quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

texto clichê e repleto de mimimi de final de ano


ano passado, durante os fogos, eu pedi renovação!
pulei as sete ondas e em todas o mesmo pedido: felicidade.
no meu caso, felicidade era renovação.
eu não queria mais chorar por um amor que já havia morrido. 
no momento dos fogos eu decidi: eu queria conhecer o novo, me apaixonar e deixar de viver o presente pelo passado.
eu queria viver.
eu queria sentir aquele friozinho na barriga e o coração batendo mais forte.
e eu fui viver.
vivi intensamente um mês e sete dias após os fogos.
nesse período conheci uma pessoa pela qual me apaixonei e me fez sentir que as coisas poderiam, desta vez, ser diferentes. mas não houve tempo...
sofri um acidente de moto: onze pontos no rosto, múltiplas micro-fraturas no seio da face, fraturei o nariz, quebrei alguns dentes e a escápula direita, tive um derrame no olho esquerdo e alguns arranhões.
todas a projeções feitas no dia dos fogos tinham escorrido da minha mão como se fossem água.
e foram ralo abaixo.
foram quinze dias de molho (na verdade eram para ser quarenta, mas não podia faltar mais de quinze dias de trabalho para não ser demitida, nem perder as aulas que começavam dia vinte e dois de fevereiro).
e nesse momento, repleto de consultas médicas e remédios, eu ficava imaginando o que estava acontecendo lá fora, enquanto eu não podia nem sequer tomar um banho ou me alimentar.
sentia as pessoas queridas se afastando de mim (e eu delas. nos momentos tristes é que, realmente, percebemos quem são nossos verdadeiros amigos!).
quinze dias após o acidente, exatamente no dia vinte e dois de fevereiro, eu retornei às minhas atividades regulares.
ainda estava cheia de hematomas, mas fui à universidade.
e, como eu já previa, algumas pessoas, uma em especial - nesse momento -, se afastaram.
mais que isso, eu me afastei das pessoas.
eu que sempre fui auto-confiante, me sentia o pior dos seres humanos.
é lógico que sei das minhas qualidades intelectuais, mas a aparência é algo que mexe, profundamente com a gente - ou comigo.
ao longo das atividades que, na universidade, vão se intensificando dia após dia, todas as tristezas foram sendo, gradualmente, deixadas de lado.
tornei-me ambidestra, inclusive, pois é, o músculo do braço esquerdo atrofiou e eu não tinha forças para levar o garfo à boca, por exemplo. (um adentro: o mais legal de tudo isso é que eu tenho um primo fisioterapeuta que nem se ofereceu para me ajudar. bacana, né?!)
enfim, a gente se adapta.
tudo que acontece, por mais difícil que possa parecer, é passível de adaptação.
e eu tenho essa facilidade.
com o tempo, já não achava meu nariz tão torto, nem as cicatrizes tão avermelhadas.
fui me sentindo gente novamente.
fui tentando, lentamente, relembrar o que pedi no momento dos fogos.
e assim, sem eu esperar, nem desejar, algo aconteceu: meu coração bateu diferente.
não era forte como das outras vezes, nem acelerado.
só era diferente.
e eu queria que perdurasse.
foi o relacionamento mais intenso que já tive.
posso, com certeza, dizer que fui muito feliz, muito mesmo.
pena que fui feliz em tão poucos momentos, porque na maioria do tempo que passávamos juntos eram de tristezas.
e como doeu.
e ainda dói.
eu tenho me calado desde que acabou, mas essa história de fazer o "balanço" do ano me devolveu um pouco da voz.
 eu já posso sussurrar.
e é com esse sussurro abafado que eu grito.
com todas as forças, forças que já nem sei de onde vem, forças que eu pensei nem mais ter.
e, de novo, insisto: não quero mais chorar por um amor que já morreu.
eu só quero é ser feliz.
eu quero viver.
eu quero me sentir leve.
porque esse ano... sim, esse foi um ano MUITO pesado.
carreguei muito peso nas costas.
 e eu não quero isso.
eu só quero ser plena.
eu só quero ser livre.
eu só quero sorrir um sorriso de verdade, não daquele que eu treino no espelho e te engano muito bem.
eu digo pra mim mesma que tudo está bem, quando não está, mas é por querer que tudo realmente fique bem que eu insisto tanto nessa mentira que tento acreditar.
eu fecho os olhos novamente, igual eu fiz no momento dos fogos, em dois mil e dez, e só peço para que tudo seja diferente em dois mil e onze.
eu não quero sentir dor, eu não quero chorar, eu não quero ficar sem tem pra onde ir...
quero apenas ficar próximo das pessoas que gostam realmente de mim: minha família e meus amigos.
e parar de procurar.
essa procura pelo que não sei o que é que me faz sentir o que eu não preciso sentir.
é o que me faz andar para trás quando penso estar andando em frente.
é o que me faz andar em círculos.
e voltar para mesmo lugar.
talvez não com a mesma companhia, mas o mesmo lugar.
eu tenho que parar de buscar.
tenho que parar de sofrer por antecipação.
para dois mil e onze não haverá planos, nem pedidos, afinal, do futuro eu não sei.
ninguém sabe, nem pode prever.
não há o que dizer sobre o que há de vir.
não há certeza.
eu não tenho e nem quero tê-la.
quero apenas viver.
com ou sem friozinho na barriga, mas ficar em paz.
e andar pra frente.
sem olhar pra trás.


ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=jduFDgIr598


há muito mais para dizer, mas foram essas as únicas palavras que minha fraca voz me permitiu gritar. ademais, cansei. chega de reclamar da vida que, por sinal, é muito boa: trabalho, estudo, família e amigos. alguém precisa de mais? para o resto, dá-se um jeito. apenas um desabafo. todo mundo precisa disso, um dia, quem sabe (ou não!).

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

domingo, 26 de dezembro de 2010

me chamem de Maria

Olha Maria (Buarque, Jobim e Moraes)



Olha Maria
Eu bem te queria
Fazer uma presa
Da minha poesia
Mas hoje, Maria
Pra minha surpresa
Pra minha tristeza
Precisas partir
Parte, Maria
Que estás tão bonita
Que estás tão aflita
Pra me abandonar
Sinto, Maria
Que estás de visita
Teu corpo se agita
Querendo dançar
Parte, Maria
Que estás toda nua
Que a lua te chama
Que estás tão mulher
Arde, Maria
Na chama da lua
Maria cigana
Maria maré
Parte cantando
Maria fugindo
Contra a ventania
Brincando, dormindo
Num colo de serra
Num campo vazio
Num leito de rio
Nos braços do mar
Vai, alegria
Que a vida, Maria
Não passa de um dia
Não vou te prender
Corre, Maria
Que a vida não espera
É uma primavera
Não podes perder
Anda, Maria
Pois eu só teria
A minha agonia
Pra te oferecer

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

"Agora faz frio. Minha mãos estão tão geladas e úmidas quanto a do rapaz da noite anterior. Eu não ligo. Já não me importo com tantas coisas.. Por vezes me pergunto onde estão minhas vontades. O que realmente me faz seguir em frente? Teimosia. Essa coisa de querer continuar mesmo com todas as cicatrizes doloridas e sangrando por dentro. E por fora. Essa mania em gritar a dor aos quatro, dez, mil ventos. Apesar de saber que ninguém vai ouvir. E, se escutar, não vão parar. A estrada é longa demais, é sinuosa demais. Ninguém pode se dar ao luxo de não seguir. Em frente, pros lados.. A única coisa não permitida é andar para trás. Ou ficar parado." 


Retirado daqui: http://debie-ramos.blogspot.com/

domingo, 19 de dezembro de 2010

Não, eu não sou insensível. Nem fria. Saibam: dentro de mim (ainda) existe um coração.  Um coração que pulsa. Fraco. E grita. E quer. E sonha. Pouco.


Tatuagem (ontem).

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

o problema não é terminar, é recomeçar

tempo

estou com saudade de você, mas não posso te dizer, pois é tarde.
estou com vontade de dizer tudo o que eu sonho para nós, mas não posso, pois ainda é cedo.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

estarei vendo o mesmo horizonte?

mas é que você é assim, tão distante,
e olha pra tão longe mesmo eu estando ali, tão perto
o horizonte das tuas vistas são pra lá da minha vida
e esse seus olhos apertados, com brilho fosco,
olhos que não vêem, negligentes aos meus...
teimam em enxergar somente no escuro,
mas no escuro, que eu não vou e nem enxergo,
você já está só.
eu que já te beijei e que aturei o cheiro do cigarro ruim,
não posso mais aturar esse seu vazio cheio de desgosto,
porque dói tanto e é tão difícil,
que começo mesmo – ou já termino? – a desistir!
e eu tentei – um par de vezes!
mas chega aquela hora,
aquele minutinho safado do pré-dormir,
que a gente sente vontade de sumir...
não não não! a gente sente vontade que você suma!
e é um peso a menos.
e é tão bom viver sem ter que entrar no esgoto para te buscar!
mas, em simultâneo, bate a vergonha, ou a culpa, ou o desespero
e cadê você aqui?!
ninguém viu, ninguém vê, ninguém quer ver.
e lá no fundo, eu que já estive ao seu lado, tive medo.
não do que é, mas do que pode ser.
e aquele medo foi um fracasso e tanto,
e tanto fracasso pra que?
é tanta dúvida, e tanta raiva,
que me pergunto se você acredita mesmo,
no auge de seus delírios,
que és o único que sente o mundo desabando.
e sei que não, que é tudo vício.
e que criado neste molde,
todo infortúnio lhe parece perfeito,
e encaixa na vida errante que escolheu ou finge que escolheu, ou acolheu.
mas escolher é a última palavra de teu vocabulário,
pois não escolhe nada, nem mesmo o gozo que te possui.
e acolher é um aprendizado de dia-a-dia,
que custa,
e que já inicias enquanto eu tremo.
e quando lembro, ou quando sei,
que pela primeira vez o pranto é quase público,
e é por mim,
fico assim, em estado apático,
pois a casa, o jardim e a alma que tuas lágrimas querem regar são as mesmas.
mas quando bate o medo, fica tudo cinzento,
e eu já começo a esquecer.
e esquecer é tão banal,
que assim, sendo eu e você um par tão diferente, não quero entregar o ouro,
pois o diferente continua sendo eu, que vê saída.
e a saída parece estar tão longe,
além de caminhos tortuosos, áridos, secos, tristes e desafortunados,
que eu baixo os olhos para as pedras pequenas do próximo chão e penso:
“estarei vendo o mesmo horizonte?”.
mas não vejo.
baixo a cabeça.
as lágrimas aquecem minhas mãos.
...

___


Texto escrito por Marco Aurélio, que arrancou as palavras mais secretas do meu coração.
Pra viver bem, feliz e sozinha terei que aprender a lavar a louça.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

sonho impossível

Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer
O inimigo invencível
Negar
Quando a regra é vender
Sofrer
A tortura implacável
Romper
A incabível prisão
Voar
Num limite improvável
Tocar
O inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Achei você no meu jardim...

Tentar escrever sobre o que a gente sente e não sabe dizer é, realmente, complicado. Tentar escrever sobre o que a gente sente, sente de verdade, e quer gritar para o mundo inteiro é, realmente, muito fácil. E fazia muito tempo que eu não tinha tanta facilidade para escrever! Hoje, e espero que para sempre, esse post é pra você.
Eu sei, eu sei que nem sempre a vida nos é suave e que nem sempre a luz brilha forte, mas também sei que se formos fortes a luz voltará a brilhar, reluzente como jamais foi. E eu me esforçarei, pois quero cuidar de você para me sentir segura. Mais que isso, quero cuidar de você porque o amo por inteiro, amo só você, com cem por cento de mim, com cem por cento do meu melhor.


Achei você no meu jardim entristecido, coração partido, bichinho arredio. Peguei você pra mim, como a um bandido, cheio de vícios e fiz assim, fiz assim. Reguei com tanta paciência, podei as dores, as mágoas, doenças, que nem as folhas secas vão embora, eu trabalhei. Fiz tudo, todo meu destino, eu dividi, ensinei de pouquinho gostar de si, ter esperança e persistência sempre. A minha herança pra você é uma flor com um sino, uma canção, um sonho, nem uma arma ou uma pedra eu deixarei. A minha herança pra você é o amor capaz de fazê-lo tranqüilo, pleno, reconhecendo o mundo o que há em si. E hoje nos lembramos sem nenhuma tristeza dos foras que a vida nos deu, ela com certeza estava juntando você e eu. Achei você no meu jardim...

sábado, 30 de outubro de 2010

A Flor

O meu amor plantou a flor e fez regar
Com pranto redentor que só quem ama
Derrama gota a gota até brotar
Em solo tão estéril, mesmo em lama...

A rosa que eu dei nome de esperança
Mas dela não tratei, não fiz podar
E rápido um espinho feito lança
Furou dois corações, os fez sangrar...

Pra que aprender eu possa a plantar
De novo aquela rosa no esteio
E se ela um dia, por acaso, germinar
Não vou deixar que ela morra no meu peito.

Rodrigo Pietrobelli.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

lembre sempre que, assim como nos quadrinhos, a vida também é arte e espero que pra nós ela seja... sequencial!

domingo, 26 de setembro de 2010

tudo o que mais quero é fechar meus olhos e deixar você me conduzir pela mão para um caminho bom, mas...

quanto mais eu me afasto,
mais você se aproxima.
quanto mais eu me aproximo,
mais você se afasta.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

nothing came out

só porque eu não digo nada
não quer dizer que eu não gosto de você
eu abro minha boca e tento
mas as palavras não saem
e tudo o que eu quero é andar de bicicleta com você
e ficarmos acordados até tarde e assistindo desenho
ficarmos acordados até tarde e talvez te beijar
eu quero ver desenho com você
eu quero que você veja desenhos comigo

domingo, 19 de setembro de 2010

você disse "eu te amo"?
você disse "eu não quero nunca viver sem você"?
você disse "você mudou a minha vida"?
você disse?
faça um plano. mas sempre, agora e novamente, olhe em volta. tudo pode ir embora amanhã. apenas diga.
ter meus amigos comigo
quem amo me amando, sim
longe do amor de quem não sabe amar

terça-feira, 14 de setembro de 2010

domingo, 12 de setembro de 2010

"Não sei, não sei. Mas sei que se sobreviver e acordar, não terá ninguém. E você pode ajudá-lo. E você pode ter alguém. É muito melhor ter alguém. Mesmo se isso for difícil. Mesmo se for a coisa mais dolorosa a ser feita. Mesmo se for a coisa mais dolorosa a ser feita na sua vida. Acho que é melhor ter alguém. (...) Então, de alguma forma, e quando menos se espera, o mundo volta a se endireitar."

Ondas, escritas por J.

Vamos surfar? Você convida, absorto. Mas não estende a mão de verdade, ainda que ensaie o movimento.
Antes, observa. Não gosta de empolgar-se com nada. Nem de parecer indispensável. Quase consigo ouví-lo pensar: Não posso deixar que dependa de minha mão.
É uma perspectiva interessante, sorver o caos, como nos quadrinhos. Talvez, se eu pudesse voar e andar de máscaras, parecesse mais legal subir na gágula mais feia do prédio mais alto do dia mais frio. Olhar o caos como quem sabe que precisa dele como precisa de pulmões.
(Eu não preciso de coração, sério!)
Mas eu não uso máscaras. (E aqui, você ri)
Ok, eu uso, mas elas estão muito grudadas na minha pele. Pouca gente vê, afinal, a ninguém interessa. Mas faz parte da mentira afirmar coisas como essa. Elas sustentam a máscara. Ela dói menos quando a gente treina em fazê-la sumir. Ainda que seja tudo mentira, todo mundo toma sua pílula vermelha, religiosamente.
E hoje eu brinquei de coisas feias, admitindo que o que faço e me dá identidade (e aqui, você gargalha, pois é mais fácil tecer nuvens do que a identidade realmente existir) Enfim, hoje eu menti, pisei no altar mais sagrado, cuspi nos segredos mais secretos, no curto espaço de um minuto.
Nada importa mesmo. Mas não contei a ninguém que ando profanando os segredos. Apenas o fiz, com a certeza de que nada, ninguém e coisa nenhuma vai saber.
De certa forma, matei. Uma ilusão, mas uma das poucas que me mantinha na ilusão da integridade. Foi como engolir lama. Essa, que eu posso ver de onde eu estou e suja tudo.
O universo é bege.
A gente é que brinca de classificar as cores.
Mas tudo é uma cor só, e uma tão sem graça e suja. Bege.
E eu não posso contar a ninguém do par de olhos sérios. Me pediu para destruir sua inocência. Na verdade, não foi isso que pediu, eu nem mesmo ouso repetir as palavras.
Mas eu só sei atirar as pessoas na lama mais suja. Não importa o que peça. No fim, vou apagar a luz da íris mais linda.
E por que?
Foi o que fizeram com a minha. Apagaram, devagar. Era para garantir que não sobrasse brasa.
Agora tudo é oco, e o universo é bege. Não sei se eu consigo surfar no caos. Só vejo lama, e ela me afunda, paralisa.
(Aqui, você me olha como aquele que sabe, exatamente, o lugar onde eu estou)
Eu não posso nem contar a ninguém do buraco de céu. Da íris mais linda. Eu já a fiz chorar. E vou fazer de novo. Pq errei uma vez.
E não existe borrão para o povo da lama.
(eu já disse que não preciso de coração?)
Eu o perdi, da última vez em que caí.
É por isso que me ofereceram um, agora. Meu dedos se esticam, mas não alcançam. Eu não saberia o que fazer, no fim, com isso.
Eu poderia devorar. Apagar a luz aí dentro, é o que todos fazem.
Mas meus dentes não conseguem mastigar.
Só vai sobrar a dor da máscara, que é minha, por nada poder contar. Nunca. A ninguém.
Eu perdi isso tambem, sabes?
A ilusão que alguém entenda.
Eu só não perdi a fome, que aumenta depois que se perde a luz. Talvez, justamente por que dói ainda, essa fome entranhada e escura, eu não possa devorar nada. Sobraram os arrependimentos.
E a íris linda disse que eu sou linda. Tenho direito de contar a verdade? Eu tento, mas estamos subindo a grande babel de lama. Posso tentar para sempre.
(E vc chora, por que sabe que é verdade, mas eu não deveria ter dito)
Talvez, um dia, maldita entre os malditos, eu possa subir e achar beleza em minha dor.
E a verdadeira beleza em aceitar que só há sujeira possa me impedir de engolir mais lama.
Ou me dê a ilusão de que a lama é doce, que o universo não é bege, mas é um grande arco-iris.
Não quero a ilusão, ela dura o tanto de um comercial de TV.
Eu queria o mar, mas meus calcanhares pesam com as coisas que eu escolhi, as que não quero, as que não largo pq foram tatuadas enquanto mentiam.
Não posso nem reclamar, pois aceitei alegremente.
E agora, alegremente me corrigem enquanto eu conto as verdades.
Choro pelo azul. Queria merecer o azul. Queria não pintar mais nada do bege-lama do universo.
As ondas podem ser azuis? Mesmo que muito escuras?
As cores não existem, são só nuances de um desejo.
O mesmo, normalmente.
E é nessa hora que eu devia rir. Embora não saiba se estou feliz.
.
Leia mais sobre/de J. aqui: http://cornucopiaj.blogspot.com/

sábado, 11 de setembro de 2010

Brincando com palavras alheias, como se fossem minhas

infelizmente, quanto mais as coisas mudam, mais elas parecem iguais, e não importa o quanto algo está nos machucando, às vezes... deixar isso pra lá dói mais ainda. 
quando alguém nos machuca, queremos machucá-lo de volta. quando alguém erra conosco, queremos estar sempre certos. mas, sem perdão, antigos placares nunca empatam, as velhas feridas nunca se fecham, e o máximo que podemos é esperar que, um dia, tenhamos a sorte de esquecer. e viver. mas, infelizmente, quanto mais as coisas mudam, mais elas parecem iguais: as histórias são sempre as mesmas. 

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Blue Bird, Charles Bukowski

“Pássaro Azul"
- Charles Bukowski
(Bluebird)

Em meu coração existe
um pássaro, que quer sair
mas sou mais forte que
ele

Eu falo "fica aí
dentro,
eu não vou deixar
ninguém te ver"

Em meu coração existe
um pássaro, que quer sair

mas eu taco uísque
nele e respiro fumaça de cigarro
e as putas e os bar men
e as caixas do mercado
nunca sabem que ele
está aqui dentro

Em meu coração existe
um pássaro, que quer sair
mas sou mais forte que
ele

Eu falo "fique aí,
você quer me pôr em apuros?"
"você quer
estragar meus trabalhos?"
"você quer
estragar as vendas dos meus livros na Europa?"

Em meu coração existe
um pássaro, que quer sair

mas eu sou mais
esperto,
só deixo ele sair de
noite, às vezes
quando todos estão
dormindo

Eu falo "sei que
você está aí, então não fique triste"
daí o ponho de volta,
mas ele ainda canta um pouco aqui dentro,
Eu não o deixei morrer
totalmente.

e a gente dorme junto
desse jeito
com nosso pacto secreto
e é bacana o
suficiente para fazer um homem chorar

mas eu não choro,
você chora?

domingo, 5 de setembro de 2010

Apenas um segundo

Apenas um segundo! Olhar para mim mesma por mais tempo, numa dessas, abriria meus olhos. E eu não quero ver! Não quero enxergar tudo aquilo que com tanto esforço, e com as mãos nos olhos, eu tento encobrir. Não quero e nem posso saber onde venho errando. Viver na ignorância é um impulso adiante. E andar sempre em frente, mesmo sem saber para onde ir, é o desejo de qualquer pessoa, inclusive o meu.
chega uma hora,
uma hora como agora,
em que é preciso sangue.






(o meu, principalmente)

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

sábado, 21 de agosto de 2010

Chega uma hora...

...em que você cansa. Cansa de se preocupar, cansa de tentar agradar, cansa de fazer tudo certo, de ser bonzinho e politicamente correto. Mas, não sei porquê, eu continuo me preocupando, agradando, fazendo tudo certinho, sendo boazinha e politicamente correta.
.
Alguém me explica o porquê?

Algumas das (nossas) verdades:

A música abaixo, intitulada "A Outra", escrita por Marcelo Camelo, merece uma reflexão: quem, de fato, seria "a outra"? Relativize e reflita!
.
Paz, eu quero paz
Já me cansei de ser a última a saber de ti
Se todo mundo sabe quem te faz
chegar mais tarde
Eu já cansei de imaginar você com ela
Diz pra mim
se vale a pena, amor
A gente ria tanto desses nossos desencontros
Mas você passou do ponto
e agora eu já não sei mais...
.
Eu quero paz
Quero dançar com outro par
pra variar, amor
Não dá mais pra fingir que ainda não vi
As cicatrizes que ela fez
Se desta vez
ela é senhora deste amor
Pois vá embora, por favor
Que não demora pra essa dor
sangrar.

apenas mais um ditado de vó...

"Não adianta acender vela para santo que não faz milagre!"

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

apenas mais uma canção...

Noite cai
Então o que chegou?
Noite vai
Então o que sobrou
Do olhar seguro e das promessas que eu ouvi
De amar, de ser um só, de nunca desistir?
.
Não me escondo do medo de não me reerguer
Do silêncio de uma vida sem você,
De tudo o que faltou ser.
Não me escondo do medo de não me reerguer
Do silêncio de uma vida sem você,
De tudo o que faltou ser.
.
Noite cai,
Por que não traz pra mim?
Noite vai,
Não leva o que eu vivi.
Enquanto, mesmo longe, eu te sentia aqui,
Enquanto a verdade soube conduzir.
.
Não me escondo do medo de não me reerguer
Do silêncio de uma vida sem você,
De tudo o que faltou ser.
Não me escondo do medo de não me reerguer
Do silêncio de uma vida sem você,
De tudo o que faltou ser.
.
Se tudo o que eu sou
Foi sempre seu.
E agora?
Você levou tudo o que eu sabia de mim.
E agora?
.
Não me escondo do medo de não me reerguer
Do silêncio de uma vida sem você,
De tudo o que faltou ser.
Não me escondo do medo de não me reerguer
Do silêncio de uma vida sem você,
De tudo o que faltou ser.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

"(...) O que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto de um modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão." - C. Lispector

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

se a vida começar a ficar muito pesada...
se os contras forem maiores que os prós...
casque fora.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Nada por mim

Você me tem fácil demais
Mas não parece capaz
De cuidar do que possui
(...)
Você me diz o que fazer
Mas não procura entender
Que eu faço só pra te agradar
Me diz até o que vestir
Com quem andar e aonde ir...

domingo, 27 de junho de 2010

sábado, 26 de junho de 2010

Onde você está agora, meu anjo?
Você não me vê chorando?
E eu sei que você não pode fazer tudo
mas você não pode dizer eu não estou tentando

OUÇA

Tem gente que... [02]

... olha bem dentro do preto do olho, outros desviam o olhar.
... sussurra baixinho no ouvido, outros enchem os pulmões.
... toca sutilmente, outros abraçam com força de urso polar.
... sente o que nunca sentiu, outros nunca irão entender do que se trata.
... mergulha fundo, outros só querem desmergulhar.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O que eu entendo é que se possa olhar dentro dos olhos de alguém, e de repente, perceber que a vida seria impossível sem essa pessoa. Saber que a voz dela pode fazer o coração bater mais depressa e que a companhia dela é tudo o que a nossa felicidade deseja, e que a ausência dela deixará nossa alma só, perdida e despojada.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Frente, Bizarre Love Triangle

Toda vez que penso em você
Eu sinto passar por mim
Um raio de tristeza
Não é um problema meu
Mas é um problema que eu achei
Vivendo esta vida que não posso deixar para trás
Não faz sentido em me dizer
Que a sabedoria de um tolo não vai te libertar
Mas é assim que as coisas são
E é o que ninguém sabe
E a cada dia que passa minha confusão cresce
Toda vez que te vejo caindo
Eu fico de joelhos e rezo
Estou esperando pelo momento final
Quando você dirá as palavras que não posso dizer
Eu me sinto muito bem
Eu me sinto como nunca deveria me sentir
E quando eu fico assim
Eu simplesmente não sei o que dizer
Porque não podemos ser nós mesmos
Da mesma forma que fomos no passado
Eu não tenho certeza do que isso significa
Eu não acho que você é o que parece
E na verdade admito para mim mesmo
Que se eu machucar outra pessoa
Eu jamais verei
O que na verdade deveríamos ter sido
Toda vez que te vejo caindo
Eu fico de joelhos e rezo
Estou esperando pelo momento final
Quando você dirá as palavras que não posso dizer
Toda vez que te vejo caindo
Eu fico de joelhos e rezo
Estou esperando pelo momento final
Quando você dirá as palavras que não posso dizer
.
.
.
Veja/Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=IJ1c9ErCn7w

domingo, 16 de maio de 2010

As coisas são tão mais lindas...

"Entre as coisas mais lindas que eu conheci
Só reconheci suas cores belas quando eu te vi
Entre as coisas bem-vindas que já recebi
Eu reconheci minhas cores nela então eu me vi

Está em cima com o céu e o luar
Hora dos dias, semanas, meses, anos, décadas
E séculos, milênios que vão passar
Água-marinha põe estrelas no mar
Praias, baías, braços, cabos, mares, golfos
E penínsulas e oceanos que não vão secar

E as coisas lindas são mais lindas
Quando você está
Onde você está
Hoje você está
Nas coisas tão mais lindas
Porque você está
Onde você está
Hoje você está
Nas coisas tão mais lindas"
.
... com ele.

terça-feira, 11 de maio de 2010

11 de maio de 2010 - à noite

Ainda no começo, quando o coração batia sem ritmo, eu já o observava: olhava, com atenção, por exemplo, os movimentos com os quais ele cruzava os abraços e como, timidamente, desviava o olhar. Eu ainda não o conhecia e o queria ainda mais por isso.
Gostaria de chegar mais perto, mas não sabia como. As palavras vinham a mim, mas me escapavam feito água escorrendo pelos dedos. Permaneci calada. Enquanto isso, eu continuava a observá-lo. Com o tempo, decorei seu horário de chegada e secretamente o esperava. Quanto mais perto da hora d’ele chegar mais meu coração ficava agitado. Foi, então, que eu comecei a entender o que estava acontecendo.
Num dia qualquer, daqueles que você não espera nada, ele chegou mais perto. Estavam todos ali, ao redor, mas eu queria conversar somente com ele. Durante nossa conversa, descobri o preço da felicidade: era ele.
Conversamos muito naquela noite, tanto que nem sei, mas, para mim, não era suficiente. Eu queria mais. Ainda me faltava muito para saber até desvendar todo aquele mistério...
Combinamos de conversamos outra vez, no fim de semana seguinte, mas eu não consegui esperar. Longe dele o tempo passava arrastado e as horas tornavam-se horas eternas. Eu queria tê-lo comigo, mas tinha medo. Ele mantinha meus pés no ar. Todo o momento com ele era repleto de insegurança: eu nunca sabia o que ele estava pensando. Disfarcei o medo e antecipei nosso papo para o meio da semana. E como era bom estar com ele...
Nos vimos mais alguma vezes, enquanto colegas, e quando senti que aquele sentimento que compartilhávamos estava se transformando, eu quis fugir. Prometi a mim mesma me afastar. Eu já havia machucado pessoas e me machucado bastante até ali e não desejava passar por aquilo novamente. E machucá-lo seria uma dor insuportável, da qual jamais quero provar o sabor.
Tentei permanecer distante, mas quanto mais desejava me afastar mais o trazia para perto de mim, no coração. Decidi, então, me permitir. Estava cansada de fugir dos meus sentimentos. Eu sabia de que poderia me ferir, mas queria correr o risco. Por ele toda a dor valeria a pena. Eu estava apaixonada, e já não importava com o que os outros iriam pensar. Era ele.
Com o passar das conversas e das horas, que agora passavam muito rapidamente na companhia d’ele, eu pude ir juntando as peças do quebra-cabeça e, aos pouquinhos, desvendando o mistério que ele era para mim.
Quanto mais eu o conheço, mais o admiro e o quero bem. Quanto mais eu o ouço, mais aprendo sobre o que ele sabe sobre as coisas e sobre a vida. Quando mais eu fico com ele, mais eu quero ficar. Ele me traz cores, traz ritmo ao meu coração, que bate muito, muito, muito rápido.
Ele me faz forte, como o amor, e me faz querer continuar, com ele, reto toda a vida.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Era uma vez um arco-íris de três cores e meia, apenas. Certo dia, sem esperar, devagarzinho, apareceu alguém trazendo um pincel e um montão de tinta e fez de um desbotado arco-íris de três cores e meia um arco-íris de sete cores fortes, bem fortes, e irradiantes.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

de
deva
devagar
devagazinho
devagar
deva
de
bate meu coração

rápi
rápido
rapidinho
rápido
rápi

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Proximidade e distância, presença e ausência. Seriam todos pesos da mesma balança? Não há um sem o outro? Não há você sem o outro?"
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Marco Aurélio

quinta-feira, 22 de abril de 2010

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Ficar cara à cara com o espelho e não se reconhecer é o sabor mais amargo que já senti.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

"(...) o pior vento é a brisa que vem de dentro. " (Babiuki, 2010)
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Não sei até que ponto gosto desta brisa, só sei que ela faz com que eu me sinta viva.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Tem gente que...

... olha bem dentro do preto do olho, outros desviam o olhar.
... sussurra baixinho no ouvido, outros enchem os pulmões.
... toca sutilmente, outros abraçam com força de urso polar.
... sente o que nunca sentiu, outros nunca irão entender do que se trata.
... mergulha fundo, outros só molham a pontinha dos pés na piscina.
Já eu, para demonstrar meus sentimentos, só sei escrever.
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"Fazer da sua dor um poema ou um romance - foi, sem dúvida, para muitos artistas um modo de anestesia sentimental." Febvre.

Um pequeno diálogo:

_ Hoje eu entendo porque você escreve no blog, Ana. Talvez porque escrevendo eu grito uma força sem som. O meu coração está aflito por observar, observar e sempre observar... Observo tanto o mundo, as pessoas, as formas, as funções, que estou a ponto de matar meu coração. Meu coração que já não sente tanto o que sentia antes, meu coração que é inquieto para algumas coisas e quieto para outras... Não é mais pelo que passou ou pelo que ainda está por vir, já é pelo agora, por observar que o meu agora não está fazendo mais sentido, que ser observadora para não pisar em chão de lama não faz mais sentido, porque por mais que tudo esteja seco, vem a tempestade e molha tudo...
_ Ai, Ju, me vejo tanto em suas palavras... Tem horas que dá vontade de não ser o que somos. Dói tanto ser assim, fazer-se de forte o tempo todo. Tem horas que eu não quero ser forte, e é bem nessa hora que me faz falta o que eu evito tanto: o amor. Viver sozinha é algo com o qual nos acostumamos e vida sem amor é apenas existência. E eu? Eu quero vida! Sabe o que falta à nós?
_ Hum... Não.
_ Nos permitirmos à felicidade. Nos permitirmos, pelo menos uma vez, ao amor.

Escrito por Ana e Juliana, às 00:51 de terça-feira, dia 12 de abril de 2010.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Uma vez, não há muito tempo, eu senti frio na barriga. Frio na barriga e pernas trêmulas. Esses, julgava eu, seriam os sintomas de estar próximo ao amor. Mas chega um dia, que o coração para de bater forte e o frio na barriga, com os tremiliques de pernas e mãos, vão embora e, com eles, você percebe que o amor também se foi.
Uma vez, não há muito tempo, eu senti algo diferente, mas tenho certeza de que não se tratava de frio na barriga, nem tremedeiras, nem de mãos suadas. O que eu senti não era algo forte, do tipo avassalador, mas era algo que, desde o início, eu não queria me ver sem. O que eu senti era uma insegurança que me fazia bem, que tirava os meus pés do chão e trazia gostinho de incerteza. O que eu senti, tenho certeza, ainda não era o amor, mas me fazia sorrir, me fazia feliz e trazia cor, muita cor.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Condicional, Los Hermanos

Quis nunca te perder
Tanto que demais
Via em tudo o céu
Fiz de tudo o cais
Dei-te pra ancorar
Doces deletérios

Eu quis ter os pés no chão
Tanto eu abri mão
Que hoje eu entendi
Sonho não se dá
É botão de flor
O sabor de fel
É de cortar.

Eu sei é um doce te amar
O amargo é querer-te pra mim
O que eu preciso é lembrar, me ver
Antes de te ter e de ser teu, muito bem

Quis nunca te ganhar
Tanto que forjei
Asas nos teus pés
Ondas pra levar
Deixo desvendar
Todos os mistérios

Sei, tanto te soltei
Que você me quis
Em todo lugar
Lia em cada olhar
Quanta intenção
Eu vivia preso

Eu sei, é um doce te amar
O amargo é querer-te pra mim
Do que eu preciso é lembrar, me ver
Antes de te ter e de ser teu
O que eu queria, o que eu fazia, o que mais?
Que alguma coisa a gente tem que amar, mas o quê?
Não sei mais

Os dias que eu me vejo só
São dias que eu me encontro mais
E mesmo assim eu sei tão bem
existe alguém pra me libertar.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Último Cigarro

Hoje, quando cheguei em casa, fumei um cigarro para lembrar do seu gosto. Fiz todo o ritual: retirei uma unidade da carteira e apreciei o aroma, risquei o fósforo e o cheiro da pólvora tomou conta da casa. Depois acendi rapidamente o cigarro antes que a chama do palito ferisse meus dedos. Então, traguei seu gosto, sua boca e, ao respirar a fumaça, sentia seu cheiro. Era o que tenho de você em mim, em lembranças, materializado naquele cigarro. Eu estava nervosa, bastante nervosa na verdade, e, aos poucos, sentada no sofá de couro, eu respirava você, que me acalmava. Então, já mais serena, comecei a recordar você em mim...

sexta-feira, 26 de março de 2010

Postais, Babies

"Passei a não levar o meu olhar em conta aqui
Por vezes tenho andado preso e esqueço aonde estou
O espelho reflete mais do que se possa imaginar
Me lembre de contar do medo que deixei pra trás
E vejo (...) o tempo seco sem calor
O jogo melhor é o ás, já não entendo pra blefar
Já não me importo mais para o que os outros vão falar
(...)"

quinta-feira, 25 de março de 2010

Deixar de envolver-se politicamente é entregar a faca e o queijo nas mãos da "oposição".

quarta-feira, 24 de março de 2010

Diabo Traficante

"(...)
Vai brincando com a gente feito besta
Mastigando o capim que ele nos dá
Sua parte é vir com a sela e o cabresto
Nossa parte é deixar ele montar."
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Rodrigo Pietrobelli

terça-feira, 23 de março de 2010

Despedir-se, de vez, das coisas velhas é uma coisa bastante interessante: traz o novo.
Ontem, quando me vi cansada de viver o presente pelo passado e me despedi, com adeus, muitas coisas mudaram. Parece estranho que, em pouco tempo, tenha acontecido alguma coisa diferente, mas você querer mudar gera mudanças. Quando você quer muito determinada coisa você consegue. E eu, eu quero mais!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Despedida com adeus, pra sempre

Fiz uma trouxa bem grande e me despedi dos antigos conhecidos. Pra onde eu vou, só há espaço para o novo.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Ontem:
"Para uma garota de pés no chão, mas que quer voar...
Pelas notas de suas músicas, me fez enchergar."

quarta-feira, 17 de março de 2010

Uma última consideração sobre o acidente:
quando não se tem saúde física para sair, quando não se pode dar carona às pessoas para festas e quando não se tem rostinho de boneca, as pessoas somem.
Pessoas que estão com você pelo que você pode ter e/ou representar, desconsiderando o que se pode ser, merecem desprezo.
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Fato.
Quanto a mim, que ninguém me conheça e que eu conheça tudo.

Black Star - Radiohead

Agora que não penso mais em você
Tenho que me esforçar
Pra não desmaiar
Quando vejo um rosto como o seu.

Culpe a estrela negra, culpe o céu que cai, culpe o satélite que me guia para casa.

terça-feira, 16 de março de 2010

segunda-feira, 15 de março de 2010

Rindo à toa

Há alguns dias, tem quase três meses, me peguei rindo à toa. Achei divertido, mas não procurei saber porquê. Estranhamente, esta tendência de rir à toa tem aumentado: ontem, quando eu estava voltando do supermercado, cheia de sacolas - o que deixaria qualquer um, no mínimo, cansado -, eu ri outra vez, ali, na rua, sozinha com as sacolas de compras. Quando cheguei em casa, fui tomar um copo de suco e derrubei o copo no chão: ri. Quebrei minha flauta de cerâmica: ri. Tudo o que, normalmente, me deixaria furiosa tem me feito rir. É estranho, mas é bom. Por isso, resolvi parar um pouco e entender o porquê de tanto riso, quando, em outros tempos, seria choro. Não há porquê eu não rir. Minha vida atual é a realização dos meus maiores sonhos juvenis: faço faculdade, tenho minha própria casa e responsabilidades, tenho um bom emprego e bons amigos, tenho saúde, amo minha família (que é muito feliz!) e voltei a escrever.
É claro que nem todo dia só acontecem coisas boas, mas devemos procurar encarar as dificuldades com bom-humor e rir, mesmo que seja à toa.
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Quando estava terminando de escrever este post, descobri que rio à toa porque sou feliz. Viva e feliz!

domingo, 14 de março de 2010

Dedo podre.

Hoje cheguei à conclusão que eu gosto de pseudo-intelectuais, revolucionários sem causa, anarquistas de nike e socialistas que traem o movimento. Se você não se encaixa em nenhum dos grupos acima, por favor, não aproxime-se.

Amanhã ou depois

Deixamos pra depois uma conversa amiga
Que fosse para o bem, que fosse uma saída
Deixamos pra depois a troca de carinho
Deixamos que a rotina fosse o nosso caminho
Deixamos pra depois a busca de abrigo
Deixamos de nos ver fazendo algum sentido
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Amanhã ou depois, tanto faz se depois for nunca mais...
Nunca mais.
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Deixamos de sentir o que a gente sentia
E que trazia cor ao nosso dia-a-dia
Deixamos de dizer o que a gente dizia
Deixamos de levar em conta a alegria
Deixamos escapar por entre os nossos dedos
A chance de manter unida as nossas vidas.
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Composição: Thedy Corrêa.

sábado, 13 de março de 2010

"Eu não posso entender essa vida tão injusta, não vou fingir que já parou de doer, mas um dia isso vai se acabar."
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Sangue alheio nas minhas veias: Nando Reis, Meu Aniversário.
Hoje é comemorada a festa da maçã.
Hoje resolvi ficar em casa e não comer maçã.
Hoje parei para pensar sobre os últimos tempos.
Hoje percebi que minhas mãos estão vazias.

Hoje tem um ano desde a última pêra d'água...

quarta-feira, 10 de março de 2010

(...) me chegou como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada também nada perguntou
Mal sei como ele se chama mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama e me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não
Se instalou feito posseiro, dentro do meu coração
Você pode descançar de mim, enquanto nosso sol de setembro não volta a brilhar, afinal, eu não sou mais quem costumava ser.
A menininha que apareceu no seu caminho e encontrou algo pelo qual não estava procurando, tanto um começo quanto um fim, agora vive dentro de alguém que não reconhece, quando por acidente vê seu próprio reflexo.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Bão Balalão
Senhor Capitão
Tirai este peso
Do meu coração

Não é de tristeza,
Não é de aflição.
É só de esperança,
Senhor capitão!

A leve esperança,
A aérea esperança...
Aérea, pois não!


Peso mais pesado



Não existe não




Ah, livrai-me dele,






Senhor capitão!

terça-feira, 2 de março de 2010

Você tem medo de quê?

Pensa-se demais, fala-se de menos
Pensa-se demais, sente-se de menos
Tudo o que se quer é o que não se pode ter
Tudo o que se tem é o que se deixa escapar das mãos
Esquece-se demais, ama-se de menos.
Esconde-se demais, fala-se de menos
Foge-se demais, sente-se de menos
Fecha-se os olhos para ele não brilhar
Esconde-se no medo. Você tem medo de quê?


Ana Braun (26.02.2010, às 18:25h.)

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Imagem do dia:

O herói da bailarina partindo sem dizer adeus.
"O passado é, por definição, um dado que coisa alguma pode modificar. Mas o conhecimento do passado é coisa em progresso, que ininterruptamente se transforma e se aperfeiçoa." (Marc Bloch. Introdução à História, p.54)

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Sobre as coisas e acidentes

Eu gostaria de conseguir transcrever, mesmo que com minha vagarosa mão esquerda, sobre as coisas que senti nos últimos dias da minha vida, que foram repletos de consultas médicas e pensamentos sem respostas.
A pior sensação que se pode sentir é vontade (ou Vontade) e, por condições mais fortes, ter que reprimi-la. Durante esse período, onde você precisa ficar recluso pra sarar rapidinho, você fecha os olhos e fica imaginando as coisas que pode estar perdendo, enquanto a vida tá passando lá fora: um dia de sol, um passeio no parque, um almoço ou uma pessoa importante indo embora sem adeus. Outra coisa bastante dolorida sobre acidentes é perceber que você mudou, mesmo sem querer. A aparência, por mais que dispensável, é algo que mexe, profundamente, com a gente: o sorriso, o olhar e o toque mudaram. Espero que a lembrança do sorriso, do olhar e do toque permaneçam e perdurem. Espero que as palavras sejam verdadeiras e os sentimentos também. Espero que o "cativar" esteja além do que os olhos podem ver, afinal, "só se vê bem com o coração."

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Procurando um sol

Modos de ver e pensar o mundo apresentam-se e já não quero o velho sol que não aquece. Quero um novo sol.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Dia Especial

Se alguém já lhe deu a mão e não pediu mais nada em troca, pense bem, pois é um dia especial. Eu sei, não é sempre que a gente encontra alguém que faça bem e nos leva desse temporal. O amor é maior que tudo, do que todos, até a dor se vai quando o olhar é natural. Sonhei que as pessoas eram boas em um mundo de amor. Acordei nesse mundo marginal. Mas te vejo e sinto o brilho desse olhar que me acalma, me traz força pra encarar tudo.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Sonhos (in)desejados

Abriu os olhos assustada com o que tinha acabado de ver: era ele, pertinho outra vez. Parecia tão real: a camiseta azul-cor-de-céu com cheirinho do amaciante e o abraço quentinho e apertado. A voz, as palavras, os sentimentos... Tudo parecia real. Então, desejou, por um instante, que fosse real. Como não era, fechou os olhos outra vez, e de pressa, para ver se conseguia encontrá-lo novamente, mas já havia aberto os olhos uma vez, o que foi suficiente para perdê-lo de vista.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Clara, Clarimunda... Ana, Animunda...

O problema em ser foda:
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"Clara, o Carlos tem um caso com a Laurinha. Há alguns meses. Diz que não tem importância e que você é a única mulher na vida para ele. E acredita nisso piamente, podes crer, minha querida, não faz essa cara, te cobro promessa de ouvir sem reações. (...) Deus quebrou a solidão do homem. Eles se sentem tão sozinhos, né, coitados. Mas o que Adão precisava, como homem, era do que fazer. Restava a maçã proibida. Adão comeria, com ou sem Eva. Porque é da natureza do animal a necessidade do desafio. Eva tomou a iniciativa, porque o homem é covarde, levando a culpa. Deus a castigou mais que Adão por solidariedade masculina, não dava crédito à palavra de mulher. Não tem importância quem propôs a maçã. Comê-la foi a única saída dessa violação da natureza humana, no impulso dialético do homem, se você preferir. Deus é um criador incompetente e, como todo incompetente, pôs a culpa na própria incompetência no próximo. Deus não passaria no vestibular de psicologia da PUC. Essa Laurinha veio lá dos cafundós do Judas. Tem quando muito as primeiras letras, o Carlos me disse. Tem menos. Vi notas dela. Escreve 'oje' sem 'h'. O que é instintivamente certo. E nessa certeza instintiva tirou a medida do grupo. O que mais lhes poderia oferecer? Tornou-se indispensável e dócil a esses párias brilhantes, com o rei na barriga, se queixando do exílio interno em que vivem. Laurinha sentiu a maneira de consolá-los, de lhes quebrar a solidão maçante. Deu a todos, menos ao Adauto, que é mais hegeliano que marxista, não acretida em ações isoladas, fora de contexto. Os outros comeram como nós estamos comendo [estavam num restaurante], fome simples, falta do que fazer. Carlos, não. Humilde, suplicante, pediu a 'maçã' de Laurinha. Um prato especial. Manjando a fraqueza de Carlos e o apetite, Laurinha fixou nele, reconhecendo o mais vulnerável. Ele é o mais vulnerável, Clara, você sabe disso. (...) A culpa não é tua, o problema é dele. Te considera um ser superior. Não dá um passo na vida sem te consultar. Um casamento de iguais." (...) "O Carlos civilizado, na tua terminologia, é outra pessoa. Clara é o ideal que procura. Laurinha é a realidade que precisa para um retorno sensorial à infância. Clara é magnífica, é assim que te descreve, perto de quem se sente um lixo. Laurinha, a quem abomina, faz com que se sinta um deus."
Paulo Francis falando por mim.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Renovar é viver!

No momento dos fogos eu pedi renovação. Eu quero viver. Eu não posso esperar por um amor que não vem, um amor que me deixa em banho-maria. Eu quero ser plena. E para ser pleno é preciso 100% de tudo. Se eu não tenho 100% de você, eu não quero você. Quero teu sangue, não tua saliva.