terça-feira, 31 de julho de 2012

cópia de chave

A chave está no lugar de sempre, embaixo da caneca em que você costuma tomar café da manhã, fumando seu cigarro mentolado. Não se assuste! Mas essa cópia é sua. E, também, não se sinta pressionado. Eu estou apenas te dando a oportunidade de abrir a porta. A chave agora é tua. Como há muito já era, em sentido metafórico.

domingo, 8 de julho de 2012

hoje não é dia de sol e o piquenique não pode ser na garagem, john!

hoje eu passei no mercado pra comprar comidinhas boas pra te agradar.
um vinho caro, outro mais ainda, só pra você achar que eu entendo de coisas boas e sofisticadas.
googuei queijos e petiscos que combinavam com carmenérè e cabernet sauvignon
e eu passei na loja de macumbas da esquina, onde vendem velas de amor e bons fluídos
mas do que adianta tudo isso mais jazz se choveu e o piquenique não será é nunca mais.

eu pensei na garagem da sua casa, mas você disse: "é melhor num dia de sol"
na minha teimosia, acabei indo até lá e sua mãe me disse: "ai, ele foi viajar!"
ainda bem que eu não tinha certeza absoluta se estava apaixonada por você,
porque agora eu decidi que vou casar com um beatle, de preferência o john.
mas do que adianta tudo isso mais jazz se choveu e o piquenique não será é nunca mais.


e foi assim que você me estendeu a mão, me oferecendo o que tinha de melhor e mais pulsante. e foi assim que eu também estendi minha mão em sua direção e começamos a rodar. e foi assim, depois de tanto rodar, que eu enjoei do seu melhor pulsante. e foi assim que eu peguei seu coração, delicadamente coloquei no chão e pisoteei, pra você nunca mais esquecer que atrás das palavras doces, meticulosamente ditas pra você se apaixonar, existe um monstro esmagador de corações. e toda vez que você chorar, eu vou rir. e toda vez que você rir eu vou chorar. porque esse monstro esmagador de corações, um dia, também teve um, que foi igualmente, e brutalmente, pisoteado. e não trata-se de revanche, não trata-se de querer por ou tirar a culpa de alguém - se é que ela existe. trata-se de agir sem pensar, só agir. encontrar e desencontrar pessoas. pensar em amar e desamar pessoas. chorar e fingir sorrisos. a dor não é mais pelo que já foi, não é mais pelo meu coração esmagado ou pelos que esmaguei. é por não ter. é por querer pensar e sentir outra vez.

[chega desse texto chato. beijos!]

segunda-feira, 2 de julho de 2012

não precisa me amar, mas não me odeie. eu sei que várias, se não todas as minhas decisões são tomadas de maneira arbitrária e sem pensar, sempre agindo impulsivamente, mas é que o amor poderia chegar em alguns dias, e só faltavam doze. e num piscar de olhos estava decidido: deixei o medo do futuro e do amor me abraçar, bem apertado, pra nunca mais soltar. e eu fiquei e vou sempre ficar aqui, com o pé pregado no chão porque eu não posso, nem quero, voar. eu tenho medo do que o que pode ser fuja ao meu controle, eu tenho medo que os teus sonhos sejam além dos meus, eu tenho medo de me colocar em segundo plano e viver sob uma sombra que não é minha, mas tua. suas coisas, você, seus sonhos, sua vida, e eu. pra mim isso jamais serviria. eu tenho alguns sonhos também. não ache que eu parei de sonhar. meus sonhos, por mais difíceis que eu pense que seja de alcançar, estão bem perto e só dependem de mim, de eu olhar pra mim mesma, pras minhas coisas, eu, meus sonhos, minha vida, e, então, você. 
essas minhas decisões, que eu tento racionalizar ao máximo, para não me fazer arrepender, fazem, em contrapartida, doer aquilo que gosto, e talvez amei, não sei. isso me fere. me preservar também fere.
e talvez eu não saiba realmente o que estou fazendo, porque tudo não passa de uma suposição. e eu que sempre condenei quem vive de "se", mergulhei nessa imensidão que é a dúvida, então, vou tentar fazer algo para que valha a pena eu ter desistido de você e pensar, realmente, em mim.