domingo, 29 de junho de 2008

Todo carnaval tem seu fim

Sinto falta do confete caindo, das fantasias e das máscaras de lantejoulas coloridas: verde, vermelho e rosa, verde, vermelho e rosa.
Com o passar do tempo a lantejoula perdeu a cor e a serpentiiina, serpentiiiiiina, serpentiiiiiiiiina era apenas uma serpentina.
Aquele confete grudante na língua, no cabelo, no corpo suado, no corpo suado, no cabelo, na língua, agora grudado na memória.
O marinheiro no navio. A bailarina nos palcos. O índio na tribo. A fantasia morreu.

Sinto falta das coisas simples do meu tempo.
Sinto falta das matinês de Carnaval no domingo à tarde.
Sinto falta daquela roupa vermelha, de tecido barato, que minha mãe bordou com lantejoulas cor de prata para aquele Carnaval.
Às vezes, mal consigo me lembrar das coisas que tanto puxo pela pontinha do cérebro. Essas são as mais difíceis de se alcançar.
Queria poder lembrar e compartilhar qual foi a desculpa convincente que minha mãe me deu, fazendo com que eu usasse a sainha e o bustiãn vermelho, além do chinelinho de dedo que ela também encapou com o mesmo tecido vermelho.
Eu não consigo.
Eu tento, mas eu não consigo.
Neste Carnaval foi a primeira vez que usei batom, vermelho. Eu deveria ter uns 6 anos. Vitória!
É bom lembrar que quando somos crianças tudo é motivo para comemorar: não fazer xixi na cama, um brinquedo, um dia no parque, uma bola, parar de roer unhas, algodão doce, bala de menta, abraço de pai, aprender a mergulhar, xingo de irmão, carimbo 'muito bom!' na escola, (...).

Acho bonito isso: coisas simples.
Quero ser mais simples, mais criança.
Quero sentir o amor puro.
Quero ser mais criança e comemorar por poder escrever. (explosão)
Quero, sendo mais criança, fazer festa em comemoração às lembranças que ainda não se foram e permanecem vivas na lembrança e na vontade de reviver.

Sinto saudade,também, das marchinhas, das marchi-nhas, das mar-chi-nhas."


(Clique na imagem para ampliar.)

domingo, 15 de junho de 2008

Ciranda da Bailarina

Chico Buarque

Composição: Edu Lobo / Chico Buarque

Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira
Berruga nem frieira
Nem falta de maneira
Ela não tem

Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida
Ela não tem

Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina
Ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem

Confessando bem
Todo mundo faz pecado
Logo assim que a missa termina
Todo mundo tem um primeiro namorado
Só a bailarina que não tem
Sujo atrás da orelha
Bigode de groselha
Calcinha um pouco velha
Ela não tem

O padre também
Pode até ficar vermelho
Se o vento levanta a batina
Reparando bem, todo mundo tem pentelho
Só a bailarina que não tem
Sala sem mobília
Goteira na vasilha
Problema na família
Quem não tem

Procurando bem
Todo mundo tem...


(Dialogo:

-Meu mundo magico esta escapando de minhas mãos como a agua que eu não posso com elas segurar. (Estou sem acento agudo e crase.ok)

-Não deixa essa rotina te esmagar, flor. Procura a bailarina aí dentro e tenta escrever sobre ela.
Ela ainda deve dançar em algum canto do seu coração. )


sexta-feira, 6 de junho de 2008

Sonho de Ícaro

Voar, voar
Subir, subir
Ir por onde for
Descer até o céu cair
Ou mudar de cor
Anjos de gás
Asas de ilusão
E um sonho audaz
Feito um balão...

No ar, no ar
Eu sou assim
Brilho do farol
Além do mais
Amargo fim
Simplesmente sol...

Rock do bom
Ou quem sabe jazz
Som sobre som
Bem mais, bem mais...

O que sai de mim
Vem do prazer
De querer sentir
O que eu não posso ter
O que faz de mim
Ser o que sou
É gostar de ir
Por onde, ninguém for...

Do alto coração
Mais alto coração...

Viver, viver
E não fingir
Esconder no olhar
Pedir não mais
Que permitir
Jogos de azar
Fauno lunar
Sombras no porão
E um show vulgar
Todo verão...

Fugir meu bem
Pra ser feliz
Só no pólo sul
Não vou mudar
Do meu país
Nem vestir azul...

Faça o sinal
Cante uma canção
Sentimental
Em qualquer tom...

Repetir o amor
Já satisfaz
Dentro do bombom
Há um licor a mais
Ir até que um dia
Chegue enfim
Em que o sol derreta
A cera até o fim...

Do alto, coração
Mais alto, coração...