domingo, 26 de fevereiro de 2012

Férias

Mas é que eu tirei férias...
Eu sempre começo meus textos com “mas”. Eu vivo querendo me justificar. Eu vivo querendo te dar uma desculpa plausível para não me odiar. Mas é que eu sou assim, metade incerteza e a outra metade também. E vou seguindo... Sem pensar, nem planejar. Faço o que sinto que deve ser feito e depois... ah, como eu sinto a sua falta depois.
Por mais que eu minta a mim mesma, ainda no último instante do fechar os olhos e passar da realidade para os sonhos, eu ainda penso em você e nesse mesmo segundo ainda consigo desejar, mesmo depois de tudo, que possamos ficar juntos.
Eu tirei férias porque estava enjoada do que pensava ser mais do mesmo: sorriso, sorriso, sorriso, um mês de sorriso e, depois, lágrima, lágrima, lágrima, um rio de lágrima. E quando, nas férias, ninguém me fazia sorrir preparando meu toddy na madrugada ou me fazendo companhia para um jantar em horário inapropriado porque eu não conseguia dormir de fome, dava até vontade de chorar de novo, desde que você estivesse ali, comigo, conversando sobre bandas que eu não conheço e com a maior paciência do mundo me explicando o que eu não sei. Eu sinto falta das nossas conversas e dos risos frouxos, das gargalhadas e dos quadrinhos.
Nessas férias eu não li nenhum quadrinho. Todos me lembram você. E ninguém é nerd como nós, que preferimos ser ratos de sebo que passar o domingo passeando de mãos dadas no shopping, com exceção dos dias em que estão em cartaz filmes bons no Palladium.
Mas é que essas férias estão sendo longas. Talvez menos dolorida que a última que tiramos, mas, ainda sim, tem sido difícil. O tempo, esse danado que eu pensei que iria me ajudar, quanto mais passa, mais aumenta o que eu sinto e não quero, nem posso, dizer.
Quando nos vimos pela última vez você estava horrível, e essa a imagem que trago de você. E mesmo assim, mesmo você estando sujo, despenteado e com os dentes amarelados, ainda consigo admirá-lo e pensar que o futuro pode ser bom.
Eu já entendi, eu acho, que não posso fazer as coisas por você, nem te dar banho, nem pentear seu cabelo, muito menos escovar seus dentes, mas posso estar ao seu lado, apoiando-o para que os faça da melhor maneira possível.
E agora, depois de escrever a frase, já começo a me arrepender, por lembrar que eu já fiz tudo isso, com o melhor de mim e com uma força que eu já nem tinha. Mesmo assim, eu entreguei a minha mão, e o coração. Fiz figas, rezei e pedi a você para que pudéssemos ter a nossa vidinha de casal comum, daqueles que comem maionese aos domingos e na segunda-feira requentam o churrasco.
Pelo menos, uma coisa nessas férias eu aprendi: só quero ser dona de casa se tivermos máquina de lavar. É muito triste lavar roupas à mão!
E eu digo que já passou. Às vezes, eu até acredito que já passou. E passa. Passa sempre, mas volta. E parece bater mais forte a cada vez. Espero, sinceramente, que seja apenas saudade do amigo que eu também via em você ou orgulho ferido por você ter me deixado, quando mal tínhamos iniciado nossa vida à dois.
Isso tudo me fez chorar por muitos dias. A tua ausência me tirou o chão, que era de lama, mas que mesmo assim eu ainda conseguia controlar, de certa maneira. Você me fez mudar e depois mudou de mim. Você me fez ter planos românticos: casar de verdade, com festa e tudo, ter a nossa casinha e, num futuro um pouco distante, termos nossa criançada. Só que você se foi e o sonho ficou. E eu procuro por todos os lados um futuro marido que possa substituí-lo, mas ninguém leu tanto quanto você e dificilmente se encaixam nos critérios: bonito, inteligente, carteira assinada e que não use tênis de mola, nem drogas!
Olha, viu só! Nem você se encaixa mais nos meus requisitos.

Texto escrito em 14/02/2012.