quarta-feira, 29 de agosto de 2012

desejo de você

essa história de eu olhar e você virar o rosto
o seu jeito de fingir que não me enxerga
todas as desculpas pra não me gostar
não convencem meu desejo de você

se meus três acordes não são audíveis
e os meus bilhetes deixados na caixa de correio não te fazem olhar
todo seu desdém ao ouvir meus passos
não convencem meu desejo de você

só que ao acordar amanhã, de manhã
a decisão de não te querer será tomada
amor até certo ponto pode-se escolher:
escolho a mim, não quero mais desejar você.

sábado, 4 de agosto de 2012

mudanças

e eu poderia mudar, ser menos quem eu finjo pra ser mais quem sou. eu poderia deixar o bemol de lado e compor músicas para você em sustenido. e eu poderia mudar, sorrir pra mostrar os molares, girar até ficar tonta e cair de bunda no chão. eu poderia uma porção de coisas. poderia te ensinar coisas sobre a independência do brasil, sobre passado e esquecimento - algo que teoricamente eu sei bem por causa do meu TCC - , e poderia te levar pra ver o mar, caso você ainda não o conhecesse. poderia te carregar no colo ou no cangote, te ensinar a comer butiá com sal e assistir série de seriais killers. poderia gravar um filme de longa metragem dizendo coisas bonitas sobre o que sinto e sobre quem eu sou. porque eu gosto do cheiro de chuva, quando cai no pó, porque eu gosto de chupar picolé de fruta daqueles bem baratinhos, porque eu gosto de andar de mão dada pulando no parque, porque eu gosto de amarelinha e gosto de amar. eu poderia escrever uma carta dizendo sobre quantas cartas de amor eu já escrevi e não mandei, sobre quantas palavras doces desejei dizer e não disse, sobre os meus planos que ainda não foram realizados. eu tenho vontade de beijar na chuva e sentir as gotinhas caindo entre nosso beijo. eu tenho vontade de ir na praia no inverno, porque eu só fui no verão. eu tenho vontade de conhecer o mundo com alguém, porque sozinha eu tenho medo. e eu poderia tirar uma foto da gente todo o dia, porque todo o dia eu teria algo novo pra contar e lembrar. mas quando eu faço assim, escancaro o peito, mostro quem eu sou, além da gostosa engraçada, eu fico sozinha. e aí, aí, eu não quero mais mudar.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

hoje eu acordei pensando nele. e eu já estava quase feliz porque já fazia uma semana que eu estava aprendendo a viver à ausência dele. só que hoje, especialmente hoje, eu acordei pensando nele. então, percebi que não adianta eu trocar a cor do cabelo e usar esmalte de cor clara, deixando os tons de vermelho de lado, nada vai mudar. e na minha cabeça tudo foi, e continuará sendo, encargo dele [será mesmo?] por que me abraçou tão forte? [será que fui só eu que o abracei e toda aquela força era minha?] por que me chamou de "amor"? [será que só respondeu à altura de algo que o chamei?] e por mais que eu tente culpá-lo por estar numa festa enquanto eu planejo, em casa, como mudar de vida, eu sempre tomo a responsabilidade pra mim, poque fui eu que me apaixonei, fui eu que pressionei, fui eu... e, assim, quando toda a culpa, que na verdade não existe, sai dele e recai sobre mim, abro novamente margem para gostar dele, acordar pensando nele e reiniciar a contagem.