quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

texto clichê e repleto de mimimi de final de ano


ano passado, durante os fogos, eu pedi renovação!
pulei as sete ondas e em todas o mesmo pedido: felicidade.
no meu caso, felicidade era renovação.
eu não queria mais chorar por um amor que já havia morrido. 
no momento dos fogos eu decidi: eu queria conhecer o novo, me apaixonar e deixar de viver o presente pelo passado.
eu queria viver.
eu queria sentir aquele friozinho na barriga e o coração batendo mais forte.
e eu fui viver.
vivi intensamente um mês e sete dias após os fogos.
nesse período conheci uma pessoa pela qual me apaixonei e me fez sentir que as coisas poderiam, desta vez, ser diferentes. mas não houve tempo...
sofri um acidente de moto: onze pontos no rosto, múltiplas micro-fraturas no seio da face, fraturei o nariz, quebrei alguns dentes e a escápula direita, tive um derrame no olho esquerdo e alguns arranhões.
todas a projeções feitas no dia dos fogos tinham escorrido da minha mão como se fossem água.
e foram ralo abaixo.
foram quinze dias de molho (na verdade eram para ser quarenta, mas não podia faltar mais de quinze dias de trabalho para não ser demitida, nem perder as aulas que começavam dia vinte e dois de fevereiro).
e nesse momento, repleto de consultas médicas e remédios, eu ficava imaginando o que estava acontecendo lá fora, enquanto eu não podia nem sequer tomar um banho ou me alimentar.
sentia as pessoas queridas se afastando de mim (e eu delas. nos momentos tristes é que, realmente, percebemos quem são nossos verdadeiros amigos!).
quinze dias após o acidente, exatamente no dia vinte e dois de fevereiro, eu retornei às minhas atividades regulares.
ainda estava cheia de hematomas, mas fui à universidade.
e, como eu já previa, algumas pessoas, uma em especial - nesse momento -, se afastaram.
mais que isso, eu me afastei das pessoas.
eu que sempre fui auto-confiante, me sentia o pior dos seres humanos.
é lógico que sei das minhas qualidades intelectuais, mas a aparência é algo que mexe, profundamente com a gente - ou comigo.
ao longo das atividades que, na universidade, vão se intensificando dia após dia, todas as tristezas foram sendo, gradualmente, deixadas de lado.
tornei-me ambidestra, inclusive, pois é, o músculo do braço esquerdo atrofiou e eu não tinha forças para levar o garfo à boca, por exemplo. (um adentro: o mais legal de tudo isso é que eu tenho um primo fisioterapeuta que nem se ofereceu para me ajudar. bacana, né?!)
enfim, a gente se adapta.
tudo que acontece, por mais difícil que possa parecer, é passível de adaptação.
e eu tenho essa facilidade.
com o tempo, já não achava meu nariz tão torto, nem as cicatrizes tão avermelhadas.
fui me sentindo gente novamente.
fui tentando, lentamente, relembrar o que pedi no momento dos fogos.
e assim, sem eu esperar, nem desejar, algo aconteceu: meu coração bateu diferente.
não era forte como das outras vezes, nem acelerado.
só era diferente.
e eu queria que perdurasse.
foi o relacionamento mais intenso que já tive.
posso, com certeza, dizer que fui muito feliz, muito mesmo.
pena que fui feliz em tão poucos momentos, porque na maioria do tempo que passávamos juntos eram de tristezas.
e como doeu.
e ainda dói.
eu tenho me calado desde que acabou, mas essa história de fazer o "balanço" do ano me devolveu um pouco da voz.
 eu já posso sussurrar.
e é com esse sussurro abafado que eu grito.
com todas as forças, forças que já nem sei de onde vem, forças que eu pensei nem mais ter.
e, de novo, insisto: não quero mais chorar por um amor que já morreu.
eu só quero é ser feliz.
eu quero viver.
eu quero me sentir leve.
porque esse ano... sim, esse foi um ano MUITO pesado.
carreguei muito peso nas costas.
 e eu não quero isso.
eu só quero ser plena.
eu só quero ser livre.
eu só quero sorrir um sorriso de verdade, não daquele que eu treino no espelho e te engano muito bem.
eu digo pra mim mesma que tudo está bem, quando não está, mas é por querer que tudo realmente fique bem que eu insisto tanto nessa mentira que tento acreditar.
eu fecho os olhos novamente, igual eu fiz no momento dos fogos, em dois mil e dez, e só peço para que tudo seja diferente em dois mil e onze.
eu não quero sentir dor, eu não quero chorar, eu não quero ficar sem tem pra onde ir...
quero apenas ficar próximo das pessoas que gostam realmente de mim: minha família e meus amigos.
e parar de procurar.
essa procura pelo que não sei o que é que me faz sentir o que eu não preciso sentir.
é o que me faz andar para trás quando penso estar andando em frente.
é o que me faz andar em círculos.
e voltar para mesmo lugar.
talvez não com a mesma companhia, mas o mesmo lugar.
eu tenho que parar de buscar.
tenho que parar de sofrer por antecipação.
para dois mil e onze não haverá planos, nem pedidos, afinal, do futuro eu não sei.
ninguém sabe, nem pode prever.
não há o que dizer sobre o que há de vir.
não há certeza.
eu não tenho e nem quero tê-la.
quero apenas viver.
com ou sem friozinho na barriga, mas ficar em paz.
e andar pra frente.
sem olhar pra trás.


ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=jduFDgIr598


há muito mais para dizer, mas foram essas as únicas palavras que minha fraca voz me permitiu gritar. ademais, cansei. chega de reclamar da vida que, por sinal, é muito boa: trabalho, estudo, família e amigos. alguém precisa de mais? para o resto, dá-se um jeito. apenas um desabafo. todo mundo precisa disso, um dia, quem sabe (ou não!).

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

domingo, 26 de dezembro de 2010

me chamem de Maria

Olha Maria (Buarque, Jobim e Moraes)



Olha Maria
Eu bem te queria
Fazer uma presa
Da minha poesia
Mas hoje, Maria
Pra minha surpresa
Pra minha tristeza
Precisas partir
Parte, Maria
Que estás tão bonita
Que estás tão aflita
Pra me abandonar
Sinto, Maria
Que estás de visita
Teu corpo se agita
Querendo dançar
Parte, Maria
Que estás toda nua
Que a lua te chama
Que estás tão mulher
Arde, Maria
Na chama da lua
Maria cigana
Maria maré
Parte cantando
Maria fugindo
Contra a ventania
Brincando, dormindo
Num colo de serra
Num campo vazio
Num leito de rio
Nos braços do mar
Vai, alegria
Que a vida, Maria
Não passa de um dia
Não vou te prender
Corre, Maria
Que a vida não espera
É uma primavera
Não podes perder
Anda, Maria
Pois eu só teria
A minha agonia
Pra te oferecer

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

"Agora faz frio. Minha mãos estão tão geladas e úmidas quanto a do rapaz da noite anterior. Eu não ligo. Já não me importo com tantas coisas.. Por vezes me pergunto onde estão minhas vontades. O que realmente me faz seguir em frente? Teimosia. Essa coisa de querer continuar mesmo com todas as cicatrizes doloridas e sangrando por dentro. E por fora. Essa mania em gritar a dor aos quatro, dez, mil ventos. Apesar de saber que ninguém vai ouvir. E, se escutar, não vão parar. A estrada é longa demais, é sinuosa demais. Ninguém pode se dar ao luxo de não seguir. Em frente, pros lados.. A única coisa não permitida é andar para trás. Ou ficar parado." 


Retirado daqui: http://debie-ramos.blogspot.com/

domingo, 19 de dezembro de 2010

Não, eu não sou insensível. Nem fria. Saibam: dentro de mim (ainda) existe um coração.  Um coração que pulsa. Fraco. E grita. E quer. E sonha. Pouco.


Tatuagem (ontem).

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

o problema não é terminar, é recomeçar

tempo

estou com saudade de você, mas não posso te dizer, pois é tarde.
estou com vontade de dizer tudo o que eu sonho para nós, mas não posso, pois ainda é cedo.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

estarei vendo o mesmo horizonte?

mas é que você é assim, tão distante,
e olha pra tão longe mesmo eu estando ali, tão perto
o horizonte das tuas vistas são pra lá da minha vida
e esse seus olhos apertados, com brilho fosco,
olhos que não vêem, negligentes aos meus...
teimam em enxergar somente no escuro,
mas no escuro, que eu não vou e nem enxergo,
você já está só.
eu que já te beijei e que aturei o cheiro do cigarro ruim,
não posso mais aturar esse seu vazio cheio de desgosto,
porque dói tanto e é tão difícil,
que começo mesmo – ou já termino? – a desistir!
e eu tentei – um par de vezes!
mas chega aquela hora,
aquele minutinho safado do pré-dormir,
que a gente sente vontade de sumir...
não não não! a gente sente vontade que você suma!
e é um peso a menos.
e é tão bom viver sem ter que entrar no esgoto para te buscar!
mas, em simultâneo, bate a vergonha, ou a culpa, ou o desespero
e cadê você aqui?!
ninguém viu, ninguém vê, ninguém quer ver.
e lá no fundo, eu que já estive ao seu lado, tive medo.
não do que é, mas do que pode ser.
e aquele medo foi um fracasso e tanto,
e tanto fracasso pra que?
é tanta dúvida, e tanta raiva,
que me pergunto se você acredita mesmo,
no auge de seus delírios,
que és o único que sente o mundo desabando.
e sei que não, que é tudo vício.
e que criado neste molde,
todo infortúnio lhe parece perfeito,
e encaixa na vida errante que escolheu ou finge que escolheu, ou acolheu.
mas escolher é a última palavra de teu vocabulário,
pois não escolhe nada, nem mesmo o gozo que te possui.
e acolher é um aprendizado de dia-a-dia,
que custa,
e que já inicias enquanto eu tremo.
e quando lembro, ou quando sei,
que pela primeira vez o pranto é quase público,
e é por mim,
fico assim, em estado apático,
pois a casa, o jardim e a alma que tuas lágrimas querem regar são as mesmas.
mas quando bate o medo, fica tudo cinzento,
e eu já começo a esquecer.
e esquecer é tão banal,
que assim, sendo eu e você um par tão diferente, não quero entregar o ouro,
pois o diferente continua sendo eu, que vê saída.
e a saída parece estar tão longe,
além de caminhos tortuosos, áridos, secos, tristes e desafortunados,
que eu baixo os olhos para as pedras pequenas do próximo chão e penso:
“estarei vendo o mesmo horizonte?”.
mas não vejo.
baixo a cabeça.
as lágrimas aquecem minhas mãos.
...

___


Texto escrito por Marco Aurélio, que arrancou as palavras mais secretas do meu coração.
Pra viver bem, feliz e sozinha terei que aprender a lavar a louça.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

sonho impossível

Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer
O inimigo invencível
Negar
Quando a regra é vender
Sofrer
A tortura implacável
Romper
A incabível prisão
Voar
Num limite improvável
Tocar
O inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Achei você no meu jardim...

Tentar escrever sobre o que a gente sente e não sabe dizer é, realmente, complicado. Tentar escrever sobre o que a gente sente, sente de verdade, e quer gritar para o mundo inteiro é, realmente, muito fácil. E fazia muito tempo que eu não tinha tanta facilidade para escrever! Hoje, e espero que para sempre, esse post é pra você.
Eu sei, eu sei que nem sempre a vida nos é suave e que nem sempre a luz brilha forte, mas também sei que se formos fortes a luz voltará a brilhar, reluzente como jamais foi. E eu me esforçarei, pois quero cuidar de você para me sentir segura. Mais que isso, quero cuidar de você porque o amo por inteiro, amo só você, com cem por cento de mim, com cem por cento do meu melhor.


Achei você no meu jardim entristecido, coração partido, bichinho arredio. Peguei você pra mim, como a um bandido, cheio de vícios e fiz assim, fiz assim. Reguei com tanta paciência, podei as dores, as mágoas, doenças, que nem as folhas secas vão embora, eu trabalhei. Fiz tudo, todo meu destino, eu dividi, ensinei de pouquinho gostar de si, ter esperança e persistência sempre. A minha herança pra você é uma flor com um sino, uma canção, um sonho, nem uma arma ou uma pedra eu deixarei. A minha herança pra você é o amor capaz de fazê-lo tranqüilo, pleno, reconhecendo o mundo o que há em si. E hoje nos lembramos sem nenhuma tristeza dos foras que a vida nos deu, ela com certeza estava juntando você e eu. Achei você no meu jardim...