sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Feliz ano bom

- Vamos logo, a gente tá atrasado! Pegou as bebidas?
Imóvel, olhando pra mim, toda ansiosa, ele me observava. Eu vestia branco. Não sei direito o porquê. Era a primeira vez que eu ia passar o ano novo na praia, não sabia direito como agir, então, decidi estar vestida como imaginei que todo o mundo estivesse. Eu tinha uma flor igualmente branca no cabelo, a mesma que depois joguei ao mar, homenageando Iemanjá. A flor foi ele quem havia me dado. Acho que roubou do jardim do vizinho. Eu sempre odiei cheiro de flor, que me dá dor de cabeça, mas aquela era especial, já que tinha sido roubada com exclusividade para mim. Quando ele chegou com ela e estendeu as mãos em minha direção, eu decidi o que iria pedir ao pular as sete ondas: era ele. Quando ele a colocou, delicadamente, nos meus cabelos, eu já sabia o que queria para o ano que estava por vir: era ele. 
- Você está linda! - disse ele, depois de ficarmos parados por alguns momentos, nos admirando.
E como eu o admirava. Sempre acreditei que a admiração é essencial para qualquer relacionamento. E não faço da questão estética, até porque ele tinha vários atributos físicos que me agradavam. Falo de caráter, integridade, inteligência... Características que me arrancavam muito mais vezes o fôlego e suspiros. Eu queria falar sobre isso, mas retribuir o elogio soaria falso naquele momento, como se eu apenas estivesse o fazendo porque ele havia dito algo anteriormente. Então, eu apenas o abracei demoradamente e ele entendeu o que eu queria dizer mesmo sem ter aberto a boca: eu amo você. Aliás, eu abri. Quando dei por mim estava pronunciando letra por letra a declaração de amor. Eu nunca tinha dito isso antes e comecei a rir. A sensação de falar sobre o que o coração está cheio é indescritível. É como se o peito ficasse leve e  gente tirasse os pés do chão. É como se o mundo passasse a fazer sentido. É como se aquele sentimento fosse o que há de mais belo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. E eu repeti milhares de vezes entre expressões de estranhamento e felicidade. Ele sem muito entender, sorriu. E me beijava a cada vez que eu proferia a frase. E de repente eu ouço as pessoas em frente à casa de praia gritar: 5, 4, 3, 2, 1! 
Saímos correndo para ver os fogos. Os fogos mais lindos que eu já vi. Talvez não fossem tão lindos assim, mas eu estava feliz. 
Cheguei à beira do mar para pular as famosas 07 ondas, mas não o fiz. Eu estava plena, não precisava de superstição alguma para que o ano que estava começando fosse um ano bom. Apenas tirei a flor do cabelo e a lancei ao mar, agradecendo pelo meu pedido ter sido realizado: era ele. 



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para 2013: novas perspectivas

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Vermelho

e aqui, deitada no meu quarto, de janelas e cortinas fechadas, no escuro, distante do mundo lá fora, procuro esquecer da imagem que não vejo no espelho. e quando saio e vejo sozinha o pôr do sol, rio, porque já acostumei a olhá-lo somente pelas minhas vistas, de mãos livres e coração vazio. mas aí você aparece, pega a minha mão e me tira do quarto escuro onde estou. e tudo desmorona. e eu nada sei. porque agora, quando você não vem pra me levar ver o sol, eu saio pra te procurar. e é por isso, por presumir onde isso vai parar, que eu não deveria ter medo do mundo. deveria me jogar. mas não, eu corro. fujo. e ao mesmo tempo, te vejo e você sorri, e é aí que eu me perco entre ideias e sentimentos... 


Fica um pouco mais. Tá cedo ainda! Não precisa ir embora agora, não. Tem aquele bolo que você gosta e eu deixo você comer na cama. Não tem problema os farelos! Só diga que vai ficar. Quer café? Você me diz como faz, que eu preparo um pra você. E eu posso fazer um almoço gostoso. Macarrão, pode ser? Ou te levo pra almoçar. Serve comida japonesa? É minha favorita, lembra? Hum... Aquele sushi de cream cheese e salmão. Delicioso! Ah, olha essa foto: sou eu quando criança. Olha como meu pai ficou melhor, depois que tirou o bigode. Deixa eu te contar: sou aspirante a mestre agora. É, passei no mestrado. Tomara que eu consiga bolsa! Você sabe a diferença entre morsa, leão-marinho e foca? Eu li num site na internet. Até então confundia e é bom saber, nunca se sabe quando irá encontrar com uma delas! Viu, não fume aí atrás, a vizinha é uma bruxa. Senta aí, vou pegar o cinzeiro. Quer ver televisão ou quer que eu ligue uma música? Ah, sempre eu que ouço essa música lembro de você! Só acho péssima a parte em que eles riem cantando. Falta de profissionalismo deixar o celular ligado durante a gravação do álbum. (...)

Amor, fique! Perdure. Encha minha cama de farelos e sorrisos. 
Você sempre chega assim, quietinho, me arromba a porta, me assusta e sai de mansinho. Amor, fique!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

pra sempre hoje, pra sempre amanhã, pra sempre depois de amanhã

eu sempre tive medo desse "pra sempre", que pra mim nunca chegou. tudo bem, eu confesso. ele chegou várias vezes, mas me tomaram sem se quer perguntar minha opinião. e eu chorei. e acostumei. e sem esse pra sempre tudo o que eu tenho é hoje, tudo agora. e se é só agora, eu me jogo. simplesmente me jogo, sem entender direito o que está acontecendo, só para não perder a mínima possibilidade de um pra sempre durar para mim. só que aí veio você, que me fez sair do fundo de onde um estou, bagunçou todas as minhas certezas (?). e eu quero correr. não por não gostar, não por não querer ficar junto, é por não saber como lidar  com a situação. é que já faz tanto tempo que meu coração peludo não batia... eu estou assustada! tenho medo do futuro, medo de apostar minhas fichas e perder porque quem sabe jogar é você. eu tenho medo de me apaixonar de verdade, porque do que eu me lembro isso dói. eu tenho medo de colocá-lo em primeiro plano, como usualmente fazia, e esquecer de mim, e dos meus sonhos, e da minha vidinha medíocre que sempre desejei. eu estou perdida em ideias desconexas e nessa bagunça que é o coração. eu quero, depois não quero, mas em seguida quero de novo. eu gosto, depois desgosto e quero outra vez. e você não tem que aceitar isso, não tem que se arriscar nisso. você não precisa fazer nada por mim. talvez, tentar entender meus pontos e objeções. talvez tentar entender que eu chorei e que eu não quero que isso aconteça outra vez. talvez... 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

for no one

é que já faz um tempão. e já deu pra curar e abrir a ferida diversas vezes. aprender uma porção coisas e errar em tantas outras. e nesse meio tempo, viver pulando de ponta, querendo tudo de novo, só pra sentir o frio na barriga e as pernas tremendo. arriscando o tempo todo para lembrar, minimamente, aquele amorzinho puro da adolescência. e mesmo ainda estando no início da vida, acho que a velhice se aproxima: não sei mais escrever cartas de amor, nem músicas de presente em aniversários de namoro. nem levar pra passear e chamar com apelidos idiotas que só os mais apaixonados conseguem inventar. é que já faz um tempão e eu sofro por antecipação. quero pegar na mão, chamar de meu sem conotação possessiva e mostrar o mundo. eu, que já vivo às gargalhadas, quero rir até doer a barriga, por uma bobeira qualquer, só pelo prazer de estar junto. eu quero o amor puro, daqueles de filme da sessão da tarde, daqueles que falam do primeiro beijo ou de casinhas na árvore...

terça-feira, 16 de outubro de 2012

você não estava...

na tua vez eu tava lá. talvez tão ansiosa quanto você. talvez até mais. era o teu futuro, que era o meu. e eu peguei na tua mão, te ensinei algumas regras de português e fiz figas com todos os dedos para que seus sonhos virassem pontinha de realidade. e viraram. e eu vibrei. e te abracei. e fiquei feliz por você. feliz por ver você sorrir um sorriso contente, de realização.
e hoje foi a minha vez. e não tinha você ali para estar ansioso comigo, segurando minha mão, que suava. você não estava ali pra dizer que dará tudo certo e que eu não preciso me preocupar. você não estava ali pra fazer parte do meu futuro, que um dia já foi teu.

e tudo é mais difícil quando você não está perto.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

e já faz tempo que eu venho pensando escrever. devo ter uns sete projetos de texto que eu queria colocar no "papel". queria escrever pra falar dessa ambiguidade que me toma o peito e me faz sair de madrugada correndo, do que eu quero e não posso, do que eu posso e não quero. e eu cogito te ligar pra saber como foi o dia e se, mesmo no finzinho da noite, após o trabalho, ainda existe a possibilidade de nos vermos. e eu quero te convidar pra sair, te chamar pra gostar das coisas que eu gosto e de mim. te levar pela mão pra mostrar as cores pelas minhas lentes. e ao mesmo tempo, te quero longe. é mais que não haver tempo. é medo de voltar a amar. 

e se eu paro,
penso,
é só confusão.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

é que o final do ano tá chegando e, com ele, todas aquelas milhares de coisas para fazer e contas para pagar. e eu, que sempre odiei essa história de espírito de fim de ano, não tenho em que me desculpar pelas grosserias que venho cometendo. e talvez nem deva. porque é sempre assim: tomo a culpa para mim como se ela nunca tivesse sido tua. e você sorri, enquanto eu sofro.

sábado, 15 de setembro de 2012

nós dois éramos três e/ou agora dois e eu sozinha

[esse texto pode soar desconexo pra você, que não sente como eu]


Você acha que é fácil assim, contar dos sonhos mais banais e de um plano pro futuro? Você acha que é fácil assim, dizer que gosto de você, mesmo quando luto pra tentar sentir o contrário? Você acha que é fácil assim, abrir o coração e ler meus escritos mais particulares para você? Você acha que é fácil assim, viver por um amanhã pelo que se sente hoje? Você até pode achar fácil essas e tantas outras coisas, mas para mim não o é. E quando eu te olhava no olho, sendo sincera de sentimentos e tentava fazer com que você igualmente baixasse a guarda e reaprendesse a amar, era por um motivo nobre: bem-querer. E eu quis. Quis por muitos dias que pudesse dar certo. Quis por muitos dias te chamar de meu e dormir contigo, ouvindo o canal de músicas da tevê à cabo. Eu quis cuidar de ti, que já foi tão ferido como eu. Quis cuidar de você, para que juntos pudéssemos fazer coisas boas e, quem sabe, voltássemos a sorrir. E quando eu me coloquei em segundo plano, deixei meus sentimentos, desejos e vontades de lado foi por gostar de ti e respeitá-lo. E quando eu ouvia suas palavras que não faziam sentido algum pra mim, só pra você, eu tentava entender e esperar. E te curar. E te fazer sentir-se bem. Eu queria vê-lo gargalhando por bobeira, só por ver quando a vida é boa. Eu tentei por muito tempo entender quando você dizia que precisa tratar-se sozinho, para, então, poder andar de mãos dadas e assistir a um filme cult juntos. Por falta de esforço não foi. Mas é que eu quero tudo pra ontem e o quis assim também. Queria você aqui já faz um tempo. Talvez desde uma infância já remota, quando a gente cria uns amores platônicos. Você sabe, você sempre foi um deles. E agora, que eu poderia, quem sabe, ter você, o tempo passou. Um breve tempo passou. Uma? Duas semanas? Não sei. Eu só sei que a gente sempre tem um segundo plano. Lamento ter sido o seu. Lamento ter sido usada para que você se estabilizasse emocionalmente, para seguir sua vida longe de mim. E por mais que eu diga pra mim mesma que eu não queria estar contigo, penso ser mentira quando sinto raiva. Pior, inveja. Eu queria estar no lugar dela. Eu fiz todo o trabalho sujo para ela chegar e pegar a sala de estar limpa. Coração limpo. E agora, outra vez eu finjo que está tudo bem. Pulo na cama elástica como criança, para tentar dar risada da vida, que vive me colocando de ponta cabeça em cambalhotas. Mas agora, em casa, talvez eu devesse chorar. Seria bom. Eu me sentiria bem. Eu não choro desde aquele dia, em que você enxugou minhas lágrimas e pediu para eu parar, para você não quedar-se em lágrimas junto à mim. Eu queria chorar por você, chorar por amor. Chorar por aquele futuro que não foi, pelas viagens que me prometeste ao Leste Europeu... Chorar pelo que havia de ser e não foi. Mas o máximo que eu conseguiria é de raiva. E é uma raiva diferente: é uma vontade de acabar com a sua felicidade, só para que você voltasse pra onde estava e de onde te tirei. É vontade de gritar pelo mundo as coisas ruins que fazes só para eu ter o prazer de fazê-lo chorar. É vontade de te fazer novamente vazio, como me sinto agora. E o pior é que é uma raiva não pelo que já foi, não pelo que não foi, mas por eu ter sido seu segundo plano sem ser comunicada. Eu sei, eu sei, todo o mundo tem seu segundo plano. Eu sei, eu sei, todo mundo é um segundo plano de alguém. É normal. São mecanismos de defesa que criamos. É melhor ter duas pessoas para não ter verdadeiramente uma só. Talvez seja menos dolorido caso se distribua o amor. Aí, a dor vem em doses homeopáticas. Eu só lamento que nós dois éramos três e agora dois e eu sozinha. E pode ser despeito, por me achar mil vezes mais inteligente. Mais bonita talvez não. Mas eu sei falar sobre coisas do universo, das sociedades e arrisco até umas datas históricas. E eu sei ser amor. Você, diferente de muitos, teve a oportunidade de conhecer um pouco de quem verdadeiramente sou. Queria que isso fosse entre nós um segredo eterno e que eu pudesse dia-a-dia te mostrando coisas novas. Queria ter uma rotina pra quebra-la. Queria fazer o teu mundo girar, na minha órbita. Queria tirar teus pés do chão. Na verdade, eu só queria fazer você sentir o que sinto quando estou próxima à você: vontade de te bater, te tanto gostar de você. Porque seria mais fácil se o errado fosse verdadeiramente você, que vê a saída e agora tem alguém. E deixou de estar livre sem direção.

E só de raiva eu vou parar de ouvir Sondre Lerche. 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

pra quem olha assim, como eu, de longe, pode achar fácil separar todas as coisas, todas as cartas e poemas, juntá-las todas e uma sacola e mandar pra reciclagem. pra quem olha assim, como eu, de longe, pode parecer fácil dizer um adeus da boca pra fora e fazer valer a palavra. pra quem olha assim, como eu, de longe, pode parecer fácil, mas só parece!

é tão difícil guardar no peito o que se quer gritar.
e quando você me olha, querendo entender, e nada se explica, deve ser porque eu nunca fiz muito sentido mesmo.

o amor vai chegar

e o amor vai chegar. em uma hora ou duas. em três ou quatro. daqui um mês. talvez menos. vai chegar e virá sem avisar. o amor gosta de fazer surpresas. gosta de chegar e arrombar minha porta. gosta de chegar e interfonar, fazendo uma brincadeirinha boba. e mesmo assim, assim mesmo, sem avisar, destruindo tudo que tenho tentando construir, eu vou amar. o amor chega em alguns dias e vai me escancarar o peito, como se fosse meu dono. vai entrar na minha casa, deitar na minha cama e, sem dizer nada, reocupar meu coração.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

bon voyage

parte 01:
dizem que se a gente fizer rolinhos com a roupa sobra mais espaço na mala. não acredito nisso. to dobrando normal, do jeito que faço para guardá-las no guarda-roupas mesmo. bem na verdade, to fazendo como eu imagino que economiza mais espaço. eu tinha pensado em emprestar uma mala maior, por causa do meu excesso de bagagem. deixei pra lá. vou me obrigar a carregar menos daquele peso das costas e daquela angústia do peito.



parte 02:
e agora, depois de enchê-la de tralhas, tenho a sensação de que estou esquecendo de alguma coisa! e se eu estiver? assim, faltando algo não posso, nem devo, fechar essa mala e sair em viagem. espero que seja só a escova de dentes ou aquele brinco que combina com a blusa marrom. espero, sinceramente, que sejam somente essas coisinhas banais que não me deixam fechá-la. espero que não seja pelo meu pé pregado no chão, de raízes profundas de um passado próximo que não me deixam sair do lugar. e viajar. e conhecer o novo. e olhar pra frente. e seguir. 

terça-feira, 11 de setembro de 2012

talvez, mas só talvez

talvez eu devesse ler algumas páginas de freud pra tentar entender o que sonho, além dos devaneios em acordado.  talvez eu devesse estudar um pouco mais sobre aquelas coisas de física, sobre massa, gravidade e como que um corpo se mantém preso ao solo. talvez eu devesse relembrar do dia em que o professor disse que dois corpos não ocupam o mesmo espaço. talvez eu devesse acreditar só nessas coisas e abstrair você de mim, que vive aqui, pregado, ocupando um vasto espaço e participando dos sonhos mais secretos. talvez, mas só talvez.

domingo, 9 de setembro de 2012

você não podia surgir agora

eu só estava tomando um café, na hora do tédio do trabalho, quando você apareceu. e eu tomei um susto. você estava de branco. era como um fantasma dos meus pesadelos e devaneios mais terríveis. e pior, todos esses fantasmas sempre atenderam por um único nome: o seu. e eu que há muito tempo estava sozinha, fazendo aniversário de solidão, escolhi continuar assim. por mais que você traga novas palavras, citações de livros que eu ainda não li, e que estas palavras possam soar como verdadeiras, aquele tempo de super-heróis já passou. e é porque eu to crescendo. e quando eu paro e sinto medo, sei que é só para me proteger do que há de ser, porque eu não quero (queria) nem de longe conhecer alguém novo pro meu coração. seria melhor se você não tivesse voltado agora, para que eu não abrisse meus olhos e continuasse vivendo a ilusão do nosso amor. só que aqui, agora, eu te vejo fumando esse marlboro de filtro vermelho no lugar de classic, e percebo apenas o que mudou. não existe um será, poque eu, que estava aqui, até então pensando somente em você, olhei para o lado e percebi onde está o amor: em quem se distrai me dando atenção.

texto parcialmente inspirado em: http://letras.mus.br/roberta-sa/voce-nao-podia-surgir-agora/

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

1901

é que eu acabei de dar play naquela música, aquela que dá vontade de viver... eu nem sei o que a letra diz, , mas a sonoridade dela me dá vontade de sair do lugar, acordar pra vida que está à frente e vivê-la realmente, plenamente. vontade de mudar, vontade de conhecer o que está do lado de lá. e eu vou correndo, pra me jogar!




segunda-feira, 3 de setembro de 2012

eu te amo


meu celular tava tocando, insistentemente, até que finalmente decidi sair debaixo das cobertas para atendê-lo. básica olhada antes de apertar o botão verde: era ele, de novo. cogitei a possibilidade de não atender, mas tinha certeza de que ele iria insistir na ligação até eu ceder, como já ocorreram outra vezes. era um pouco depois das dez da manhã, eu ainda dormia porque tinha ficado até tarde escrevendo pro blog sobre ladainhas de amor e dos meus romances. enfim, atendi.
- alô?
- oi, ana.
- oi. (tentei a fazer a voz de maior insatisfação da vida, para que assim, quem sabe, ele entendesse de vez que havia acabado. e já fazia tempo)
- como você tá? faz tanto tempo que a gente não se fala...
eu demorei um pouco pra responder. pensei em contar sobre as provas de mestrado que estou fazendo, dos caras que estou saindo, dos empregos que estou procurando e dos livros que tenho lido. mas fiquei com preguiça. preguiça de dar satisfação da minha vida para alguém que não quero satisfazer.
- ah, tudo como sempre, você sabe. só estudando!
- sei como é, aliás, imagino como deve ser foda o quarto ano da universidade: milhões de trabalhos, provas e o tcc.
- é, tá puxado!
fez um silêncio ao telefone. acho que aquela era a hora que eu tinha que perguntar "e você?", mas eu não queria saber. só quero saber de quem não quer saber. sempre assim... 
ele retomou a conversa:
- eu to bem. to trabalhando agora. to ganhando bem e dei entrada num carro.
acho engraçado como as pessoas gostam de falar do dinheiro delas, como se isso fosse a coisa mais importante do mundo... números, números, números... eu quero saber da cor dos dias, das sensações e dos sentimentos, não das coisas quantificáveis, que são, na maioria, chatas. 
- hum...
eu não sabia o que dizer. na verdade, eu sabia. queria dizer que não tava interessada, que tava com sono, queria dormir e sonhar com o que há de ser. eu tenho muitos sonhos... mas não queria ser tão grossa assim, afinal, tivemos um, dois ou três bons momentos. para não ser tão agressiva, apenas disse:
- eu tenho que desligar.
- o que você tá fazendo?
- dormindo.
- orra! obrigado pela parte que me toca. tudo bem se dormir é mais interessante que falar comigo!
(algo sobre mim: ai, como eu odeio esses draminhas!!!)
- fiquei até tarde na internet, trabalhando. (mentira, mas ninguém precisa saber como perco meu tempo na net: fofocas, famosos, blogs...)
- ah!
- viu, me diga uma coisa?!
o "o quê?" da resposta dele soou animado. 
- você tem alguma coisa importante pra dizer, diferente do que você já me disse?
- eu liguei pra conversar, falar besteiras, te ouvir...
- eu to com sono. vou desligar!
- espera!
- o que foi?! 
minha voz já estava bem mais entediada do que no começo do telefonema. aquilo estava realmente me chateando.
- eu te amo.
-ah, tá. valeu. tenho que ir.

tu - tu - tu

acontece

e eu que já chorei, não tive a intenção de fazer chorar. acontece. e soa egoísta, talvez, eu gostar que chore por mim, assim como eu chorei por alguém, mesmo esse alguém não tendo sido você, nem você tendo culpa alguma disso. na verdade, você tem: você gosta de mim. então, se choras, a culpa é tua. porque eu falei que não valia a pena e que não queria você. mentira, queria sim! até quis, mas só pra me divertir. ter companhia num dia em que os amigos não podiam sair pra beber e jogar conversa fora. eu queria só um beijo, sexo e, talvez, uma conversa de travesseiro, ouvindo Belle&Sebastian ou Wilco. mas era só naquele dia. e não depois, e não agora. e eu não quero que você me procure mais. porque eu já pedi pra você não me ligar, e pensar em mim e me gostar. porque você vai chorar, de novo. e vai doer, de novo. e pior. eu vou rir. vou dar risada se você voltar a interfonar de madrugada pedindo pra subir, vou dar risada da sua voz de choro ao telefone, e vou dar risada do seu sofrimento por meu desdém. mas só vou rir porque eu avisei que eu não sou daquelas que fico com o celular na mão esperando ligação do dia seguinte ou as flores no portão. vou rir porque eu avisei que eu não queria almoço de domingo, nem conhecer seus amigos. e eu avisei que a porta não seria aberta, como não foi. e, dificilmente, será.

domingo, 2 de setembro de 2012

das coisas que eu gosto

é que eu gosto de conhecer coisas novas. é que eu gosto de pular de ponta, de fazer com paixão e de amar as coisas, e as pessoas. é que eu gosto de mergulhar fundo, me perder, te encontrar. é que eu gosto de deixar tudo pra última hora, só pra ter aquela sensação de que não vai dar tempo e de que tudo estará perdido. mas é que eu gosto do que é diferente, do que é ruim e do podre, só para ter a vã sensação de que eu posso fazer alguma diferença. é que eu gosto de fazer o que eu não quero, nem posso fazer. na verdade, eu acho que gosto é de gostar de você.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

desejo de você

essa história de eu olhar e você virar o rosto
o seu jeito de fingir que não me enxerga
todas as desculpas pra não me gostar
não convencem meu desejo de você

se meus três acordes não são audíveis
e os meus bilhetes deixados na caixa de correio não te fazem olhar
todo seu desdém ao ouvir meus passos
não convencem meu desejo de você

só que ao acordar amanhã, de manhã
a decisão de não te querer será tomada
amor até certo ponto pode-se escolher:
escolho a mim, não quero mais desejar você.

sábado, 4 de agosto de 2012

mudanças

e eu poderia mudar, ser menos quem eu finjo pra ser mais quem sou. eu poderia deixar o bemol de lado e compor músicas para você em sustenido. e eu poderia mudar, sorrir pra mostrar os molares, girar até ficar tonta e cair de bunda no chão. eu poderia uma porção de coisas. poderia te ensinar coisas sobre a independência do brasil, sobre passado e esquecimento - algo que teoricamente eu sei bem por causa do meu TCC - , e poderia te levar pra ver o mar, caso você ainda não o conhecesse. poderia te carregar no colo ou no cangote, te ensinar a comer butiá com sal e assistir série de seriais killers. poderia gravar um filme de longa metragem dizendo coisas bonitas sobre o que sinto e sobre quem eu sou. porque eu gosto do cheiro de chuva, quando cai no pó, porque eu gosto de chupar picolé de fruta daqueles bem baratinhos, porque eu gosto de andar de mão dada pulando no parque, porque eu gosto de amarelinha e gosto de amar. eu poderia escrever uma carta dizendo sobre quantas cartas de amor eu já escrevi e não mandei, sobre quantas palavras doces desejei dizer e não disse, sobre os meus planos que ainda não foram realizados. eu tenho vontade de beijar na chuva e sentir as gotinhas caindo entre nosso beijo. eu tenho vontade de ir na praia no inverno, porque eu só fui no verão. eu tenho vontade de conhecer o mundo com alguém, porque sozinha eu tenho medo. e eu poderia tirar uma foto da gente todo o dia, porque todo o dia eu teria algo novo pra contar e lembrar. mas quando eu faço assim, escancaro o peito, mostro quem eu sou, além da gostosa engraçada, eu fico sozinha. e aí, aí, eu não quero mais mudar.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

hoje eu acordei pensando nele. e eu já estava quase feliz porque já fazia uma semana que eu estava aprendendo a viver à ausência dele. só que hoje, especialmente hoje, eu acordei pensando nele. então, percebi que não adianta eu trocar a cor do cabelo e usar esmalte de cor clara, deixando os tons de vermelho de lado, nada vai mudar. e na minha cabeça tudo foi, e continuará sendo, encargo dele [será mesmo?] por que me abraçou tão forte? [será que fui só eu que o abracei e toda aquela força era minha?] por que me chamou de "amor"? [será que só respondeu à altura de algo que o chamei?] e por mais que eu tente culpá-lo por estar numa festa enquanto eu planejo, em casa, como mudar de vida, eu sempre tomo a responsabilidade pra mim, poque fui eu que me apaixonei, fui eu que pressionei, fui eu... e, assim, quando toda a culpa, que na verdade não existe, sai dele e recai sobre mim, abro novamente margem para gostar dele, acordar pensando nele e reiniciar a contagem.

terça-feira, 31 de julho de 2012

cópia de chave

A chave está no lugar de sempre, embaixo da caneca em que você costuma tomar café da manhã, fumando seu cigarro mentolado. Não se assuste! Mas essa cópia é sua. E, também, não se sinta pressionado. Eu estou apenas te dando a oportunidade de abrir a porta. A chave agora é tua. Como há muito já era, em sentido metafórico.

domingo, 8 de julho de 2012

hoje não é dia de sol e o piquenique não pode ser na garagem, john!

hoje eu passei no mercado pra comprar comidinhas boas pra te agradar.
um vinho caro, outro mais ainda, só pra você achar que eu entendo de coisas boas e sofisticadas.
googuei queijos e petiscos que combinavam com carmenérè e cabernet sauvignon
e eu passei na loja de macumbas da esquina, onde vendem velas de amor e bons fluídos
mas do que adianta tudo isso mais jazz se choveu e o piquenique não será é nunca mais.

eu pensei na garagem da sua casa, mas você disse: "é melhor num dia de sol"
na minha teimosia, acabei indo até lá e sua mãe me disse: "ai, ele foi viajar!"
ainda bem que eu não tinha certeza absoluta se estava apaixonada por você,
porque agora eu decidi que vou casar com um beatle, de preferência o john.
mas do que adianta tudo isso mais jazz se choveu e o piquenique não será é nunca mais.


e foi assim que você me estendeu a mão, me oferecendo o que tinha de melhor e mais pulsante. e foi assim que eu também estendi minha mão em sua direção e começamos a rodar. e foi assim, depois de tanto rodar, que eu enjoei do seu melhor pulsante. e foi assim que eu peguei seu coração, delicadamente coloquei no chão e pisoteei, pra você nunca mais esquecer que atrás das palavras doces, meticulosamente ditas pra você se apaixonar, existe um monstro esmagador de corações. e toda vez que você chorar, eu vou rir. e toda vez que você rir eu vou chorar. porque esse monstro esmagador de corações, um dia, também teve um, que foi igualmente, e brutalmente, pisoteado. e não trata-se de revanche, não trata-se de querer por ou tirar a culpa de alguém - se é que ela existe. trata-se de agir sem pensar, só agir. encontrar e desencontrar pessoas. pensar em amar e desamar pessoas. chorar e fingir sorrisos. a dor não é mais pelo que já foi, não é mais pelo meu coração esmagado ou pelos que esmaguei. é por não ter. é por querer pensar e sentir outra vez.

[chega desse texto chato. beijos!]

segunda-feira, 2 de julho de 2012

não precisa me amar, mas não me odeie. eu sei que várias, se não todas as minhas decisões são tomadas de maneira arbitrária e sem pensar, sempre agindo impulsivamente, mas é que o amor poderia chegar em alguns dias, e só faltavam doze. e num piscar de olhos estava decidido: deixei o medo do futuro e do amor me abraçar, bem apertado, pra nunca mais soltar. e eu fiquei e vou sempre ficar aqui, com o pé pregado no chão porque eu não posso, nem quero, voar. eu tenho medo do que o que pode ser fuja ao meu controle, eu tenho medo que os teus sonhos sejam além dos meus, eu tenho medo de me colocar em segundo plano e viver sob uma sombra que não é minha, mas tua. suas coisas, você, seus sonhos, sua vida, e eu. pra mim isso jamais serviria. eu tenho alguns sonhos também. não ache que eu parei de sonhar. meus sonhos, por mais difíceis que eu pense que seja de alcançar, estão bem perto e só dependem de mim, de eu olhar pra mim mesma, pras minhas coisas, eu, meus sonhos, minha vida, e, então, você. 
essas minhas decisões, que eu tento racionalizar ao máximo, para não me fazer arrepender, fazem, em contrapartida, doer aquilo que gosto, e talvez amei, não sei. isso me fere. me preservar também fere.
e talvez eu não saiba realmente o que estou fazendo, porque tudo não passa de uma suposição. e eu que sempre condenei quem vive de "se", mergulhei nessa imensidão que é a dúvida, então, vou tentar fazer algo para que valha a pena eu ter desistido de você e pensar, realmente, em mim. 

sábado, 2 de junho de 2012

hello, goodbye


To ouvindo You and I. Wilco. Era essa a música, era essa a nossa música. Pelo menos na minha cabeça era. E eu dei o play pela primeira vez agora, depois de muito tempo. Espera um pouquinho. Eu vou ali apagar a luz. Não quero que ninguém me veja chorando, nem eu mesma, agora que eu pranto não é mais público. Pronto. Agora eu já posso dizer, escondida do mundo e de mim mesma, que tudo era como se fosse só eu e você. O mais surpreendente de tudo é que apenas isso, apenas você, era o suficiente para mim. Você era tudo que eu sempre quis e que jamais encontrei. E mesmo entre tantos altos e baixos eu pensei que poderia dar certo. Eu respirava fundo, e acreditava em nosso amor. Eu cheguei a pensar, que juntos poderíamos fazer coisas que ninguém nunca tinha feito e sermos felizes, demais. E eu queria seguir com você. Eu e você. Você e eu. E agora já faz tanto tempo que todos esses desejos foram colocados de lado, num segundo plano tão escondido, que custo a acreditar que ainda estou te ligando. É que hoje eu dei um suspiro profundo e dolorido...  Foi somente hoje eu me dei conta da data que está à caminho, me senti como quando tinha 15 anos e chorava por passá-la sozinha. E a culpa é sua! Ano passado estávamos juntos e fazíamos planos de um futuro bom, que acabou como o que há de mais efêmero e vazio. Eu lamento. Passado muito tempo, passado pouco tempo. Já não importa. Passado! Ui, soou esquisito isso, como se eu fizesse questão de ter deixado tudo para trás. Não é bem assim. Aliás, não foi bem assim. De qualquer maneira, eu to bem. Acho que só te liguei por causa do maldito dia dos namorados, que está chegando.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

talvez você não esteja entendo o que tudo isso significa. é, acho que você não está entendo mesmo. ou, então, eu é que não estou entendo o que isso significa para você.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

e o amanhã, cadê?

hoje foi um daqueles dias que a gente acorda com uma pontinha de mau-humor. talvez dizer que tenha sido apenas uma pontinha seja apenas um eufemismo para tal mau-humor. de qualquer maneira, eu acordei fazendo beicinho e não tinha ninguém aqui para me fazer rir quando eu queria mesmo era chorar. era assim que ele fazia, toda vez. e se eu nunca mais o tiver aqui? e se...? e se...? e a partir daí foi uma sucessão de pensamentos ruins e uma onda de insegurança, pensando que o futuro pode não ser bom e que tudo pode ser muito diferente daquilo que, talvez, um dia imaginamos. e hoje, pela primeira vez, eu tive medo de que tudo possa ser em vão. e, ao mesmo tempo, me senti surpreendentemente tranquila. se nada for como esperávamos ou planejávamos, terá sido e, tenho certeza, da melhor forma possível. e o mau-humor, que é apenas um ponto de vista da vida, passou!

terça-feira, 24 de abril de 2012

o telefone tocou

minha cabeça dói, mas ele acabou de me ligar. minha cabeça continua doendo, mas o que importa é que ele acabou de me ligar. e me roubou uma ponta de sorriso. 
já fazia um tempo que o meu telefone não tocava, com o nome dele no visor. e hoje, durante a aula, durante a dor de cabeça e eu usando a internet tudo que não fosse o tema da aula, ele me ligou e eu sorri.

domingo, 22 de abril de 2012

pedindo, perdão

eu fiz o que eu tinha que fazer. eu fiz o que me pediram para fazer. e por mais errado que aos seus olhos isso tenha sido, foi o melhor que eu pude, era o que eu conseguia naquele momento. eu só não agi melhor porque...  porque  não sabia como fazê-lo.

pensando em você, no hospital

acabei de chegar do hospital. é, a gente pensou que fosse um novo derrame. felizmente, era só a pressão, que subiu demais. depois de umas injeções e remédios, meia hora de observação, ele já pode voltar pra casa. mas já deu pra assustar bastante! e fez doer. e fez chorar. a possível ausência dele roubou de mim lágrimas. eu me senti culpada, por vários instantes... até saber que estava tudo, ou quase tudo, bem. e a culpa é minha quando ele quer mostrar para mim que está tudo bem e que eu posso ficar feliz. a culpa é minha quando eu forço demais a memória dele e o obrigo a pensar que jacaré não é com G. a culpa é minha pela moda de viola desnecessária, pelo esforço absurdo para cantar afinado e pelos risos fora de hora. e no meio dessa culpa toda que eu sei que não é verdadeiramente minha, mas é uma maneira de chamar a responsabilidade para mim e cuidar de quem amo, pensei em você. e no meio de tudo isso, eu pensei em você! e quando sou redundante ao escrever tal frase é para dar ênfase nas milhares de vezes que te quis por perto, segurando minha mão, ou, pelo menos, com sua voz que me acalma, dizendo que tudo ficaria bem. como, de fato, ficou. e como você já fez.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

hoje não é dia de sol ou o céu está desabando ou o raio cai duas vezes no mesmo lugar?

espera aí! isso já passou. e passou faz tempo. tanto tempo que eu quase nem lembrava mais.
me responde uma coisa: o que passa não fica só no passado? 
e por que é que eu estou sentindo como se tudo estivesse acontecendo agora? 
para mim, que o processo natural das coisas e das dores fosse o acontecimento, uma tristezinha posterior e, depois, sem nem mesmo a gente perceber, aquilo tudo passa. 
é que eu já me perdi nessa matemática de raios. já foram tantos... que, enfim, eu só sei de uma coisa: já está relampiando. e a chuva que faz o céu da minha vida cinza está para desabar.

o amor chega em uma hora

"Daqui a uma hora ele chega. Não deu tempo de consertar o esfolado da minha unha e de esfoliar decentemente os pêlos encravados. Esfolado, esfoliado. Tudo parece música e rima mas é só porque você chega em uma hora. Tem um carro que passa lá longe, enquanto eu tento abrir os olhos e encarar esse dia em que você chega. Esse carro não sabe, mas foram mil anos abrindo os olhos e ouvindo carros e ouvindo ruas e não ouvindo a sua voz. E agora a sua voz existe e você chega em uma hora. Não estou pronta. Minha barriga dói. Eu tenho vontade de vomitar. Eu não consigo comer de tanto medo que eu estou sentindo. Eu quase desmaiei agora de manhã, porque pra piorar está calor. Não lido bem com calor. Não lido bem com nada que não seja eu em minha bolha arejada de imaginações. Mentira, não lido bem com minha bolha arejada de imaginações também. Não lido bem com nada. Não deu tempo de virar mulher. A hora que ele aparecer no desembarque do aeroporto, com sua cara de homem, com sua voz de homem, eu vou ter vontade de pedir que ele volte de onde veio e espere mais cem anos. Porque não deu tempo de eu virar mulher. Eu vou ter vontade de pedir que ele me carregue no colo até a casa da minha mãe e me entregue pra ela. Eu queria tomar sopa na casa da minha mãe. Eu lembrei agora que minha mãe me dava Sustagem quando eu ficava assim, tão assustadoramente encantada pelo mistério das coisas. E ela temia que eu desintegrasse. E agora? Como faz quando se é adulta? Qual é a sustagem de agora para que eu não desintegre? Como é que se ama com um corpo de trinta e três anos se por dentro eu tenho cinco anos e estou tremendo, apavorada, pressentindo o estrago que as coisas de verdade podem causar. Por que eu chamo de estrago quando sei que, na verdade, estrago é o que as coisas que não são de verdade causam. Eu tenho tamanho pra suportar o tamanho das coisas de verdade? O amor chega em uma hora e eu ainda não consegui comer, escolher a roupa, arrumar minha franja, decidir se já posso amar. O amor chega em uma hora e vai quebrar meu gesso mas eu não decidi se os ossos já estão bons o suficiente. Mas ele vai chegar com trinta martelos e eu vou estar esperando, forte e decidida, pra receber a porrada. E o ar que vai entrar. E mais dor. E o ar que vai entrar. E quem sabe então alguma felicidade, já que fui corajosa. Quem sabe a felicidade seja a harmonia entre a dor e o ar que entram pelos poros que temos coragem de abrir? E quem sabe só o amor seja o martelo possível? Escrevo isso e choro. Porque quero tanto e não quero tanto. Porque se acabar morro. Porque se não acabar morro. Porque sempre levo um susto quando te vejo e me pergunto como é que fiquei todos esses anos sem te ver. Porque você me entedia e dai eu desvio o rosto um segundo e já não aguento de saudade. E descubro que não é tédio mas sim cansaço porque amar é uma maratona no sol e sem água. E ainda assim, é a única sombra e água fresca que existe. Mas e se no primeiro passo eu me quebrar inteira? E se eu forçar e acabar pra sempre sem conseguir andar de novo? Eu tenho medo que você seja um caminhão de luz que me esmague e me cegue na frente de todo mundo. Eu tenho medo de ser um saquinho frágil de bolinhas de gude e de você me abrir. E minhas bolhinhas correrem cada uma para um canto do mundo. E entrarem pelas valetas do universo. E eu nunca mais conseguir me juntar do jeito que sou agora. Eu tenho medo de você abrir o espartilho superficial que aperto todos os dias para me manter ereta, firme e irônica. Minha angústia particular que me faz parecer segura. Eu tenho medo de você melhorar minha vida de um jeito que eu nunca mais possa me ajeitar, confortável, em minhas reclamações. Eu tenho medo da minha cabeça rolar, dos meus braços se desprenderem, do meu estômago sair pelos olhos. Eu tenho medo de deixar de ser filha, de deixar de ser amiga, de deixar de ser menina, de deixar de ser estranha, de deixar de ser sozinha, de deixar de ser triste, de deixar de ser cínica. Eu tenho muito medo de deixar de ser. Agora é menos de uma hora. Você vai chegar e automaticamente minha agenda de milhares de regras e horários e controles vai desaparecer. E eu vou ficar apavorada porque só o que eu tenho é o contorno mentiroso que eu dou para os meus dias. E você, porque me abraça e me dá outro desenho, é o vilão da minha vida programada. Você é o tufão de oxigênio que invade meu nariz mas, porque estou com tanto medo, mais parece falta de ar. Agora é menos de menos de uma hora. Preciso terminar esse texto. Mas eu tenho medo, sobretudo, de terminar esse texto. Sobre o que eu vou escrever se você for melhor do que esperar por você?"

devolva me

procurei seu endereço por toda parte. eu me lembro, ou penso lembrar, de tê-lo anotado em uma folhinha e guardado no meio de um dos livros da estante. será que foi o livro que te emprestei antes de você viajar? na verdade, nem sei qual livro você acabou levando embora. pouco importava naquela hora. eu só queria te dar uma desculpa para voltar e quem sabe ficar, comigo.
deixei com você um livro, um shorts e um pedacinho de mim, que bate longe de peito. 
espero que, um dia, você volte e devolva o que levou. então, terei seu endereço novamente. prometo ler diversas vezes, até decorar, para nunca mais te perder ou, pelo menos, pensar que não irei te perder nunca mais. 



quarta-feira, 18 de abril de 2012

mais um oi entre tantos outros

oi, (nome da pessoa aqui)

esquisito te "chamar" assim. acho que desde que somos (?) mais próximos, nunca mais te chamei pelo nome. sempre de baby ou amorzinho. maneiras carinhosas de tratá-lo.
eu sei que esse monte de letrinhas juntas podem não significar muita coisa, ainda mais porque já faz um tempo que não estamos mais juntos e ainda falta outro tanto para ficarmos, nas minhas férias. mas senti vontade de te escrever. e quem "fala" aqui é aquela que só existe para você, e que ninguém conhece. aquela pessoa de coração aberto que você até estranhou ao conhecer...
tenho sentido muito sua falta, de uma maneira que eu jamais pensei sentir.

quando ficamos pela primeira vez eu já sabia que você iria embora. e na minha cabeça tudo era muito simples: você iria embora e tudo iria continuar como se nunca tivesse sido. você me surpreendeu mantendo contato e com o convite super inesperado de ir pra aí. eu sei que quanto a isso você não tem certeza, assim como eu também não. mas, enfim, o que importa é que estamos "aqui", mantendo contato, o que me deixa profundamente feliz. e essa palavrinha que é difícil de encontrar que é a felicidade, tem me acompanhado por muitos dias, desde que você começou, mesmo que sutilmente, a fazer parte da minha vida. e mesmo que estejamos distantes agora, acordar depois de ter sonhado contigo ou com situações que o envolve me faz sorrir e pensar que a vida pode ser boa.

apesar das aparências, e você agora já sabe que eu sou um pouquinho mais do que aquilo que os olhos podem ver, eu sou pessimista. eu sempre acho que tudo dará errado. quanto ao meu futuro, sou uma grandissíssima (como diria o chaves) pessimista. eu não sei o que será do meu futuro. mestrado? intercâmbio? ainda não sei. só sei que se nada der certo aqui, eu queria tentar aí, com você.
e estou cogitando outras possibilidades. eu não quero depositar sobre você o encargo de eu ir pra aí. eu sei, é um grande responsabilidade - dependo do olhar que é lançado. só que eu quero que você entenda uma coisa, eu não tenho nada a perder. e se, por ventura, eu for pra aí e não der certo, não vou querer que nada aconteça por obrigação, muito pelo contrário. eu não quero que você sinta a obrigação de ficar comigo. se nada der certo, eu tenho onde recomeçar. eu sei que não serei desamparada. por isso, não se preocupe.ok

o que virá é um mistério para nós dois, mas eu não quero que você tenha medo, assim como eu tenho me esforçado para também não tê-lo. eu estou feliz e quero que você fique feliz também.

hoje eu estou especialmente te gostando. talvez seja porque acabei de chegar do (o lugar de onde você acabou de chegar aqui), mas isso não fazem de minhas palavras palavras menores. eu gosto de você e gostaria que, assim como eu, você estivesse de coração aberto. vamos aproveitar o que a vida tem para nós.

com amor,
sua,
(seu nome aqui)

sábado, 24 de março de 2012

E se meu TCC fosse lido hoje...

AGRADECIMENTOS

Peço licença, mas gostaria de, por um momento, dispensar certas formalidades!

E agora, pensando a respeito das pessoas a quem tenho que agradecer, me ocorrem diversos nomes, foram tantas Marias e tantos Josés... 
Foram tantas pessoas que me fizeram ser quem eu sou e estar onde estou, que eu vou puxar dessa memória, já fraca, e desse cérebro que clama por férias, alguns nomes. 
Listados, assim, sem nenhuma ordem, de importância ou cronológica, à primeira vista poderá fazer sentido nenhum, para você. 


Eu poderia começar por minha infância e agradecer a professora Cláudia, do pré, por ter me dado meu primeiro livro, Alice no País das Maravilhas. E quem me conhece sabe, eu vivo num mundinho maravilhoso... No entanto, se eu voltar tanto assim no tempo, nem todas as folhas de papel produzidas em Telêmaco Borba, pela Klabin, seriam suficientes. Sendo assim, creio que é melhor avançar um pouco no tempo... 


Aquele agradecimento especial e o abraço apertado às amigas do magistério, Bruna e Letícia, por me darem as primeiras dicas sexuais; à Dieniffer pelos nossos 15 anos de amizade e chingamentos carinhosos; à Aline, melhor amiga de todos os tempos e de todas as galáxias; e a outra Aline, prima e amiga que, mesmo distante fisicamente, sempre se fez presente. 


Mais um pouco de agradecimento especial e abraço apertado ao Gustavo, que me apresentou às ciências humanas e à literatura relacionada à nossa cidade natal; ao Maikon, meu irmão de coração e de festas; e à alguns colegas de classe, só alguns, como o Fábio – último dos melhores amigos da história -, o Felipe – com suas gesticulações exageradas, que me roubam sorrisos - , a Juliana G. – que é um docinho – e a Sabrina – grande amiga, vizinha, colega de trabalho e responsável por grande parte dos momentos bons e felizes que passei nos últimos tempos. 


Agradeço também ao Rodrigo, ao Bruno e essa piazada toda que me diverte e aos que ainda vão me divertir muito. Obrigada.

Tem mais gente, mas como essa seção de agradecimentos está ficando longa demais, vou citar, de agora em diante, só nomes, sem as rasgações de seda posteriores, que é pra poupar tempo: Marcos Phelipe, Marcus Vinícius, Thiago, Anderson, Guilherme e Guilherme Calouro, Edilaine, Vinicius, Pacote, Marco Aurélio, Rodrigo da Sabrina... e deve ter mais uma porrada de gente que deveria estar aqui, mas se bem me conhecem, nem vão ligar... Já sabem que minha memória é pior que de uma joaninha!!

Nossa! Como é que eu ia esquecendo do César?! O cara que mais me pentelhou durante a graduação inteira e que eu já sofro por antecipação devido a saudade que irei sentir disso tudo. Obrigada, Cesar, por sempre ficar do meu lado, com exceção do dia que você se escondeu no banheiro e eu tive que surrar os caras daquela festa sozinha!

Eu pensei muito em agradecer a Mariana e a Janaína, mas nem tenho palavras. Foram tantos momentos, bons e ruins, que qualquer agradecimento se torna impronunciável. Um simples obrigado não é nada.

Depois de agradecer a todos os amigos – pelo menos os que lembrei -, agradeço meus familiares, que mesmo eu estando me formando em História, são otimistas e pensam que terei um futuro bom. Brincadeiras à parte, meus pais, depois de mim mesma, são os grandes merecedores de todas as coisas boas que eu puder lhes dar. 


À dona Zeli pelos conselhos, e broncas, via celular, e ao meu pai, seu Dico, pelos “juízos” e pelo ouro na conta. Inshalá! 

Ao meu irmão, que, por meio de nossas conversas, me ensinou a ver que eu sou responsável por mim e pelas coisas boas, e ruins, da minha vida. E pela excelente influência musical!

Praticamente finalizando, quero deixar aqui um SUPER obrigado ao meu querido orientador, que com paciência me ensinou o que eu ainda não conhecia e me instruiu quando eu não sabia por qual caminho seguir. Obrigada, futuro orientador de mestrado!

E para ela, que essa altura já deve estar triste por não ter visto ainda seu nome por aqui: Juliana B. Minha filhinha, minha mãezinha. Obrigada por cuidar de mim quando a dona Zeli não está perto e por aturar minhas grosserias. Você sabe que eu faço um tipinho, mas que no fundo, bem escondidinho, meu coração é repleto de sentimentos. E além disso tudo e mais um pouco que você faz por mim, obrigada por chorar em meu lugar quando eu não conseguia. Isso foi, realmente, uma grande demonstração de afeto.

Por último e talvez um dos mais importantes, ao meu possível futuro noivo. A possibilidade de ficarmos juntos me fez sair menos e estudar mais. Te gosto por isso e pela Lua que se afasta 3cm da Terra por dia, pelo seu Madruga, pelas músicas, pelas araras vermelhas e pelo calor dos infernos que faz no MS, entre outras coisas.

terça-feira, 20 de março de 2012

valsa sem par

e é nessa hora que eu te estendo a mão, convidando-o para dançar. e eu, que por muito tempo já dancei valsa sem par, não fiquei espantada com o seu não. é natural. você não poderia, é claro, permitir que um alguém, do qual a respeito do passo você nunca ouviu falar, entrasse na sua casa, comesse da sua comida e deitasse em sua cama.
é que tudo tem passado tão rápido que, quando vou olhar, já passou.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Férias

Mas é que eu tirei férias...
Eu sempre começo meus textos com “mas”. Eu vivo querendo me justificar. Eu vivo querendo te dar uma desculpa plausível para não me odiar. Mas é que eu sou assim, metade incerteza e a outra metade também. E vou seguindo... Sem pensar, nem planejar. Faço o que sinto que deve ser feito e depois... ah, como eu sinto a sua falta depois.
Por mais que eu minta a mim mesma, ainda no último instante do fechar os olhos e passar da realidade para os sonhos, eu ainda penso em você e nesse mesmo segundo ainda consigo desejar, mesmo depois de tudo, que possamos ficar juntos.
Eu tirei férias porque estava enjoada do que pensava ser mais do mesmo: sorriso, sorriso, sorriso, um mês de sorriso e, depois, lágrima, lágrima, lágrima, um rio de lágrima. E quando, nas férias, ninguém me fazia sorrir preparando meu toddy na madrugada ou me fazendo companhia para um jantar em horário inapropriado porque eu não conseguia dormir de fome, dava até vontade de chorar de novo, desde que você estivesse ali, comigo, conversando sobre bandas que eu não conheço e com a maior paciência do mundo me explicando o que eu não sei. Eu sinto falta das nossas conversas e dos risos frouxos, das gargalhadas e dos quadrinhos.
Nessas férias eu não li nenhum quadrinho. Todos me lembram você. E ninguém é nerd como nós, que preferimos ser ratos de sebo que passar o domingo passeando de mãos dadas no shopping, com exceção dos dias em que estão em cartaz filmes bons no Palladium.
Mas é que essas férias estão sendo longas. Talvez menos dolorida que a última que tiramos, mas, ainda sim, tem sido difícil. O tempo, esse danado que eu pensei que iria me ajudar, quanto mais passa, mais aumenta o que eu sinto e não quero, nem posso, dizer.
Quando nos vimos pela última vez você estava horrível, e essa a imagem que trago de você. E mesmo assim, mesmo você estando sujo, despenteado e com os dentes amarelados, ainda consigo admirá-lo e pensar que o futuro pode ser bom.
Eu já entendi, eu acho, que não posso fazer as coisas por você, nem te dar banho, nem pentear seu cabelo, muito menos escovar seus dentes, mas posso estar ao seu lado, apoiando-o para que os faça da melhor maneira possível.
E agora, depois de escrever a frase, já começo a me arrepender, por lembrar que eu já fiz tudo isso, com o melhor de mim e com uma força que eu já nem tinha. Mesmo assim, eu entreguei a minha mão, e o coração. Fiz figas, rezei e pedi a você para que pudéssemos ter a nossa vidinha de casal comum, daqueles que comem maionese aos domingos e na segunda-feira requentam o churrasco.
Pelo menos, uma coisa nessas férias eu aprendi: só quero ser dona de casa se tivermos máquina de lavar. É muito triste lavar roupas à mão!
E eu digo que já passou. Às vezes, eu até acredito que já passou. E passa. Passa sempre, mas volta. E parece bater mais forte a cada vez. Espero, sinceramente, que seja apenas saudade do amigo que eu também via em você ou orgulho ferido por você ter me deixado, quando mal tínhamos iniciado nossa vida à dois.
Isso tudo me fez chorar por muitos dias. A tua ausência me tirou o chão, que era de lama, mas que mesmo assim eu ainda conseguia controlar, de certa maneira. Você me fez mudar e depois mudou de mim. Você me fez ter planos românticos: casar de verdade, com festa e tudo, ter a nossa casinha e, num futuro um pouco distante, termos nossa criançada. Só que você se foi e o sonho ficou. E eu procuro por todos os lados um futuro marido que possa substituí-lo, mas ninguém leu tanto quanto você e dificilmente se encaixam nos critérios: bonito, inteligente, carteira assinada e que não use tênis de mola, nem drogas!
Olha, viu só! Nem você se encaixa mais nos meus requisitos.

Texto escrito em 14/02/2012.