quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

mas é que eu sou assim, um pouco diferente...
e vivo querendo me justificar, que é pra não fazer doer em quem amo, e em quem não amo.

paciência! não dá para agradar a todos...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

tinha uma pedra no meu caminho, tinha.

Nem toda pedra é pedra
Nem toda pedra rola
Nem tudo que rola é pedra
Nem tudo que é pedra quebra

Tinha uma pedra no meio do meu caminho:
Uma pedra tocando nas pedras
Pedras queimando pedras
Olhos de pedras
Olhos que só olham pedras
Pedras do século XXI



Maikon  Scheres e suas poesias pertinentes.
(o título é meu, só para constar)

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

turning tables - adele

Eu já estive próxima, muito próxima de iniciar uma guerra, enquanto eu ainda tinha forças para lutar. Agora, tudo o que eu tinha está no chão. E só eu, você e deus sabíamos (?) pelo que estávamos lutando. Mas eu não posso mais continuar com suas inconstâncias, sob elas, não consigo respirar. Sendo assim, eu não vou deixá-lo, como já fiz, perto o bastante para me machucar. É hora de dizer adeus. Não quero mais viver sob o céu escuro e amaldiçoado que os passos ao seu lado carregam. E quando pensei que o amor estava acabado, eu encontrei o seu fantasma. Então, enfrentei diversas tempestades para chegar onde estou, e deixá-lo definitivamente. E por mais que você tente, não, eu nunca mais serei derrubada. E eu prometo a mim mesma que da próxima vez eu serei mais corajosa e ficarei em pé sobre meus próprios pés. Adeus às suas inconstâncias. Adeus às minhas muletas. Adeus, adeus.

http://www.youtube.com/watch?v=w44dk4ysnz8&ob=av2n

até breve...

nós já havíamos combinado tudo e seria hoje. só que ontem, quando eu me dei conta do que estava para acontecer, eu decidi mudar tudo e correr. calcei os meus melhores sapatos, para me sentir mais confortável durante a fuga. eu não quero lhes dizer adeus, eu não quero pensar que acabou. eu só quero pensar no que há de ser, que será da maneira mais bonita, muito mais bela do que um dia imaginamos.
não quero e nem posso fazer projeções do que será de agora em diante, sem a sensatez de uma e o tribalismo de outra; sem a paciência de uma e o pavio curto da outra.
e por mais que os dias e nossas escolhas nos levem para cada vez mais longe, uma coisa o tempo não irá nos roubar: todas aquelas prezepadas juntas, que dariam um excelente livro de comédia, e de muito drama também (principalmente de minha parte. minto, daquela criatura jovem que também compartilhou bons momentos conosco).
nesse até breve, eu desejo tudo de melhor para vocês e dizer, que do meu jeito torto - sem demonstrar, sem tocar e sem verbalizar - eu as amo com o coração e quero vê-las sempre sorrindo.
e do que aprendi com vocês, podem me chamar quando precisarem de um conselho ou de um bom braço para briga. por vocês, só por vocês eu sempre estarei aqui...

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

só hoje

fazia tanto tempo que eu não escrevia que ah... já estava com saudades!
quem sabe porque os dias estavam sendo cinzas demais ou coloridos demais...
independente disso, é bom ter ideias organizadas para jogar no "papel".
agora - com bastante esforço, eu confesso - tenho conseguido olhar para as coisas e avaliar se realmente eu preciso me preocupar. aí, eu paro, olho bem para a cara da situação, observo por alguns segundos, conto até três - às vezes até mil - e deixo passar. com esforço maior ainda, tenho delegado funções que nunca, em tempo algum, precisavam ser minhas e, então, procuro olhar para mim mesma e pergunto:
_ o que estou fazendo de bom para mim hoje?
não é todo o dia que encontro respostas plausíveis a essa questão, nem sempre há respostas, mas pensar assim, pensar em mim - pela primeira vez, em anos - é o início de uma satisfação.

nós já sabíamos...

é, nós já sabíamos... mais cedo ou mais tarde, essa despedida iria ocorrer. não por vontade própria, mas por uma imposição do tempo, da vida e de nossas escolhas, que nos empurram para longe. mas não é com pesar que escrevo essa despedida com adeus. escrevo com uma ponta de sorriso, porque sei que o que há de vir será melhor, muito melhor que imaginamos...
talvez seja aquela vida de mulher casada, que a gente finge que não quer - para não perdermos a fama de má - , ou talvez nos deixemos levar pelo querer alheio...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

um dia de cada vez

eu te quero assim, sem obrigação, sendo feliz aos poucos e descobrindo coisas novas. te mostrando aos poucos, o amor que hoje eu to sentindo por você.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

eu não existo sem você

Mas é que já faz tanto tempo que o meu olhar não encontra os seus olhos miúdos, que olhavam além das minhas vistas. Mas é que já faz tanto tempo que o meu nariz não sente o seu cheiro, nem você o meu. Mas é que já faz tanto tempo que as minhas mãos não encontram as suas, bem macias. Mas é que já faz tanto tempo que meu sorriso perfeito não sorri para os seus dentes tortos. Mas é que já faz tanto tempo... E durante todo esse tempo, em que julguei tê-lo esquecido, você só estava aqui, quietinho, num cantinho escuro, e agora quer luz e tem gritado forte. Eu eu tapo os ouvidos, coloco as mãos sobre as orelhas e aperto forte, para não te ouvir. Mas volta e meia eu me pego fazendo um esforço danado para tentar te ouvir, saber o que sente e como se sente. Saber se está bem e se ainda seremos capazes de construir juntos aquela vida que sonhamos. Mas nem tudo tem ocorrido de acordo com o que planejamos. Mas, saiba, se você me deixasse escolher, eu escolheria você.

_____

E hoje, quando me peguei pensando em você, lembrei dessa música: 

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

se do fim um novo começo,
se da dor um novo amor...

é hora de se apaixonar!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O encontro da Mulher Maravilha e do Super Homem na hora do almoço


"Bom dia Mulher Maravilha, muito bom dia Super Homem ( mesmo sabendo que você não é um coxinha chato como ele, mas seus atos são desse herói).
Muito bom dia!!! aqui olhando o rastro de luz que penetra pela janela, ao som de uma canção com meldia tristonha, mas que fala sobre esperança, lembrei-me de vocês.
A Mulher Maravilha como estou orgulhosa de você, de como conseguiu se livrar de um visgo que a impedia de ir em frente, esse orgulho, essa prisão de segurança maxima da qual se libertou só trará felicidade essa liberdade.
Não pretendo ser invasiva, mas eu precisava tornar público o que de mais nobre guardamos em nós orgulho alheio, felicidade pelo outro.
Você mulher de superpoderes, deixou as armas de lado e foi viver feliz, tomar nescau, comer pãozinho de manhã, bacon, o mais importante não tornou essa missão solitária.
Fico tão feliz como se tivesse chegado o dia da formatura, como se sorvesse uma belo copo de wisk que tanto aprecio, como se tivesse comendo uma coxinha bem grachenta!!!!
Amada, amável, que belo encontro esse seu com o homem da capa vermelha.
Acho que nunca conheci um super herói que tanto fizesse por alguém.
Desejo a vocês bons dias!!!! Muitos Bons dias!!! ao som de bela música, beijos com sorrisos e muiiiiiiito bacon e molho inglês.
Você mostrou para todos aqueles que protege que a grande arma contra o mal, é viver, simplismente deixar viver.

Congratulo ambos, tão machucados e hoje tão felizes!!!
Muitos almoços, cafás da manhã, filmes, chocolates, vinhos e canções de bom dia!!!
Um imenso beijo de todo coração de quem orgullha-se cada dia mais de sua força e suas batalhas!

domingo, 25 de setembro de 2011

O texto sem fim (rabbit ears don't work)

Sentar no meio fio, abrir uma Stella, rir do vidro meio aberto e do bebê no banco de trás.
Dedo mínimo como um gancho, meu sorriso meio torto.
Dia chuvoso com olhar paralisante, calça soltando tinta no tênis.
Desencontros virtuais, encontros bem reais.
Mesas de plástico amarelas, ex-Lucky Strike preto.
Escolher a playlist do bar, marcador permanente no guarda-roupas.
Ramona Flowers, Once, tudo perdido na tradução.
Rir da cara do segurança, lamber pratos.
Jóia de plástico, dança de loja nas barrigas das bonecas.
Papel de presente com meu nome colado.
(...) no bolso de fora da mochila, perder o controle do portão.
-Linha dedicada somente ao bacon.
Espalhar cabelo pela sua casa, riscar minha camiseta.
Bom dia, fita no cabelo, nescau aditivado.
Molho inglês, cheiro de comida e Janta no áudio
Corda de guitarra no braço, vanguart não me lembra mais uma banda.
(...) com a mãe, video-conferência com a outra.
Ciúme de irmã, (...), botton narcisista.
Medo de altura, Scott Pilgrim e bolacha (...).
Seu óculos vermelho, macarrão e Anita Paçoca.
Cabo de rede quebrado, a  pinta (...), (...) cheiro duvidoso.
Carregador trocado,puxada na barba, black bird.
Show de quem? aprender a jogar (...).
Meio exato da passarela, máquina de dança e Felipe Massa.
Outra fita no cabelo, chá (...) e feriado.
Bicicleta de andar e bicicleta de olhar, essa ninguém vai entender.
Sebo, Jazz, lavar a louça e comer de novo.
(...) no bolso, mini papel de presente na parede.
Colagem na gaveta, jogar fora a caneca, comprar pirulito.
Conversa (...), sapato (...) e perder (...).
Sofá amarelo, Dire Straits na parede e alho no molho.
Eu não gosto de salsinha.
Papel de parede no celular, Tela da Jú, 1984.
Adolf, mimimice. gudi mornin! rau ar iu?
MMS na aula, colocar cordas novas, Black Star de manhã.
R.u, perseguição de guarda-chuvas, nomes estranhos.
Quase torrada com manteiga ( desculpe por essa).
Aquela branca sem fundo, subir escadas.
O "X" na parede de entrada, a madeira na porta,
Ah, e o prendedor no interfone!
Um mickey na parede, o do dia 31, prender os capacetes.
Tirar o lixo (...), Seven, erguer (...).
Perseguição (...), riso baixo (...).
Muros, sustos, graxa, Radiohead, Wilco e tipinho.
Orgulho mútuo, os copas do desenho, o quarto espinho.
O número 9, saia de bolinhas, jaqueta curta azul.
Telefonemas inesperados, (f)  código Morse particular.
Contar sonhos, desenha-me um carneiro?
Nós dançamos, Canção pra você ir, ninguém sabe ler na vertical.
Derrubar água no notebook, Barbarella e chocolate.
Ponta dos dedos, V de vingança feminina.
Orelhas de coelho não funcionam.
E eu não paro de escrever, pois os segundos nunca acabam
E os detalhes também não.
Nunca acabam.

sábado, 24 de setembro de 2011

pra você guardei o amor...

eu ainda me protejo de você. você sabe bem os motivos. mas confesso que estou deixando minha guarda aberta. eu vou com cuidado, meu bem, porque a hora que eu te amar, será com todos os meus ossos. e eu te digo: o meu amor não acaba, ele só morre se for assassinado.



sexta-feira, 23 de setembro de 2011

canção pra você ir

quando eu escrever uma canção pra você ir,
será somente por não poder adiar.
quando eu escrever uma canção pra você ir,
será porque não posso mais acompanhar seus passos, mais rápidos que os meus.
quando eu escrever uma canção pra você ir,
lembre-se de pegar a chave e o celular, a carteira e os documentos.
quando eu escrever uma canção pra você ir,
não esqueça de observar se está levando tudo que precisa pra si.
quando eu escrever uma canção pra você ir,
quero que se sinta livre e que não se prenda por mim.
mas quando eu escrever uma canção pra você voltar,
não esqueça de lembrar de todas as canções que te escrevi.

da canção que toquei pra ninar,
da canção que cantei pra acordar
e das que juntos dançamos.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

nós dançamos

"O que eu quero brilha de longe e ativa todos os meus sentidos com uma simples palavra.
Me faz levantar pela manhã e me protege do que eu quero.
O que eu quero me protege do que eu quero.
É simples assim, ação cria outras ações, ou Molko estaria errado?
A queda de 88 vai se repetir, isso é óbvio, é só olhar.
Armas em punho baby, mas olhe bem, não estamos duelando.
Qual é a questão aqui? 3 linhas douradas no filtro fazem a diferença?
Vocês irão ler e não irão ver, principalmente essa parte, é lógico demais.
Precisa-se recuar um pouco a cadeira para ver mais de uma vez.
Nunca se perguntou o que mantêm eles grudados?
Estariam todos passeando pelo sétimo circulo?
Se prestar atenção você encontra um mundo, bem aos seus pés.
É quase como a música V-X-VI
Sempre falando sem precisar abrir a boca.
E eles sempre tentando ouvir só com os ouvidos..." 

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

funeral

e hoje, pela primeira vez em dias, eu me perguntei o que teria acontecido com você. e eu acho que você morreu.

Oswaldo Montenegro falando por mim


Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

recaída

e quando meu celular tocou era um convite. mariana me chamando pra sair, com ela e com a janaína. eu ando meio desanimada, sabe? hesitei em aceitar, mas a juliana, a garota que mora comigo, também queria sair. mas sair pra que? toda vez que chego tarde da rua, já cansada, e tento dormir, todos os meus devaneios do pré-dormir são sobre ele. e o mais incrível, são quase sonhos que são quase bons. depois de alguma insistência, cedi. não posso, afinal de contar, ficar em casa, o tempo todo, chorando por um amor que já morreu. tomei um banho longo, daqueles que você toma querendo lavar a alma. vesti o vestido xadrez, com tons rosáceos, que ele, que tem muito bom gosto, me deu, coloquei a sapatilha preta nova, que comprei em cinco vezes na pague menos calçados, e passei o carolina herrera que ele também me deu, o problema é que toda vez que uso esse perfume penso em como queria usar para estar com ele, não com um desconhecido qualquer. e o pior, acho que ele nem terminou de pagar o perfume, que parcelou em algumas vezes no cartão da minha ex-sogra. por fim, passei batom vermelho, aquele que tantas vezes usei para sair com ele. eu estava me sentindo bonita, como poucas vezes tenho sentido nos últimos cinquenta e dois dias. a juliana também estava muito bonita, com a parca preta. eu também coloquei um casaco preto, porque se locomover de moto no inverno ponta-grossense é bastante complicado. depois de pouco mais de seis quilômetros, chegamos. estacionei a moto em frente a universidade e descemos alguns metros até o bar. quando chegamos, as meninas já estavam lá. fui direto para a mesa, dar oi. e já na entrada percebi que elas me olhavam de maneira diferente. no começo, distraída como sou, não percebi nada diferente. foi então que a mariana, através do olhar me apontou uma mesa. e foi aí que começou a bebedeira. eu queria mostrar que estava feliz, que já havia remediado todas as feridas e que estava, finalmente, recomeçando minha vida. apesar de minha tentativa de simular tranquilidade, a presença dele ali, no parada obrigatória, bar que tantas vezes fomos juntos papear e rever amigos, me deixava insegura. mesmo ele estando com mais três rapazes, o tempo todo eu cogitava a possibilidade de chegar uma garota o chamando de amor. depois de algumas horas de conversa forjada, riso fingido e algumas doses, eu dei a letra:
- gente, eu vou até lá!
- tá louca?! - gritou a mariana
não dei ouvidos. segui. que eu tenha observado, ele não havia olhado para nossa mesa uma vez sequer, no entanto, conhece meu cheiro e a minha voz. e eu fui. mesmo sem saber o que direito falar, mas fui. parei ao lado dele e fiquei o observando, até o momento que dirigiu seu olhar ao meu. e eu disse apenas:
- eu ainda te amo.
ele ficou imóvel. nem piscava direito. eu me abaixei. aproximei meus lábios dos dele e dei um beijo suave, daqueles que se dá com o coração. em seguida, voltei à minha mesa. avisei apenas que estava voltando para a casa. elas todas faziam milhões de perguntas, querendo saber porque eu tinha feito aquilo e como eu estava me sentindo. eu disse, falei milhões de vezes para não se preocuparem. tinha sido apenas uma recaída...

domingo, 21 de agosto de 2011

palavras que deveriam ser minhas em boca alheia

“Eu te amei muito. Nunca disse, como você também não disse, mas acho que você soube. Pena que as grandes e as cucas confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer, a gente não devia ter vergonha do que é bonito. Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim.” cfa

Promessas - por thaic

"Eu queria hoje poder sentar aqui e falar um pouco da minha dor. Mas não consigo. Ela já está tão velada no meu peito, tão envolta pela minha rotina sem você, que eu já não consigo separá-la de mim para encarar seus olhos e descrevê-la. È que desde criança eu vivo assim, preferindo não pensar pra não fazer doer. É que sua ausência me matou por muitos dias. Me fez chorar por muitos dias. Me fez pensar em porquês, em razões, em desesperança e em egoísmo. Eu era criança. Eu não entendia. Eu ainda não entendo. Nenhuma desculpa jamais vai ser suficiente pra entender por que o mundo levou você de mim. Eu te precisava tanto. Eu ainda preciso. Mas cresci, sobrevivi, sem a palavra e o significado que pra tantos é rotina. Eu não sei o que é. Não sei descrever. Não sei falar sobre. Desculpa, não acho que seja culpa de ninguém (...) Mas aconteceu, e como num sopro, tudo o que eu tinha de você era poeira, meia dúzia de fotos e umas lembranças ruins, daquelas que a mente infantil nunca esquece, da bronca e dos gritos por causa de alguma coisa que eu fazia e não devia. Desculpa. Não faço mais. Nunca mais. Por que, agora, você não pode mais me corrigir. Então, o que eu deveria fazer? Qual é o plano de ação agora? Eu juro que eu tentei guardar silencio, brincar de forte, fazer de conta que eu não ligo. Eu juro que deixo escapar a palavra como quem não quer nada, como quem não se fere. E a escuto sair da boca de quem vive, de quem ainda tem, de quem não entende nada sobre o que eu sinto e se sente no direito de me dizer como devia ser. E eu sorrio falso, mas firme, que é pra ninguém achar que eu sou fraca, e que não superei. Mas eu não superei. Como poderia? Eu amo você. Daqueles amores que vão na alma, como devia ser. (...) eu queria um abraço. Eu queria uma palavra. Eu queria lembrar dos seus olhos. Ah, céus, como eu queria ter mais que uma imagem e o som de um grito, que mesmo ruins, já se esvaíram a tempo da caixa da memória onde te guardei. E agora? Eu vou ter que esperar pro infinito nos fazer reencontrar? È que dói. Mas eu te prometo, vou ser forte. Eu prometo, vou esperar. Vou fingir, se tiver, pra só você saber da minha dor, da minha espera, dessa nossa promessa. Pra não fazer doer naqueles que a gente ama também. A gente vai se reencontrar. Eu vou encarar esses olhos negros (...) Vou achar meu rosto no seu, cara-a-cara, e não nas fotografias velhas em que eu não consigo mesmo te reconhecer. E vou viver até lá. E vou dar o meu melhor, pra viver feliz, pra alcançar. Mas vou chegar. Olhe por mim até lá. E guarda seus braços pro nosso abraço. Eu vou cobrar."


___


e hoje, pela primeira vez em dias, o pranto se fez público. e foi lendo o texto acima que chorei. e como eu precisava disso. quase me sinto leve, que quase volto a sonhar. obrigada a thaic, dona do blog de onde retirei este texto, por tirar de mim essas lágrimas que nunca rolavam e obrigada por escrever por mim, quando nem eu mais sei o que sinto. e é só saudade. e é só o peito apertado, que insiste em trazer para perto o que não tem mais volta. e como eu gostaria que tivesse... e como eu gostaria de tê-lo aqui comigo agora, conversando uma bobagem à toa e me tirando um riso fácil. é impossível. nossos horizontes são distintos e nessa distância já nos perdemos. e procurar pelo que? e correr para onde? e se esconder para que? todo esse sofrimento contido só me mostra o quanto sou fraca. ser forte não é fingir que está bem, mas olhar para a ferida, que sangra e dói, para depois curá-la. só que eu insisto no processo inverso e quando vejo, a ferida está inflamada, porque não tratei dela, apenas ignorei aquele incômodo que sentia, pensando que meus anticorpos seriam capazes de lutar contra aquela doença. mas não, eu estava enganada. e agora a ferida dói mais que nunca, porque quanto  mais o tempo o empurra pra longe de mim, mais a ferida aumenta. e por mais que eu procure remédio, em todas as partes e em todos os bares, você, que já foi meu bálsamo, está longe, tão longe, que não posso nem mais enxergar aqueles olhos miúdos, que já me foram tão familiares. e onde está você agora, meu anjo, que não me vê chorando?! e quantas foram as vezes que eu fechei meus olhos, em oração, fazendo esta pergunta, que eu sempre soube a resposta, mas esperava um milagre, te trazendo verdadeiramente pra mim, só pra mim. e quando lembro de você não é pelo retrato, nem pelo poema, nem pela cor, só por uma dor irremediável, que nem a maior das bebedeiras me faz esquecer. e quando eu saio, nas ruas, ando com a cabeça abaixada para não vê-lo num rosto que me traga a mínima lembrança da sua feição, porque te olhar é tudo que mais quero e não posso. e se, por ventura, isso me fosse possível, olhando em seus olhos, eu lhe faria apenas uma pergunta: você, mesmo distante, ainda me ama? porque, confesso, eu o amo com o melhor de mim, que ainda é pouco pra você.
 

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

ai, a liberdade...

cheguei à uma conclusão: como é bom ser livre!

"liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda" - cl

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

se eu só soubesse escrever sobre mim, o que eu escreveria?

e se eu só soubesse escrever sobre mim e se eu só soubesse escrever sobre o que sinto, estaria agora escrevendo sobre você e sobre o medo que tenho de machucá-lo. escreveria a respeito da maneira surpreendente como você me cativou. escreveria sobre minha vontade de ficar sozinha e terminar, por fim, a quarta fase do luto. escreveria sobre estar solteira, sobre sair com amigos e desconhecidos. depois, escreveria como em tão pouco tempo você tem se tornado especial para mim e, então, escreveria sobre como gostaria de cuidar de você e fazê-lo sorrir. depois, na minha inconstância, eu escreveria sobre minha hesitação, sobre minhas dúvidas e questões. somente mais tarde, escreveria sobre as coisas boas e sobre nós.

mas como eu não escrevo apenas sobre mim, quero contar a história de uma garota que se chama Ana (adoro colocar meu nome em meus próprios personagens!) que pensou que nunca mais haveria "nós" e que desejava, profundamente, permanecer como estava, inerte. só que naqueles dias safados, um segundo antes do pré-dormir, lembrou-se dele e perceberá que já saíra do lugar, em direção a ele. diferente das outras vezes, cheia de medos e hesitações, porém, pensando que aquilo tudo pode dar certo. então, resolveu fazer um figas bem grande e bem apertado para continuar a caminhar.

[essa história continua...]

Folhetim

E essa era eu...




Se acaso me quiseres,
Sou dessas mulheres
Que só dizem "sim!",
Por uma coisa à toa,
Uma noitada boa,
Um cinema, um botequim.
E, se tiveres renda
Aceito uma prenda,
Qualquer coisa assim,
Como uma pedra falsa,
Um sonho de valsa
Ou um corte de cetim.
E eu te farei as vontades.
Direi meias verdades
Sempre à meia luz.
E te farei, vaidoso, supor
Que é o maior e que me possuis.
Mas na manhã seguinte
Não conta até vinte:
Te afasta de mim,
Pois já não vales nada,
És página virada,
Descartada do meu folhetim.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

quatro estágios do luto

*essa não é uma história real.ok?!

e hoje, pela primeira vez, eu resolvi escrever. sem metáforas, sem rodeios, sem poesia. escrever sobre aquele grito contido, sobre minha vida no escuro. e hoje, também, pela primeira vez, eu quero olhar a ferida, que não sangra, mas que há pouco tempo ainda doía.

se você me perguntasse o que não gosto em mim, eu diria, sem hesitação, que é a minha mania de fugir. todos os dias, quando eu me olho no espelho, repito para mim mesma: "tudo está da melhor maneira possível". tomo uma xícara de café e vou trabalhar. e evito, ao máximo, deixar alguma lamúria escapar, afinal, "esse é o melhor dos mundos possíveis". e é assim que os dias vão passando para mim. e foi numa tentativa de fuga que eu encontrei o que jamais quis, um novo namorado. antes dele, um relacionamento frustrado. e no senso comum que gritava na minha cabeça, dizendo que só se esquece um amor com outro, e na minha ânsia de não ficar sozinha, eu me joguei. e era pra ser uma brincadeira apenas. eu não queria nada. só me divertir. sair com alguém. ou qualquer outra bobeira. e quando eu percebi que as coisas estavam tomando um rumo que eu não queria, fugi novamente. mas aí, confesso, já era tarde. e pulei de ponta no esgoto. esse novo menino era completamente o meu oposto. no começo eu achava isso bastante charmoso, não posso negar. mas com o passar do tempo pude perceber o quanto é difícil nadar na sujeira. 
desde o começo eu soube que ele era viciado. todos temos vícios. uns diferentes dos outros. e pensei, em minha ingenuidade e ignorância, que eu poderia ajudá-lo. e no meu otimismo desenfreado pensei: "todos podem mudar, se quiserem". eu só tinha esquecido da parte do "se quiserem". mas mesmo assim, eu fechava os olhos, fingia que nada daquilo estava acontecendo e seguida em frente.
no início, a omissão. precisava mentir para as pessoas que mais amo, meu pais, sobre ele. não queria que soubessem que eu estava com um viciado e que eu me sentia insegura na companhia dele, pensando que a qualquer momento algo poderia me acontecer em decorrência de estar com ele. eu, sempre de figas, esperava ansiosa por sua efetiva recuperação, para aí, então, poder, finalmente, contar aos meus pais. mas foram tantas recaídas, tantas lágrimas de computadores trocados na boca, tantas lágrimas de humilhação pública, que não aguentei. dia após dia eu ligava para minha mãe dizendo que estava cansada, cansada, cansada, mas ela não entendia do que eu falava, até o dia em que resolvi contar o que estava acontecendo. e a pior coisa que minha mãe já fez por mim foi me incentivar a ficar com ele, por ter vivido situação semelhante com meu pai, que há 19 anos está abstêmico de álcool. e o meu pai, mesmo sendo, de maneira diferente, mas também, um viciado já sabia que aquilo tudo não daria certo. ele sempre soube como essas coisas funcionam. diferente de mim e da minha mãe que estamos do lado de cá, ele sempre soube que se não houver, de fato, empenho pessoal, ninguém livra-se de vícios. e o pior de toda essa situação era saber que ele, sempre nervoso e ansioso, assim como eu, perdia noites de sono com cuidado da filha na companhia de alguém que, à mínima abstinência, poderia se tornar alguém perigoso.
mas o que eu quero escrever, verdadeiramente, não se trata de como as coisas começaram, eu quero dizer como tudo, definitivamente, acabou. depois de eu ter me exposto para a minha família, amigos e, pior, para desconhecidos, dado grana, feito o máximo de mim, muitas vezes forçosamente, para tentar manter algo que não existia além das minhas expectativas, acabou. o começo do fim foi desde o começo, na verdade. as recaídas constantes foram me desgastando, até o dia em que fui até a casa dele decidida a deixar de viver em função dele e seguir minha vida, em me colocar em primeiro plano. quando eu cheguei lá, ele já sabia exatamente o que iria acontecer: eu iria terminar com ele. antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele falou que gostaria de se tratar, num internamento. e aí, mais uma vez, eu cedi. meus dias a partir de então se concentraram na procura de clínicas cobertas pelo plano de saúde dele, ligar (e a conta do meu celular veio um absurdo de cara!), mandar e-mail para professores pedindo pelo amor de deus para não reprová-lo por faltas, rezando para tudo dar certo e ele se endireitar, fazendo malas e me despedindo dele. e de fato, eu ainda não sabia, mas era uma despedida. seu internamento foi em curitiba, no hospital psiquiátrico bom retiro. e ele, com isso, ganhou tempo: mais vinte e seis dias. e nesse breve período de internamento eu me dediquei como jamais havia feito em toda a vida. eu fecho os olhos e lembro dos vinte e seis dias mais altruístas da minha vida, onde tudo eu considerava como um investimento no futuro, em que eu e ele ficaríamos juntos e bem felizes. durante todo esse período eu me afundei em dívidas. sou estagiária, você sabe. eu ganho pouco. só os deputados ganham bem. os bolsistas do governo federal ganham uma ninharia. fui cinco vezes de ponta grossa à curitiba, para visitá-lo. a primeira vez de ônibus e outras quatro de moto, arriscando minha vida na rodovia, em meio a neblina, e teve um dia que peguei até chuva na estrada, tudo para estar com ele, nas reuniões familiares, nos horários de visita e nas conversas com a psiquiatra. e ela não sabe, mas fez tudo errado. como ele já havia sido internado nesta mesma clínica e se tratado com essa mesma psiquiatra no internamento anterior, há uns dois ou três anos, ela disse perceber nele uma grande mudança e que ele parecia disposto. isso me fez sonhar. estava decidido. terminado o internamento, iríamos morar juntos. imaginem vocês, eu iria, praticamente, me casar. eu nunca imaginei que um dia isso iria acontecer comigo, mas estava. arrumei as malas. iríamos passar um mês juntos, uma espécie de teste, para então, se tudo desse certo, nos casarmos de vez, no papel e tudo. eu não estava nenhum pouco certa do que estava fazendo, só pensei que era o melhor a se fazer naquele momento. e fiz. nada para mim. tudo para ele e sua efetiva recuperação. mas tudo tava estranho. era como se ele fosse um desconhecido. comentei até com uma amiga do trabalho, que disse ser normal por termos passado vários dias distantes. e as promessas que ele faziam, por mais que eu quisesse acreditar, já me pareciam vazias. e, infelizmente, eram. quando passamos a morar juntos já fazia pouco mais de um ano que estávamos juntos, o que me fez pensar que eu o conhecia. mas ele era, realmente, o meu oposto, era imprevisível. aliás, só tinha uma coisa em que ele era previsível: quando estava confabulando para usar droga. e no sexto dia pós clínica, caindo o céu em forma de chuva, ele estava com as mãos inquietas. era o primeiro sinal. eu, confesso, fiquei desconfiada, mas eu senti que deveria dar um voto de confiança. me enganei. tudo conspirou a seu favor: estávamos com o carro emprestado da mãe dele para me deixar na universidade em decorrência da chuva e ele estava com um dinheirinho na mão. pronto. tudo conspirando a favor de uma pedrinha de craque! e quando ele não voltou no horário combinado para me buscar, eu já sabia exatamente o que estava acontecendo: era o fim.
dessa vez eu não esperei ele voltar da favela. para mim, aquilo foi o estopim de algo que estava para explodir há muito tempo. pedi a um amigo que me acompanhasse para buscar as minhas coisas. peguei tudo: cartas que eu havia escrito desde o começo do meu namoro, cartas que pedi para meu pai e minha mãe escreverem para ele, desejando força, quando do seu internamento, presentes e tudo o mais que pudesse fazê-lo esquecer de mim. eu, que tenho mania de fugir e esconder, acho que as coisas são mais fáceis quando as pessoas esquecem de mim por primeiro. juntei todas as minhas tralhas. apática. sem lágrimas, sem lamentações. eu estava certa de que aquilo seria o melhor para mim. era dia primeiro de julho, sexta-feira, e o céu chorava, diferente dos meus olhos que estavam secos. e voltei para a minha casa. e coloquei tudo que me fazia lembrá-lo no lixo, com exceção de um perfume caro que ele me deu no dia dos namorados, que hoje uso para sair com outras pessoas. eu decidi esquecer. e o que me doía não era o que estava acabado, mas era o que estava por começar. recomeçar é sempre tão dolorido... e sabe o que mais doeu? foi receber uma ligação dele no dia seguinte, quando chegou da drogadição, me avisando que tinha ido pagar uma dívida. que dívida? eu e a irmã dele já não tínhamos descido até a favela com ele, fazendo nossa exposição, para ele pagar o que devia? aquilo era demais para mim. desliguei o telefone e liguei para um amigo. sabe aquelas pessoas que quando você ouve a voz, você se sente como se estivesse envolvido por um sentimento bom? foi aí, quase vinte e quatro horas depois que derramei a primeira lágrima. já fazia tanto tempo que a dor vinha sendo a mesma, que já estava praticamente anestesiada. e resolvi ir até a casa desse amigo para conversar, que dizia que eu deveria dar ao rapaz outra nova chance. no caminho, com a pista ainda molhada, caí um tombo de moto. circunstância bem besta. o carro da frente freou de repente e eu, para não colidir, freei também. como o asfalto estava molhado, a moto deslizou e eu caí. não me machuquei, nem nada, mas foi só naquele momento que eu comecei a entender o que estava acontecendo. era a ficha caindo... sentei no meio fio. e chorei como criança. chorei lágrimas que eu já sabia que cairiam, mas que eu fazia força para evitar, tentando ajudá-lo. eu ainda não tinha tomado uma posição. não sabia bem ao certo o que fazer. ao lado desse meu amigo, liguei para a casa. tudo o que mais queremos é estar perto de quem mais amamos quando estamos tristes. e como eu queria colo de pai e de mãe. e ali, chorando copiosamente, eu ouvi meu pai dizer coisas que jamais disse e me dando forças para dar aquele passo que eu deveria ter dado meses atrás. a conversa foi longa. e dolorida. e muito verdadeira. falávamos do coração. ele querendo o meu melhor, sempre querendo  meu melhor. e eu buscando o meu melhor, tomei a derradeira decisão. era a hora. era o fim. e aquele meu amigo que inicialmente disse que eu deveria refletir melhor sobre a possibilidade de permanecer junto do rapaz, após ouvir o diálogo com meu pai, reconsiderou e disse que o término seria a atitude mais acertada.
cheguei em casa, com todas as lágrimas possíveis já choradas, peguei o telefone e liguei. ele atendeu e se desculpou, dizendo que nunca mais iria me fazer sofrer. eu disse apenas: "te liguei pra te dar tchau!" e disse adeus. e surpreendentemente eu senti alívio. foi a melhor coisa que eu fiz nos últimos tempos. a partir daquele momento eu não precisaria mais me preocupar se o namorado tava na favela, se iria chegar vivo em casa ou ter medo de sair em companhia dele na rua. estava acabado e eu era livre. eu podia sorrir um sorriso leve. 
e depois disso, voltei ao teatro. o fingimento é o que melhor sei fazer. acordei no dia seguinte como se nada tivesse acontecido. eu ainda tinha mais uma semana de aula e de trabalho. não podia transparecer o que estava havendo. aquilo tudo era um problema meu, só meu e que eu havia escolhido e, finalmente, havia deixado para trás. e como os primeiros dias foram pesados. só eu sei o esforço que foi sorrir. e tudo que eu mais queria era ir para casa e não saber através dos amigos que ele ligou, que estava preocupado comigo ou qualquer coisa assim. pedi, inclusive, para que esses mesmos amigos mentissem que eu tinha sido dispensada do trampo e tinha viajado, só para não correr o risco dele aparecer no meu trabalho, sem avisar, e me causar grande constrangimento. e os primeiros dias passaram. a primeira fase do luto, eu diria, é a do arrependimento. eu me arrependi, profundamente, do dia vinte e dois de março de dois mil e dez, quando o conheci. depois me arrependi de tê-lo, muitas vezes, o colocado em primeiro lugar. e me arrependi de tantas outras coisas, de tanta vida de desperdicei... 
quando, finalmente, entrei em férias, senti o calor afetuoso de pai e de mãe, eu, pela primeira vez, me senti bem. e durante todo o tempo em que estive perto deles era como se tudo para mim fosse como se ele não existisse. conheci até novas pessoas, aleatórias, mas saí com elas e me diverti bastante. a segunda fase do luto é a negação. dizia para mim mesma: eu sou melhor sem ele, sou jovem e deve haver coisa muito melhor reservada para mim.
mas as férias terminaram... e foi, então, que eu me dei conta de como havia passado pouco tempo desde o término e de como os dias estavam passando lentamente. a terceira fase do luto é a saudade. é quando você se dá conta de que o que passou não voltará mais, e lamenta. o meu lamento, entretanto, foi um silêncio que não me pertencia. um estado apático. sem lágrimas, sem expressões faciais. nada. só pensamentos desconexos, que ao longo dos dias foram sendo substituídos pelas coisas boas que passaram a acontecer  em minha vida. uma mensagem de texto, via celular, com má ortografia, escrita pelo pai ou aquele convite inesperado para ir ao cinema com o colega de faculdade... é nesse momento que ocorre a quarta e derradeira fase do luto: o recomeço.
e recomeçar tem sido dolorido, eu confesso. mas a cada dia longe dele é um dia a mais perto de mim mesma, da minha família, meus amigos e de novas oportunidades de ser feliz. e, confesso, já tenho sido.


e é com esse desabafo que inicio, oficialmente, a quarta fase do luto. estou recomeçando e dessa vez é diferente. não vou mais fugir, nem fingir. acabo de assumir publicamente o que vinha sentido, acabo de me expor mais uma vez. agora não por ele, mas por mim. eu precisava compartilhar. e gritar tudo que me atrapalhava a voz. e, confesso, estou me sentindo aliviada. até consigo respirar com maior facilidade, digo, felicidade. 

terça-feira, 9 de agosto de 2011

você pode ir na janela.

mas é que ele era assim, o meu oposto, e tão diferente de mim, que me fez mudar e depois mudou de mim.



domingo, 31 de julho de 2011

um pelo outro

Agora, e novamente, as minhas mãos estão vazias. E eu tentei. Da maneira mais errada. Tentei, passando o tempo todo procurado-o nele. Nos gestos, nas palavras, nos olhos pequenos ou nas vistas que enxergavam além do meu horizonte, assim como os seus. E quando eu buscava seu sangue na veia alheia, e quando eu buscava o seu cheiro no corpo alheio, e quando eu buscava seus dentes tortos num sorriso perfeito, percebia que todo o sacrifício era vão. E não adiantava eu mostrar a ele suas músicas favoritas ou aquele clipe do Portishead que sempre assistíamos... Você não estava nele. Só em mim. E permanece. Assim, calado. E, juntos, somos bons artistas. Não deixamos ninguém perceber o que se passa. Não deixamos ninguém ouvir o que desejamos. E mesmo que ele estivesse perto, muito perto de mim, não conseguia ouvir meus gritos que chamavam por um nome, que não era o dele. E agora, com o corpo ainda trêmulo, penso em você. Nunca foi o melhor, mas tornava-se assim pelo sentimento que carreguei por ti. E ele, que faz o melhor de si para mim, eu substituiria facilmente por outro alguém, desde que fosse você. E quando ele me olha, perguntando, inseguro, sobre o que eu estaria pensando, desvio o olhar para que ele não veja algo que só brilha à mínima lembrança de um bom momento contigo. E mesmo eu sabendo que jamais encontrarei você numa esquina qualquer, num dia qualquer, em alguém qualquer, eu continuo tentando, pois sei que, mais cedo ou mais tarde, passarei a procurar um alguém, que não reconheço mais, em você mesmo. 

quinta-feira, 28 de julho de 2011

arrumação de quarto.

Estou aproveitando os últimos dias de férias para organizar minha casa. Ontem dediquei boa parte do meu dia organizando minha estante e depois em um telefonema para uma velha amiga. Hoje resolvi mudar a disposição dos móveis do meu quarto. De tempos em tempos eu sempre faço isso, para dar novos ares. O que me dá mais trabalho para reposicionar é o guarda-roupas, pois como é pesado, tenho que esvaziá-lo. Aproveitei o ensejo da nova organização do quarto para também arrumar o armário, que, confesso, também estava precisando.
Primeiro eu troquei a cama de lugar. Antes ela ficava com a lateral abaixo da janela. Agora é a cabeceira que fica sob ela. E o guarda-roupa eu simplesmente coloquei na parede oposta a qual estava. 
Somente quando a gente tira tudo para fora do armário é que percebe a quantidade de coisas que tem. Resolvi, então, pegar uma sacola para guardar ali algumas roupas que doarei mais tarde para o bazar de uma igreja aqui perto de minha casa. A primeira peça de roupa foi uma que ganhei, já usada, de minha tinha. A blusa deveria ter uns 30 anos. Ou mais. E o Felipe, um amigo meu, sempre dizia que ela era ridícula. Resolvi doar também um antigo tênis de ginástica, afinal, ando tão sedentária que nem preciso mais dele. 
Aos poucos fui dobrando as roupas e as colocando novamente no guarda-roupas e as que eu não queria mais, na sacola. E no meio daquelas roupas todas jogadas ao chão eu identifiquei uma de cor lilás. Era uma camiseta. E não era minha. E tinha o cheiro dele. E as lembranças, nem sempre boas, mas trazia lembranças... Peguei aquela camiseta, dobrei e coloquei na sacola de doações. Para mim nada daquilo me servia mais. Quem sabe para um outro alguém. 
Algum tempo depois tudo já estava organizado. Peguei aquela sacola de roupas, amarrei bem firme para nada escapar e decidi que amanhã bem cedo eu vou doar o que não quero mais pra mim.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

descoberta do dia:

Nossa, somente hoje me dei conta de quanto tempo não nos falávamos! E hoje, durante nossa conversa, percebi que não te amo mais. E desejo, com o coração, que você seja, realmente, muito feliz.

terça-feira, 26 de julho de 2011

ponte aérea Brasil x Espanha

Hoje, no meu último dia de férias, revolvi dar uma geral aqui em casa. Aproveitei o tempo livre para colocar tudo em ordem, pois, quando a rotina voltar, não terei tanto tempo assim para me dedicar à organização do lar. Normalmente eu teria começado pela louça, que, para mim, é a pior parte, mas olhei para a estante da sala, que fazia anos que eu não mexia, notei a bagunça de papéis, livros e objetos que ali estavam que, por força maior, tive que iniciar a limpação de casa separando o que dali prestava, o que deveria ser reciclado ou, por ventura, ser colocado em outro lugar. 
Tirei tudo das prateleiras e coloquei no chão, achei que assim seria mais fácil. Comecei organizando os textos da universidade por disciplina e colocando em caixas arquivos específicas de acordo com o ano letivo de cada matéria. Apenas com essa atitude que, confesso, tomou tempo, as coisas começaram a ficar menos bagunçadas.  Então, foi a vez dos livros. Organizei os 237 livros por ordem alfabética do sobrenome do autor e os coloquei nas duas prateleira mais altas. O que sobrou eram papéis menores, alguns deles dobrados em origamis, e eu teria que verificar folha por folha para não jogar nada importante fora, coisa que sempre acontece. O primeiro que eu peguei estava dobrado em formato de coração. Lembro que quem tinha mania de fazer dobraduras era a Ana. Nós estudamos juntas durante muito tempo, nos víamos todos os dias, mas mesmo assim fazíamos questão de escrever. Nada de e-mail, gostávamos mesmo de tinta no papel. E ela sempre me escrevia e dobrava os papéis em formato de coração. Abri cuidadosamente, para não danificar o papel, que continha uma poesia, escrita por ela, a respeito da amizade. Depois disso, olhei atentamente para o chão e vi mais uma porção de folhas em formato de coração. Decidi que precisaria de uma caixa para guardar recordações tão preciosas. Além disso, percebi que preciso mesmo de uma caixa dessas, pois minha memória tem ficado cada dia mais terrível... Enfim, guardei o primeiro coração e fui lendo os demais, lembrando de como éramos próximas. Agora nos escrevemos esporadicamente, no máximo uma vez por ano, contando sobre coisas triviais do cotidiano, mas tudo parece tão distante. E olha que nem moramos tão longe assim, são menos de 200km que parecem que milhas e milhas nos afastam. De toda forma, após a leitura de diversas cartas da Ana, uma em especial me chamou a atenção, um momento da vida dela que eu presenciei:

Eu lembro que era um domingo e combinamos com o pessoal de tomar um sorvete e andar de patins. E foi nessa tarde adorável com os amigos que ela o conheceu e, segundo sua descrição foi algo mágico. Na carta ela não chegou a descrever como se encontraram após aquele dia. Acho que na memória dela tudo estava tão claro, que esqueceu de me contar desse detalhe. Contou apenas o que julgou mais interessante: o beijo na esquina de sua casa, Rua Caramuru. Ela subiu no meio fio, em uma brincadeira, para tentar ficar mais próxima da altura dele e se desequilibrou, quando caiu estava muito próxima a ele, que a beijou. Na carta Ana descreve vários momentos deles juntos, demonstrando sempre estar apaixonada. Durante a leitura da carta inteira estive confiante de que tudo daria certo para minha amiga, que tanto já tinha errado nas coisas do coração. No entanto, a má notícia: ela o conheceu quando ele já estava com a passagem comprada para se mudar do Brasil. E ele foi. E ela, que na época, era muito jovem, tinha apenas 15 anos, chorou, porque queria que aquele amorzinho de verão perdurasse inverno a dentro.
E depois de ler essa carta, eu que também o conheci, quis saber como eles estavam, principalmente ele, do qual eu nunca mais tinha ouvido falar.
Peguei o telefone e resolvi ligar para a Ana, saber se ela tinha alguma notícia dele. Eu quase nunca ligava para a Ana. Com o passar do tempo muitas amizades tornam-se superficiais e a nossa era assim, mas, não sei porquê, eu queria muito saber como ele estava.
Disquei.
Chamou uma vez e caiu na caixa postal. 
Definitivamente, não gosto quando as pessoas desligam a ligação quando veem meu nome no identificador de chamadas.
Mais ou menos meia hora mais tarde, a Ana retornou minha ligação:
- Alô?
- Fala, gata! 
- Oi, Ana. Tudo bem?
- Tudo sim e você?
- Beleza. 
- Me diga uma coisa: alguma novidade? 
- Nada de novo. E por aí?
- Nada de novo também. Tudo na mesma rotina esmagadora de sempre.
É claro que haviam novidades. Eu sei que haviam. Ela tinha novidades para me contar, mas não queria. Eu mesma tinha uma porção delas: minha mãe se casou novamente, eu troquei de carro, voltei às aulas de inglês... Mas ela, apesar de, muitas vezes, forçarmos uma amizade, me parecia uma estranha. Mas eu tinha que fingir que estava interessada nela, para aí, então, poder perguntar dele.
Fizeram-se sete segunfos de um silêncio constrangedor, que Ana, muito direta, quebrou:
- Tá precisando de alguma coisa?
Já que ela foi direta, resolvi também ser:
- Tem visto o Di?
- Você já soube?
- Já soube de que? 
- Não sabe mesmo ou está de fingimento?
- Não, não sei. É que agora pouco eu estava organizando umas coisas aqui em casa e comecei a reler umas cartas suas e uma delas, escrita em 2006,  falava sobre vocês e que ele tinha ido morar na Europa. Fiquei apenas curiosa para saber sobre ele e pensei que, por ventura, você saberia de algo e, pelo que vejo, sabe.
- Pois é, a parte que a minha história cruza com a dele eu nunca relatei nas cartas, porque ele sempre vinha, mas voltava para a Espanha.
- Entendo. Mas, se estiver tudo bem para você, me conte, por favor.
- Então, do início da história você já sabe e acompanhou muito bem a minha empolgação inicial e as lágrimas do final, quando ele foi pra Madri. Com ele morando lá, conversamos umas duas vezes por telefone e todas as outras pelo messenger. Na metade pro final de 2009 ele veio visitar a família e combinamos de sair juntos. Conversamos muito e fomos ao show da Blindagem.
- O Ivo estava vivo ainda, né?!
- Tava sim. Foi o último show que vi com ele vivo. Enfim, nesse show maldito todas as pessoas do mundo queriam conversar com ele, o que é natural, afinal, fazia muito tempo que ele não vinha para cá e as pessoas, assim como eu, sentiam falta dele. O problema, na verdade, não foi esse, foi eu ter encontrado, pela primeira vez, o meu ex namorado com a sua esposa. Num ato infantil, quis demonstrar que estava super feliz e talz e acabei tomando todas e passando vergonha. Nesse dia, consegui fazer com que ele esquecesse a menininha por quem, talvez, ele tenha se apaixonado.
Passado alguns meses e conversas por msn, ele veio nos visitar outra vez. Era fevereiro de 2010. Eu tinha acabado de sofrer aquele acidente de moto, que te contei, e estava podre. Não pude dar a atenção devida a ele, por não conseguir me enxergar enquanto uma mulher desejável. Minha auto-estima não estava tão alta assim... Logo, coloquei, novamente, tudo a perder.
Teve uma vez também que foi super bacana. Não lembro direito o ano. Sei que era em dezembro, porque minha prima que mora em Curitiba saiu conosco e ela só vem pra cá em véspera de natal. Nós fomos ao club juntos e foi tão bom. Em todas as circunstâncias, sempre gostei dele, não apenas dos beijos, mas da companhia dele, que me faz muito bem.
- Aham, mas e agora?! Ele tá morando aqui ou lá, em Madri?
- Então, espere aí que já estou chegando no final da história! Sabe por que lá no começo da nossa conversa eu perguntei se você já sabia, lembra? Então, sabe quem chegou, em visita ao Brasil, esta semana?!
- Ele? E aí?!
- Saímos esse dias atrás.
- E como foi?!
- Eu o pedi em casamento?
- Como assim?! Tá louca?! Você está super nova e nem terminou a graduação. Você não tá falando sério, está?!
- Estou sim. Eu expliquei pra ele porque ainda vamos nos casar: há mais de 05 anos compartilhamos sentimentos um pelo outro e hoje, quando nos beijamos, eu senti carinho, amor, ternura e vontade de cuidar e ser cuidada.
- E ele?!
- Não disse sim. Lógico! Soou como brincadeira, mas acho que ele sempre irá lembrar daquela noite: eu estava dirigindo seu carro e o levei para o meu local favorito na cidade, é um local onde dá para ver a cidade acordada, com todas as suas luzes acesas, no som do carro tocavam músicas da Adele e do Death Cab For Cutie e tudo foi muito bonito. Eu falei assim: "volta pro Brasil e casa comigo?!". Ele ficou quieto, o que é natural. Aí, acrescentei: "você vem para o Brasil, eu termino a graduação e podemos voltar para lá, daí eu faço mestrado e doutorado na Espanha!". Ele disse apenas que achou bonitinho e tal, essas coisas que as pessoas dizem para não deixar as outras no vácuo, sabe?!
- Sei sim e você, o que sentiu, o que pensou, o que vai fazer?!
- Eu senti um gostoso no meu coração, porque eu estava ali com o coração, com o amor puro que senti em minha adolescência, pensei: "fiquei meses sem vê-lo, mas está tarde e eu tenho que ir embora!". Estive com ele por pouco mais de uma hora e, tenho certeza, lembrarei várias vezes ainda desse momento. E, infelizmente, não farei nada porque ele só fica quinze dias aqui no Brasil e eu já voltei para Ponta Grossa. 
- É uma pena que ele sempre vá embora quando você passa a gostar dele...
- Não tem problema. Sentir o que senti quando estava em sua companhia me fez entender que, se eu me dispor, ainda posso amar... E, por hora, isso é o que me basta.
- Entendo. Mas me conte?! Tá trabalhando onde?!
- Ai, desculpa. Não posso falar agora, vou entrar no ônibus para ir pra faculdade. Falamos outra hora. Me ligue!
- Tudo bem. Boa aula.
- Beijo, tchau.
- Tchau.

Ao desligar o telefone, entendi uma coisa: eu queria mesmo era saber como ela estava. Cheguei à conclusão que sinto saudade dos meus amigos da infância e adolescência! Quero todos vocês de volta pra mim.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Alguém como você...

Todos podem sair. Todos podem se divertir. Eu, minhas amigas, a garota da loja da esquina. Seus amigos, o pessoal da faculdade. Todos. Menos você, que é meu. Eu quero que o mundo gire, de maneira diferente. Não naquela roda gigante, na qual estávamos. Tantos altos e baixos... E o mundo pode girar. Para mim, minhas amigas, a garota da loja da esquina. Seus amigos, o pessoal da faculdade. Todos. Menos você, que é meu. Gostaria que você ficasse bem aí, onde está. Gostaria que nada mudasse, que ninguém entrasse na sua vida e que você não se apaixonasse por um outro alguém. O meu amor, que um dia já foi altruísta, agora é egoísta e quer todas as coisas para si. E quer você. Mas eu finjo, finjo o tempo todo e penso usar da razão, quando para longe eu corro. Mas meu coração, que grita, fica escondido sob um sorriso que não é meu. Foi algo que eu inventei para me sentir segura. Não quero demonstrar, nunca mais, o que sinto. Isso me torna frágil. Eu não quero que você saiba que ainda o amo. Eu não quero que você saiba que eu saio, me divirto, danço, mas que quando chego em casa é em você que eu penso e no quanto eu gostaria que a nossa vida tivesse sido diferente. Por que a gente não finge que isso não está acontecendo? Eu queria poder fechar meus olhos e estar ali, deitada na nossa cama, olhando para as paredes e pensando em que cor pintá-las. Eu queria estar ao seu lado, todos os dias, para você nunca esquecer de tomar o seu remédio, às 9, às 15 e às 21. Eu queria estar aí, para quando eu acordasse faminta, no meio da madrugada, você se levantasse fazer um lanchinho para mim. Nenhum nescau é tão bom quanto o seu! Eu só queria esta aí, nem que fosse apenas por um minuto, para lembrar o quando já fui feliz. Mas eu não posso. Não posso deixar que os gritos do meu coração, desesperado, sobressaiam aos meus pensamentos racionais, que rogam para me eu me manter afastada de você. E se você realmente quisesse, tudo poderia ser diferente. E eu ainda torço tanto por isso, meu amor...
Apenas feche seus olhos e pense que tudo pode ser melhor. Sonhe. Creia. E seja forte. Mesmo que nunca mais possamos ficar juntos, mesmo que nossos olhares não se cruzem mais, eu quero que você ainda seja muito feliz. Por você, só por você, o meu amor continua altruísta.

________


Someone like you - Adele

Tradução: 

Eu ouvi que você se estabeleceu
Que você encontrou uma garota e você está casado agora
Eu ouvi que seus sonhos se tornaram realidade
Acho que ela lhe deu coisas que não dei a você

Velho amigo
Por que você está tão tímido
Não é como você tivese que se conter
Ou se esconder da luz

Eu odeio a aparecer de repente sem ser convidada
Mas eu não poderia ficar de fora Eu não poderia lutar contra isso
Eu esperava que você ao ver meu rosto se lembrasse
Que para mim não está acabado

Não se preocupe, eu vou encontrar alguém como você
Eu desejo nada menos que o melhor para vocês dois
Não se esqueça de mim, eu imploro, me lembro que você dizia:
Às vezes é duro no amor
Mas às vezes dói até mais
Às vezes perdura no amor
Mas às vezes dói mais ainda, yeah

Você sabe como o tempo voa
Somente ontem foi o tempo das nossas vidas
Nós nascemos e fomos criados numa neblina de recordações
Delimitada pela surpresa dos nossos dias de glória

Eu odeio a aparecer de repente sem ser convidada
Mas eu não poderia ficar de fora Eu não poderia lutar contra isso
Eu esperava que você ao ver meu rosto se lembrasse
Que para mim não está acabado

Não se preocupe, eu vou encontrar alguém como você
Eu desejo nada menos que o melhor para vocês dois
Não se esqueça de mim, eu imploro, me lembro que você dizia:
Às vezes é duro no amor
Mas às vezes dói mais ainda, yeah

Nada se compara, sem preocupações ou cuidados
Lamentações e erros são produtos da memória
Quem poderia saber o gosto amargo que isso teria

Não se preocupe, eu vou encontrar alguém como você
Eu desejo nada menos que o melhor para vocês dois
Não se esqueça de mim, eu imploro, me lembro que você dizia:
Às vezes é duro no amor
Mas às vezes dói mais ainda.

Não se preocupe, eu vou encontrar alguém como você
Eu desejo nada menos que o melhor para você também
Não se esqueça de mim, eu imploro, me lembro que você dizia:
Às vezes é duro no amor
Mas às vezes dói até mais
Às vezes é duro no amor
Mas às vezes dói mais ainda

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Seção nº 23.

- Bom dia, Ana.
- Oi, Dr. Danton.
- Sente aí para conversarmos!
- Claro.
Coloquei minha mochila preta no chão, ao lado da escrivaninha do médico. Sentei, colocando minhas mãos entre as pernas cruzadas, como uma forma de proteção, no entanto, o Danton sempre arranca de mim todas as verdade, sem eu deixar e sem, nem ao menos, eu perceber.
- Tá tudo bem com você?
Sorri aquele meu sorriso amarelo, de praxe, e respondi:
- Tá tudo sim.
Mas o Dr. já me conhece, afinal, já temos nossos encontros semanais há alguns meses.
- Tem certeza? Como foi sua semana?
- Foi a mais terrivelmente maravilhosa e mais maravilhosamente terrível!
- Explique isso melhor. O que aconteceu?
- O problema que me trouxe aqui pela primeira vez e pelas tantas outras vezes seguidas que estive aqui.
- Não precisa nem discorrer, até já sei o que aconteceu. Mas eu te falei, Ana, esse problema independe de você e é, realmente, muito complicado superá-lo. Eu já atendi vários pacientes com o mesmo problema e sei como as coisas são difíceis.
- Eu sei. - Disse com o olhar baixo. - Eu sei de tudo isso. Você, meus pais, meus amigos, todo o mundo me alertou, mas eu queria correr o risco. Eu só queria fazer o melhor, pra ele e para mim. 
- Ana, eu conversei com você sobre isso... O teu amor não é suficiente para os dois. Ele tem que querer e, se ele não quer, não há nada que você possa fazer. Aliás, o que você fará agora?
- Se eu ouvisse os gritos desesperados do meu coração me pedindo para voltar, eu já estaria lá, ao lado dele, com mais um ou dois meses em segurança. Só que agora chega! Não posso mais fazer isso comigo. Não posso viver de promessas e me alimentando de um futuro que não existe além das minhas expectativas.
- Então vocês terminaram?
- Foi o que aconteceu. Parece coisa de gente covarde o que direi, mas, como eu não queria vê-lo, liguei dizendo adeus. Pedi também para ele não me procurar mais, nunca mais, porque eu quero reconstruir minha vida.
- E como você está se sentindo?
- É pra eu falar o que eu quero que as pessoas pensem ou o que realmente estou sentindo?
Ele nem se deu o trabalho de responder. Ele sabe que eu sei que ali, no consultório, eu não preciso me esconder. Me olhou com cara de "claro que é pra falar o que sente, sua loque!". É evidente que ele não verbalizou, mas nem precisava, era óbvio.
- É como se eu mentisse o tempo todo. Eu sorrio, as pessoas veem e tudo parece estar bem, só que não está. Não está nada bem. E dói. O tempo todo. E não é como das outras vezes que terminamos, dói tanto porque dessa vez é definitivo. Não tem volta. E quando ele me liga e eu desligo o celular dói mais ainda. Prometemos sempre falar a verdade um para o outro, por mais dolorida que ela fosse, e eu nem falar falo mais. Eu corro pra longe, me escondo, minto. 
O Danton apenas me olhava, com aquele seu olhar analítico, que procurar encontrar em qualquer palavra, em qualquer hesitação uma brecha para entender o que sinto. Nessa hora, já em prantos, acrescentei:
- Como eu disse, dessa vez parece doer mais porque eu quero, do fundo do meu coração, que seja definitivo. Não quero mais escolher me machucar. Não quero mais decepcionar meus pais. Eles sempre estão ao meu lado, apoiando em minhas decisões, mas ele também já não suportam mais me ver assim, sempre triste sem ter certeza sobre o amanhã. E ao mesmo tempo que eu quero fazer isso, fazer o que é o mais acertado para mim, e nas palavras do meu próprio pai, "chorar agora para não chorar depois", eu penso nele o tempo todo. Que eu o amo não é novidade pra ninguém e é por isso que ainda me preocupo e tenho medo que algo de ruim aconteça a ele. E o pior é que eu não consigo sentir raiva dele. Talvez, se eu sentisse, era mais fácil. Mas a única coisa que sinto é raiva de mim mesma por gostar de ser humilhada, machucada e maltratada. Pode doer, eu posso morrer de chorar, posso ficar doente - como fiquei da última vez em que terminamos -, mas eu não quero mais ter que buscá-lo no esgoto. Eu não mereço isso. 
- Todas as dores passam, você sabe. Aposto que não é a primeira vez que você rompe um relacionamento e, como você é jovem, duvido muito que seja a última.
- Meu pai falou comigo sobre isso. Ele me ligou. Fiquei até surpresa. Normalmente ele só me liga para dar alguma bronca, isso quando me liga. Mas ele tem sido muito amável comigo. Ele falou pra eu não me preocupar, que ele está do meu lado e que me apoia totalmente nesta decisão. Ele é dependente químico também, e já faz 19 anos que está sóbrio, e ele me falou que se a pessoa não quiser, não adianta. E eu sei disso. Olha quantas vezes tentamos em vão! Meu pai também falou que eu sou nova, inteligente e bonita e que em breve eu encontro outra pessoa que irá me merecer de verdade. Eu sei disso tudo, sempre soube, mas ouvindo da boca do meu pai, foi como um tapa na cara. É a verdade, que sempre esteve à minha frente e eu apertava bem forte os olhos para não enxergar. Mas agora eu vejo com clareza: eu sou mais feliz sozinha. 
Fiz uma pequena pausa, enxuguei as lágrimas, já mais calma, e prossegui:
- Certa vez meu irmão me disse uma coisa muito sábia, que eu deveria ser feliz sozinha e ser mais feliz ainda com alguém. No meu caso, ele estava sugando a minha luz e me deixando triste. Que doa, não tem problema! Vou aprender a ficar sozinha. Fiquei tanto tempo sem, por que não posso ficar agora? Posso sim e irei. Com o passar dos dias, e com a saudade, tenho ficado cada dia mais triste, mas não demora muito para a cada dia que passar eu ficar feliz novamente. E eu ainda serei muito feliz.
Nesse momento percebo o Dr. Danton observando o relógio. É o sinal de que a terapia está acabando. Faço silêncio esperando alguma resposta dele. Ele apenas me olha, dizendo:
- Ana, acaba de ganhar alta.
- Como assim, Dr.? Agora que terminamos é que precisarei ainda mais do senhor.
- Aí é que você se engana. Com o término desse namoro você acaba com todos os seus problemas psicológicos que, na verdade, nem eram seus, eram problemas alheios que você acabava tomando como seu. Agora que não há mais com o que se preocupar, só com si mesma, não precisa mais da minha ajuda. Só espero que, dessa vez - e pela sua maneira de falar eu percebo -, seja definitivo.
- E será.
- Espero não revê-la nunca mais.
- Sinceramente, eu também. E desculpa qualquer coisa. Eu sei que tinha dias que eu vinha aqui um pouco neurótica, mas agora tudo ficará bem. Obrigada.
- Imagina, Ana! Tem dias que a gente não consegue se controlar, mesmo. E sou eu que agradece. Foi um prazer trabalhar com você. Sorte, muita sorte na sua nova vida.
- Obrigada. Eu vou precisar. Recomeçar é, realmente, muito difícil.


quarta-feira, 6 de julho de 2011

Caio Fernando Abreu falando por mim

“Lá está ela, mais uma vez. 
Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. 
Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. 
Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa.
Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. 
De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. 
Ela não desiste e leva bóias. 
E se ela se afogar, se recupera.
Estranho e que ela já apanhou demais da vida. 
Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. 
E quem não é?
A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas?
A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. 
Porque amar também é isso, não? 
Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. 
Daí você espera por alguém que venha te curar.
Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. 
E pra ela? 
Por quem ela espera?
E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará.
A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente. 
Não por ser forte, e sim pelo contrário… 
Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. 
E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. 
Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.”

sábado, 2 de julho de 2011

se pra escrever é preciso estar triste,
chorar por um amor que não existe,
acabo de me tornar poeta.

domingo, 19 de junho de 2011

felizes para sempre

Tantas vezes a vi chorar, às vezes anestesiada e pensava que não merecia aquilo, que não poderia seguir com a dor da incerteza e insegurança. Mas ela não desiste fácil, e mesmo com o coração quebrado, seguiu até onde achava que deveria seguir. Ela sabia que estava correndo o risco de perder seu tempo tentando ajudá-lo, mas seguiu em frente, porque ela não tem medo, ela não quer se arrepender do que não fez. A esperança e o amor não a deixam desistir e nunca deixarão! Está feliz e tranquila agora, com o coração batendo no ritmo da melodia que a levará para a felicidade, pois essa felicidade também pertence a ele, que também luta para que isso acabe em um “felizes para sempre”. 


daqui: http://comigoascoisasacontecemassim.blogspot.com/ para mim. 


[obrigada, ju, por sempre estar comigo! (L)]

terça-feira, 7 de junho de 2011

Querida Alice - carta nº02

Como tens passado? Espero que, diferente de mim, você esteja maravilhosamente bem. 

Imagino que deves estar furiosa comigo. Em minha última carta, eu sei, não fui muito gentil. Eu só estava com medo. E, ao contrário do que as pessoas pensam por eu ser um lenhador, sempre tenho medo, principalmente de me machucar. E mais: machucar as pessoas. 

Após a última carta me senti, de certa forma, aliviado. Era como se novamente eu só fosse responsável pela vida da Chapeuzinho, não pela sua. E então os dias foram passando... E como eu desejava saber sobre o cotidiano do País das Maravilhas e tudo que trazia cores à você! 

Julguei ser tarde. Eu havia escolhido. Não podia e nem queria voltar atrás. Pensava que conseguiria sem você. Mas caminhar pela floresta sem estar de mãos dadas contigo é tão triste! 

E, com o tempo, tudo o que eu mais queria era ter você novamente. Mas eu pensava no que havia passado e, mais uma vez, sentia medo. 

Estaríamos dispostos a arriscar outra vez? Você estaria disposta a deixar de tomar a poção que dá entrada às suas maravilhas? E em meio a tantos pensamentos, continuei a fugir do que o meu coração pedia. 

Quando fiquei doente percebi que quem eu gostaria que estivesse ao meu lado, preparasse chá e fizesse cafuné não estava lá e era só você, ninguém mais. 

Foi na distância que verdadeiramente percebi o quanto gosto de você e que juntos, se você quiser, podemos superar tudo. E agora que você está decidida, as coisas podem ser diferentes. Seremos uma família. Não importa se somos de histórias diferentes, daremos um jeito. 

Eu quero sonhar e realizar contigo, basta você voltar para mim e dizer sim.


Eu amo você, Alice.

Com amor e saudades,
o Lenhador.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

começando do começo

do zero de novo no dia dezoito.

definitivamente, o zero não é o meu número favorito.
não poderia ser 832.136.598.146.589.236.485.763.867 dias?

brincando de faz de conta

faz de conta que isso não tá acontecendo...

quinta-feira, 19 de maio de 2011

eu quero paz

- Ai, Ana, to tão cansada! (
- Nossa, menina, nem me fale! A universidade tá foda pra caralho esse ano!
- Não, não to falando disso.
- Ué! Então tá falando de que?
- Não é nada, não. Eu só estou cansada...
- Como assim "não é nada"? Tá acontecendo alguma coisa que eu não estou sabendo?
- Ah, você sabe, Ana. Tá acontecendo o de sempre...
Silêncio.
- Olha, eu já falei pra você o que eu penso a respeito disso.
- Mas veja bem, Ana...
- Espera aí! Deixa eu terminar: eu sei que pra quem olha de fora as coisas parecem fáceis, mesmo quando não são. Mas eu acho que você deveria tomar uma atitude. Sei lá. Sair fora de uma vez.
- Mas, Ana, não é um simples namoro. É bem mais que isso. É uma relação de dependência, o que é pior.
- Você tem que ser feliz sozinha, menina!
- Eu sei de tudo isso, Ana. Quantas vezes já não conversamos sobre isso? Só que você lembra o que aconteceu da última vez, não lembra?
- Eu sei, você ficou doente.
- Então...?
- Eu te entendo perfeitamente. De verdade. Só não entendo uma coisa: será que vale a pena?
Silêncio.
- Será que vale a pena você construir sonhos na lama? Porque a gente sabe, né? Que por mais que a terra pareça seca, um dia, nem que demore, a chuva vem. Tudo vira lama outra vez.
- Você acha que eu já não pensei nisso? Às vezes eu sinto como se estivesse sozinha ou, pior, como se eu fizesse tudo em dobro. Acho que é por isso que estou tão cansada.
- Pois é. Você faz tudo por ele, pelo menos é o que quem tá de fora vê. É como se você o carregasse nas costas. Ou mais: como se você fosse a mãe ou uma simples amiga dele, menos namorada. É como se ele quisesse correr na direção oposta - e é o que ele quer - e você ficasse ali o tempo todo apertando o freio. Sim, eu no seu lugar também estaria cansada. Mas o que você pretende fazer.
- Eu queria mesmo era chorar. Encher a cara de uma bebida forte e chorar. Mas eu não consigo. Já faz tanto tempo que isso vem se repetindo que já nem dói mais. Digo, dói, mas dói bem menos. E, assim, eu to perdendo a admiração, o que é um grande problema.
- Nem vou entrar nesse mérito, porque isso nós já discutimos esses dias mesmo. Lembra?
- Claro que lembro e lembro também que nossas opiniões são praticamente iguais a esse respeito.
- Viu, já são quase 13:30. Tenho que ir trabalhar. Mas antes me conte uma coisa: o que você vai fazer?
- Eu não sei ainda o que vou fazer. Eu só queria que a vida fosse suave para mim... Tudo o que eu quero é ter paz e tranquilidade.