalhando agora. to ganhando bem e dei entrada num carro.
acho engraçado como as pessoas gostam de falar do dinheiro delas, como se isso fosse a coisa mais importante do mundo... números, números, números... eu quero saber da cor dos dias, das sensações e dos sentimentos, não das coisas quantificáveis, que são, na maioria, chatas. 
- hum...
eu não sabia o que dizer. na verdade, eu sabia. queria dizer que não tava interessada, que tava com sono, queria dormir e sonhar com o que há de ser. eu tenho muitos sonhos... mas não queria ser tão grossa assim, afinal, tivemos um, dois ou três bons momentos. para não ser tão agressiva, apenas disse:
- eu tenho que desligar.
- o que você tá fazendo?
- dormindo.
- orra! obrigado pela parte que me toca. tudo bem se dormir é mais interessante que falar comigo!
(algo sobre mim: ai, como eu odeio esses draminhas!!!)
- fiquei até tarde na internet, trabalhando. (mentira, mas ninguém precisa saber como perco meu tempo na net: fofocas, famosos, blogs...)
- ah!
- viu, me diga uma coisa?!
o "o quê?" da resposta dele soou animado. 
- você tem alguma coisa importante pra dizer, diferente do que você já me disse?
- eu liguei pra conversar, falar besteiras, te ouvir...
- eu to com sono. vou desligar!
- espera!
- o que foi?! 
minha voz já estava bem mais entediada do que no começo do telefonema. aquilo estava realmente me chateando.
- eu te amo.
-ah, tá. valeu. tenho que ir.

tu - tu - tu

acontece

e eu que já chorei, não tive a intenção de fazer chorar. acontece. e soa egoísta, talvez, eu gostar que chore por mim, assim como eu chorei por alguém, mesmo esse alguém não tendo sido você, nem você tendo culpa alguma disso. na verdade, você tem: você gosta de mim. então, se choras, a culpa é tua. porque eu falei que não valia a pena e que não queria você. mentira, queria sim! até quis, mas só pra me divertir. ter companhia num dia em que os amigos não podiam sair pra beber e jogar conversa fora. eu queria só um beijo, sexo e, talvez, uma conversa de travesseiro, ouvindo Belle&Sebastian ou Wilco. mas era só naquele dia. e não depois, e não agora. e eu não quero que você me procure mais. porque eu já pedi pra você não me ligar, e pensar em mim e me gostar. porque você vai chorar, de novo. e vai doer, de novo. e pior. eu vou rir. vou dar risada se você voltar a interfonar de madrugada pedindo pra subir, vou dar risada da sua voz de choro ao telefone, e vou dar risada do seu sofrimento por meu desdém. mas só vou rir porque eu avisei que eu não sou daquelas que fico com o celular na mão esperando ligação do dia seguinte ou as flores no portão. vou rir porque eu avisei que eu não queria almoço de domingo, nem conhecer seus amigos. e eu avisei que a porta não seria aberta, como não foi. e, dificilmente, será.

domingo, 2 de setembro de 2012

das coisas que eu gosto

é que eu gosto de conhecer coisas novas. é que eu gosto de pular de ponta, de fazer com paixão e de amar as coisas, e as pessoas. é que eu gosto de mergulhar fundo, me perder, te encontrar. é que eu gosto de deixar tudo pra última hora, só pra ter aquela sensação de que não vai dar tempo e de que tudo estará perdido. mas é que eu gosto do que é diferente, do que é ruim e do podre, só para ter a vã sensação de que eu posso fazer alguma diferença. é que eu gosto de fazer o que eu não quero, nem posso fazer. na verdade, eu acho que gosto é de gostar de você.