terça-feira, 27 de abril de 2010

Era uma vez um arco-íris de três cores e meia, apenas. Certo dia, sem esperar, devagarzinho, apareceu alguém trazendo um pincel e um montão de tinta e fez de um desbotado arco-íris de três cores e meia um arco-íris de sete cores fortes, bem fortes, e irradiantes.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

de
deva
devagar
devagazinho
devagar
deva
de
bate meu coração

rápi
rápido
rapidinho
rápido
rápi

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Proximidade e distância, presença e ausência. Seriam todos pesos da mesma balança? Não há um sem o outro? Não há você sem o outro?"
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Marco Aurélio

quinta-feira, 22 de abril de 2010

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Ficar cara à cara com o espelho e não se reconhecer é o sabor mais amargo que já senti.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

"(...) o pior vento é a brisa que vem de dentro. " (Babiuki, 2010)
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Não sei até que ponto gosto desta brisa, só sei que ela faz com que eu me sinta viva.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Tem gente que...

... olha bem dentro do preto do olho, outros desviam o olhar.
... sussurra baixinho no ouvido, outros enchem os pulmões.
... toca sutilmente, outros abraçam com força de urso polar.
... sente o que nunca sentiu, outros nunca irão entender do que se trata.
... mergulha fundo, outros só molham a pontinha dos pés na piscina.
Já eu, para demonstrar meus sentimentos, só sei escrever.
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"Fazer da sua dor um poema ou um romance - foi, sem dúvida, para muitos artistas um modo de anestesia sentimental." Febvre.

Um pequeno diálogo:

_ Hoje eu entendo porque você escreve no blog, Ana. Talvez porque escrevendo eu grito uma força sem som. O meu coração está aflito por observar, observar e sempre observar... Observo tanto o mundo, as pessoas, as formas, as funções, que estou a ponto de matar meu coração. Meu coração que já não sente tanto o que sentia antes, meu coração que é inquieto para algumas coisas e quieto para outras... Não é mais pelo que passou ou pelo que ainda está por vir, já é pelo agora, por observar que o meu agora não está fazendo mais sentido, que ser observadora para não pisar em chão de lama não faz mais sentido, porque por mais que tudo esteja seco, vem a tempestade e molha tudo...
_ Ai, Ju, me vejo tanto em suas palavras... Tem horas que dá vontade de não ser o que somos. Dói tanto ser assim, fazer-se de forte o tempo todo. Tem horas que eu não quero ser forte, e é bem nessa hora que me faz falta o que eu evito tanto: o amor. Viver sozinha é algo com o qual nos acostumamos e vida sem amor é apenas existência. E eu? Eu quero vida! Sabe o que falta à nós?
_ Hum... Não.
_ Nos permitirmos à felicidade. Nos permitirmos, pelo menos uma vez, ao amor.

Escrito por Ana e Juliana, às 00:51 de terça-feira, dia 12 de abril de 2010.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Uma vez, não há muito tempo, eu senti frio na barriga. Frio na barriga e pernas trêmulas. Esses, julgava eu, seriam os sintomas de estar próximo ao amor. Mas chega um dia, que o coração para de bater forte e o frio na barriga, com os tremiliques de pernas e mãos, vão embora e, com eles, você percebe que o amor também se foi.
Uma vez, não há muito tempo, eu senti algo diferente, mas tenho certeza de que não se tratava de frio na barriga, nem tremedeiras, nem de mãos suadas. O que eu senti não era algo forte, do tipo avassalador, mas era algo que, desde o início, eu não queria me ver sem. O que eu senti era uma insegurança que me fazia bem, que tirava os meus pés do chão e trazia gostinho de incerteza. O que eu senti, tenho certeza, ainda não era o amor, mas me fazia sorrir, me fazia feliz e trazia cor, muita cor.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Condicional, Los Hermanos

Quis nunca te perder
Tanto que demais
Via em tudo o céu
Fiz de tudo o cais
Dei-te pra ancorar
Doces deletérios

Eu quis ter os pés no chão
Tanto eu abri mão
Que hoje eu entendi
Sonho não se dá
É botão de flor
O sabor de fel
É de cortar.

Eu sei é um doce te amar
O amargo é querer-te pra mim
O que eu preciso é lembrar, me ver
Antes de te ter e de ser teu, muito bem

Quis nunca te ganhar
Tanto que forjei
Asas nos teus pés
Ondas pra levar
Deixo desvendar
Todos os mistérios

Sei, tanto te soltei
Que você me quis
Em todo lugar
Lia em cada olhar
Quanta intenção
Eu vivia preso

Eu sei, é um doce te amar
O amargo é querer-te pra mim
Do que eu preciso é lembrar, me ver
Antes de te ter e de ser teu
O que eu queria, o que eu fazia, o que mais?
Que alguma coisa a gente tem que amar, mas o quê?
Não sei mais

Os dias que eu me vejo só
São dias que eu me encontro mais
E mesmo assim eu sei tão bem
existe alguém pra me libertar.