quinta-feira, 30 de setembro de 2010

lembre sempre que, assim como nos quadrinhos, a vida também é arte e espero que pra nós ela seja... sequencial!

domingo, 26 de setembro de 2010

tudo o que mais quero é fechar meus olhos e deixar você me conduzir pela mão para um caminho bom, mas...

quanto mais eu me afasto,
mais você se aproxima.
quanto mais eu me aproximo,
mais você se afasta.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

nothing came out

só porque eu não digo nada
não quer dizer que eu não gosto de você
eu abro minha boca e tento
mas as palavras não saem
e tudo o que eu quero é andar de bicicleta com você
e ficarmos acordados até tarde e assistindo desenho
ficarmos acordados até tarde e talvez te beijar
eu quero ver desenho com você
eu quero que você veja desenhos comigo

domingo, 19 de setembro de 2010

você disse "eu te amo"?
você disse "eu não quero nunca viver sem você"?
você disse "você mudou a minha vida"?
você disse?
faça um plano. mas sempre, agora e novamente, olhe em volta. tudo pode ir embora amanhã. apenas diga.
ter meus amigos comigo
quem amo me amando, sim
longe do amor de quem não sabe amar

terça-feira, 14 de setembro de 2010

domingo, 12 de setembro de 2010

"Não sei, não sei. Mas sei que se sobreviver e acordar, não terá ninguém. E você pode ajudá-lo. E você pode ter alguém. É muito melhor ter alguém. Mesmo se isso for difícil. Mesmo se for a coisa mais dolorosa a ser feita. Mesmo se for a coisa mais dolorosa a ser feita na sua vida. Acho que é melhor ter alguém. (...) Então, de alguma forma, e quando menos se espera, o mundo volta a se endireitar."

Ondas, escritas por J.

Vamos surfar? Você convida, absorto. Mas não estende a mão de verdade, ainda que ensaie o movimento.
Antes, observa. Não gosta de empolgar-se com nada. Nem de parecer indispensável. Quase consigo ouví-lo pensar: Não posso deixar que dependa de minha mão.
É uma perspectiva interessante, sorver o caos, como nos quadrinhos. Talvez, se eu pudesse voar e andar de máscaras, parecesse mais legal subir na gágula mais feia do prédio mais alto do dia mais frio. Olhar o caos como quem sabe que precisa dele como precisa de pulmões.
(Eu não preciso de coração, sério!)
Mas eu não uso máscaras. (E aqui, você ri)
Ok, eu uso, mas elas estão muito grudadas na minha pele. Pouca gente vê, afinal, a ninguém interessa. Mas faz parte da mentira afirmar coisas como essa. Elas sustentam a máscara. Ela dói menos quando a gente treina em fazê-la sumir. Ainda que seja tudo mentira, todo mundo toma sua pílula vermelha, religiosamente.
E hoje eu brinquei de coisas feias, admitindo que o que faço e me dá identidade (e aqui, você gargalha, pois é mais fácil tecer nuvens do que a identidade realmente existir) Enfim, hoje eu menti, pisei no altar mais sagrado, cuspi nos segredos mais secretos, no curto espaço de um minuto.
Nada importa mesmo. Mas não contei a ninguém que ando profanando os segredos. Apenas o fiz, com a certeza de que nada, ninguém e coisa nenhuma vai saber.
De certa forma, matei. Uma ilusão, mas uma das poucas que me mantinha na ilusão da integridade. Foi como engolir lama. Essa, que eu posso ver de onde eu estou e suja tudo.
O universo é bege.
A gente é que brinca de classificar as cores.
Mas tudo é uma cor só, e uma tão sem graça e suja. Bege.
E eu não posso contar a ninguém do par de olhos sérios. Me pediu para destruir sua inocência. Na verdade, não foi isso que pediu, eu nem mesmo ouso repetir as palavras.
Mas eu só sei atirar as pessoas na lama mais suja. Não importa o que peça. No fim, vou apagar a luz da íris mais linda.
E por que?
Foi o que fizeram com a minha. Apagaram, devagar. Era para garantir que não sobrasse brasa.
Agora tudo é oco, e o universo é bege. Não sei se eu consigo surfar no caos. Só vejo lama, e ela me afunda, paralisa.
(Aqui, você me olha como aquele que sabe, exatamente, o lugar onde eu estou)
Eu não posso nem contar a ninguém do buraco de céu. Da íris mais linda. Eu já a fiz chorar. E vou fazer de novo. Pq errei uma vez.
E não existe borrão para o povo da lama.
(eu já disse que não preciso de coração?)
Eu o perdi, da última vez em que caí.
É por isso que me ofereceram um, agora. Meu dedos se esticam, mas não alcançam. Eu não saberia o que fazer, no fim, com isso.
Eu poderia devorar. Apagar a luz aí dentro, é o que todos fazem.
Mas meus dentes não conseguem mastigar.
Só vai sobrar a dor da máscara, que é minha, por nada poder contar. Nunca. A ninguém.
Eu perdi isso tambem, sabes?
A ilusão que alguém entenda.
Eu só não perdi a fome, que aumenta depois que se perde a luz. Talvez, justamente por que dói ainda, essa fome entranhada e escura, eu não possa devorar nada. Sobraram os arrependimentos.
E a íris linda disse que eu sou linda. Tenho direito de contar a verdade? Eu tento, mas estamos subindo a grande babel de lama. Posso tentar para sempre.
(E vc chora, por que sabe que é verdade, mas eu não deveria ter dito)
Talvez, um dia, maldita entre os malditos, eu possa subir e achar beleza em minha dor.
E a verdadeira beleza em aceitar que só há sujeira possa me impedir de engolir mais lama.
Ou me dê a ilusão de que a lama é doce, que o universo não é bege, mas é um grande arco-iris.
Não quero a ilusão, ela dura o tanto de um comercial de TV.
Eu queria o mar, mas meus calcanhares pesam com as coisas que eu escolhi, as que não quero, as que não largo pq foram tatuadas enquanto mentiam.
Não posso nem reclamar, pois aceitei alegremente.
E agora, alegremente me corrigem enquanto eu conto as verdades.
Choro pelo azul. Queria merecer o azul. Queria não pintar mais nada do bege-lama do universo.
As ondas podem ser azuis? Mesmo que muito escuras?
As cores não existem, são só nuances de um desejo.
O mesmo, normalmente.
E é nessa hora que eu devia rir. Embora não saiba se estou feliz.
.
Leia mais sobre/de J. aqui: http://cornucopiaj.blogspot.com/

sábado, 11 de setembro de 2010

Brincando com palavras alheias, como se fossem minhas

infelizmente, quanto mais as coisas mudam, mais elas parecem iguais, e não importa o quanto algo está nos machucando, às vezes... deixar isso pra lá dói mais ainda. 
quando alguém nos machuca, queremos machucá-lo de volta. quando alguém erra conosco, queremos estar sempre certos. mas, sem perdão, antigos placares nunca empatam, as velhas feridas nunca se fecham, e o máximo que podemos é esperar que, um dia, tenhamos a sorte de esquecer. e viver. mas, infelizmente, quanto mais as coisas mudam, mais elas parecem iguais: as histórias são sempre as mesmas. 

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Blue Bird, Charles Bukowski

“Pássaro Azul"
- Charles Bukowski
(Bluebird)

Em meu coração existe
um pássaro, que quer sair
mas sou mais forte que
ele

Eu falo "fica aí
dentro,
eu não vou deixar
ninguém te ver"

Em meu coração existe
um pássaro, que quer sair

mas eu taco uísque
nele e respiro fumaça de cigarro
e as putas e os bar men
e as caixas do mercado
nunca sabem que ele
está aqui dentro

Em meu coração existe
um pássaro, que quer sair
mas sou mais forte que
ele

Eu falo "fique aí,
você quer me pôr em apuros?"
"você quer
estragar meus trabalhos?"
"você quer
estragar as vendas dos meus livros na Europa?"

Em meu coração existe
um pássaro, que quer sair

mas eu sou mais
esperto,
só deixo ele sair de
noite, às vezes
quando todos estão
dormindo

Eu falo "sei que
você está aí, então não fique triste"
daí o ponho de volta,
mas ele ainda canta um pouco aqui dentro,
Eu não o deixei morrer
totalmente.

e a gente dorme junto
desse jeito
com nosso pacto secreto
e é bacana o
suficiente para fazer um homem chorar

mas eu não choro,
você chora?

domingo, 5 de setembro de 2010

Apenas um segundo

Apenas um segundo! Olhar para mim mesma por mais tempo, numa dessas, abriria meus olhos. E eu não quero ver! Não quero enxergar tudo aquilo que com tanto esforço, e com as mãos nos olhos, eu tento encobrir. Não quero e nem posso saber onde venho errando. Viver na ignorância é um impulso adiante. E andar sempre em frente, mesmo sem saber para onde ir, é o desejo de qualquer pessoa, inclusive o meu.
chega uma hora,
uma hora como agora,
em que é preciso sangue.






(o meu, principalmente)