quarta-feira, 25 de abril de 2012

e o amanhã, cadê?

hoje foi um daqueles dias que a gente acorda com uma pontinha de mau-humor. talvez dizer que tenha sido apenas uma pontinha seja apenas um eufemismo para tal mau-humor. de qualquer maneira, eu acordei fazendo beicinho e não tinha ninguém aqui para me fazer rir quando eu queria mesmo era chorar. era assim que ele fazia, toda vez. e se eu nunca mais o tiver aqui? e se...? e se...? e a partir daí foi uma sucessão de pensamentos ruins e uma onda de insegurança, pensando que o futuro pode não ser bom e que tudo pode ser muito diferente daquilo que, talvez, um dia imaginamos. e hoje, pela primeira vez, eu tive medo de que tudo possa ser em vão. e, ao mesmo tempo, me senti surpreendentemente tranquila. se nada for como esperávamos ou planejávamos, terá sido e, tenho certeza, da melhor forma possível. e o mau-humor, que é apenas um ponto de vista da vida, passou!

terça-feira, 24 de abril de 2012

o telefone tocou

minha cabeça dói, mas ele acabou de me ligar. minha cabeça continua doendo, mas o que importa é que ele acabou de me ligar. e me roubou uma ponta de sorriso. 
já fazia um tempo que o meu telefone não tocava, com o nome dele no visor. e hoje, durante a aula, durante a dor de cabeça e eu usando a internet tudo que não fosse o tema da aula, ele me ligou e eu sorri.

domingo, 22 de abril de 2012

pedindo, perdão

eu fiz o que eu tinha que fazer. eu fiz o que me pediram para fazer. e por mais errado que aos seus olhos isso tenha sido, foi o melhor que eu pude, era o que eu conseguia naquele momento. eu só não agi melhor porque...  porque  não sabia como fazê-lo.

pensando em você, no hospital

acabei de chegar do hospital. é, a gente pensou que fosse um novo derrame. felizmente, era só a pressão, que subiu demais. depois de umas injeções e remédios, meia hora de observação, ele já pode voltar pra casa. mas já deu pra assustar bastante! e fez doer. e fez chorar. a possível ausência dele roubou de mim lágrimas. eu me senti culpada, por vários instantes... até saber que estava tudo, ou quase tudo, bem. e a culpa é minha quando ele quer mostrar para mim que está tudo bem e que eu posso ficar feliz. a culpa é minha quando eu forço demais a memória dele e o obrigo a pensar que jacaré não é com G. a culpa é minha pela moda de viola desnecessária, pelo esforço absurdo para cantar afinado e pelos risos fora de hora. e no meio dessa culpa toda que eu sei que não é verdadeiramente minha, mas é uma maneira de chamar a responsabilidade para mim e cuidar de quem amo, pensei em você. e no meio de tudo isso, eu pensei em você! e quando sou redundante ao escrever tal frase é para dar ênfase nas milhares de vezes que te quis por perto, segurando minha mão, ou, pelo menos, com sua voz que me acalma, dizendo que tudo ficaria bem. como, de fato, ficou. e como você já fez.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

hoje não é dia de sol ou o céu está desabando ou o raio cai duas vezes no mesmo lugar?

espera aí! isso já passou. e passou faz tempo. tanto tempo que eu quase nem lembrava mais.
me responde uma coisa: o que passa não fica só no passado? 
e por que é que eu estou sentindo como se tudo estivesse acontecendo agora? 
para mim, que o processo natural das coisas e das dores fosse o acontecimento, uma tristezinha posterior e, depois, sem nem mesmo a gente perceber, aquilo tudo passa. 
é que eu já me perdi nessa matemática de raios. já foram tantos... que, enfim, eu só sei de uma coisa: já está relampiando. e a chuva que faz o céu da minha vida cinza está para desabar.

o amor chega em uma hora

"Daqui a uma hora ele chega. Não deu tempo de consertar o esfolado da minha unha e de esfoliar decentemente os pêlos encravados. Esfolado, esfoliado. Tudo parece música e rima mas é só porque você chega em uma hora. Tem um carro que passa lá longe, enquanto eu tento abrir os olhos e encarar esse dia em que você chega. Esse carro não sabe, mas foram mil anos abrindo os olhos e ouvindo carros e ouvindo ruas e não ouvindo a sua voz. E agora a sua voz existe e você chega em uma hora. Não estou pronta. Minha barriga dói. Eu tenho vontade de vomitar. Eu não consigo comer de tanto medo que eu estou sentindo. Eu quase desmaiei agora de manhã, porque pra piorar está calor. Não lido bem com calor. Não lido bem com nada que não seja eu em minha bolha arejada de imaginações. Mentira, não lido bem com minha bolha arejada de imaginações também. Não lido bem com nada. Não deu tempo de virar mulher. A hora que ele aparecer no desembarque do aeroporto, com sua cara de homem, com sua voz de homem, eu vou ter vontade de pedir que ele volte de onde veio e espere mais cem anos. Porque não deu tempo de eu virar mulher. Eu vou ter vontade de pedir que ele me carregue no colo até a casa da minha mãe e me entregue pra ela. Eu queria tomar sopa na casa da minha mãe. Eu lembrei agora que minha mãe me dava Sustagem quando eu ficava assim, tão assustadoramente encantada pelo mistério das coisas. E ela temia que eu desintegrasse. E agora? Como faz quando se é adulta? Qual é a sustagem de agora para que eu não desintegre? Como é que se ama com um corpo de trinta e três anos se por dentro eu tenho cinco anos e estou tremendo, apavorada, pressentindo o estrago que as coisas de verdade podem causar. Por que eu chamo de estrago quando sei que, na verdade, estrago é o que as coisas que não são de verdade causam. Eu tenho tamanho pra suportar o tamanho das coisas de verdade? O amor chega em uma hora e eu ainda não consegui comer, escolher a roupa, arrumar minha franja, decidir se já posso amar. O amor chega em uma hora e vai quebrar meu gesso mas eu não decidi se os ossos já estão bons o suficiente. Mas ele vai chegar com trinta martelos e eu vou estar esperando, forte e decidida, pra receber a porrada. E o ar que vai entrar. E mais dor. E o ar que vai entrar. E quem sabe então alguma felicidade, já que fui corajosa. Quem sabe a felicidade seja a harmonia entre a dor e o ar que entram pelos poros que temos coragem de abrir? E quem sabe só o amor seja o martelo possível? Escrevo isso e choro. Porque quero tanto e não quero tanto. Porque se acabar morro. Porque se não acabar morro. Porque sempre levo um susto quando te vejo e me pergunto como é que fiquei todos esses anos sem te ver. Porque você me entedia e dai eu desvio o rosto um segundo e já não aguento de saudade. E descubro que não é tédio mas sim cansaço porque amar é uma maratona no sol e sem água. E ainda assim, é a única sombra e água fresca que existe. Mas e se no primeiro passo eu me quebrar inteira? E se eu forçar e acabar pra sempre sem conseguir andar de novo? Eu tenho medo que você seja um caminhão de luz que me esmague e me cegue na frente de todo mundo. Eu tenho medo de ser um saquinho frágil de bolinhas de gude e de você me abrir. E minhas bolhinhas correrem cada uma para um canto do mundo. E entrarem pelas valetas do universo. E eu nunca mais conseguir me juntar do jeito que sou agora. Eu tenho medo de você abrir o espartilho superficial que aperto todos os dias para me manter ereta, firme e irônica. Minha angústia particular que me faz parecer segura. Eu tenho medo de você melhorar minha vida de um jeito que eu nunca mais possa me ajeitar, confortável, em minhas reclamações. Eu tenho medo da minha cabeça rolar, dos meus braços se desprenderem, do meu estômago sair pelos olhos. Eu tenho medo de deixar de ser filha, de deixar de ser amiga, de deixar de ser menina, de deixar de ser estranha, de deixar de ser sozinha, de deixar de ser triste, de deixar de ser cínica. Eu tenho muito medo de deixar de ser. Agora é menos de uma hora. Você vai chegar e automaticamente minha agenda de milhares de regras e horários e controles vai desaparecer. E eu vou ficar apavorada porque só o que eu tenho é o contorno mentiroso que eu dou para os meus dias. E você, porque me abraça e me dá outro desenho, é o vilão da minha vida programada. Você é o tufão de oxigênio que invade meu nariz mas, porque estou com tanto medo, mais parece falta de ar. Agora é menos de menos de uma hora. Preciso terminar esse texto. Mas eu tenho medo, sobretudo, de terminar esse texto. Sobre o que eu vou escrever se você for melhor do que esperar por você?"

devolva me

procurei seu endereço por toda parte. eu me lembro, ou penso lembrar, de tê-lo anotado em uma folhinha e guardado no meio de um dos livros da estante. será que foi o livro que te emprestei antes de você viajar? na verdade, nem sei qual livro você acabou levando embora. pouco importava naquela hora. eu só queria te dar uma desculpa para voltar e quem sabe ficar, comigo.
deixei com você um livro, um shorts e um pedacinho de mim, que bate longe de peito. 
espero que, um dia, você volte e devolva o que levou. então, terei seu endereço novamente. prometo ler diversas vezes, até decorar, para nunca mais te perder ou, pelo menos, pensar que não irei te perder nunca mais. 



quarta-feira, 18 de abril de 2012

mais um oi entre tantos outros

oi, (nome da pessoa aqui)

esquisito te "chamar" assim. acho que desde que somos (?) mais próximos, nunca mais te chamei pelo nome. sempre de baby ou amorzinho. maneiras carinhosas de tratá-lo.
eu sei que esse monte de letrinhas juntas podem não significar muita coisa, ainda mais porque já faz um tempo que não estamos mais juntos e ainda falta outro tanto para ficarmos, nas minhas férias. mas senti vontade de te escrever. e quem "fala" aqui é aquela que só existe para você, e que ninguém conhece. aquela pessoa de coração aberto que você até estranhou ao conhecer...
tenho sentido muito sua falta, de uma maneira que eu jamais pensei sentir.

quando ficamos pela primeira vez eu já sabia que você iria embora. e na minha cabeça tudo era muito simples: você iria embora e tudo iria continuar como se nunca tivesse sido. você me surpreendeu mantendo contato e com o convite super inesperado de ir pra aí. eu sei que quanto a isso você não tem certeza, assim como eu também não. mas, enfim, o que importa é que estamos "aqui", mantendo contato, o que me deixa profundamente feliz. e essa palavrinha que é difícil de encontrar que é a felicidade, tem me acompanhado por muitos dias, desde que você começou, mesmo que sutilmente, a fazer parte da minha vida. e mesmo que estejamos distantes agora, acordar depois de ter sonhado contigo ou com situações que o envolve me faz sorrir e pensar que a vida pode ser boa.

apesar das aparências, e você agora já sabe que eu sou um pouquinho mais do que aquilo que os olhos podem ver, eu sou pessimista. eu sempre acho que tudo dará errado. quanto ao meu futuro, sou uma grandissíssima (como diria o chaves) pessimista. eu não sei o que será do meu futuro. mestrado? intercâmbio? ainda não sei. só sei que se nada der certo aqui, eu queria tentar aí, com você.
e estou cogitando outras possibilidades. eu não quero depositar sobre você o encargo de eu ir pra aí. eu sei, é um grande responsabilidade - dependo do olhar que é lançado. só que eu quero que você entenda uma coisa, eu não tenho nada a perder. e se, por ventura, eu for pra aí e não der certo, não vou querer que nada aconteça por obrigação, muito pelo contrário. eu não quero que você sinta a obrigação de ficar comigo. se nada der certo, eu tenho onde recomeçar. eu sei que não serei desamparada. por isso, não se preocupe.ok

o que virá é um mistério para nós dois, mas eu não quero que você tenha medo, assim como eu tenho me esforçado para também não tê-lo. eu estou feliz e quero que você fique feliz também.

hoje eu estou especialmente te gostando. talvez seja porque acabei de chegar do (o lugar de onde você acabou de chegar aqui), mas isso não fazem de minhas palavras palavras menores. eu gosto de você e gostaria que, assim como eu, você estivesse de coração aberto. vamos aproveitar o que a vida tem para nós.

com amor,
sua,
(seu nome aqui)