sábado, 16 de agosto de 2008

Este post é para você:

Este post é dedicado não apenas aquelas crianças que nos enlouquecem com suas brincadeiras barulhentas, mas principalmente aquelas que há muito tempo perderam a voz. Este post é inteiramente dedicado sua criança interior.
Você certamente já ouviu falar sobre O Pequeno Príncipe, aquele livro francês que conta a história de um aviador que sofre uma queda em pleno Saara. Inebriado pela sede e pelo desespero, este homem tem um encontro com um garoto de outro planeta, mas tudo não passa de uma visão provocada pelas ilusões do deserto.

Certo? Errado!

Como diria nosso principezinho: "as pessoas grandes não entendem nada sozinhas, e é cansativo, para as crianças, estar a toda hora explicando".
Se você já leu O Pequeno Príncipe (Exupéry, 1943), e resume toda a história dessa forma, então na verdade você não entendeu nada. Se você ainda não leu, chegou a hora certa para tal.
A obra infantil é o livro mais vendido no mundo e o segundo mais traduzido, só perdendo para a Bíblia. São mais de oitenta milhões de exemplares vendidos em mais de cento e sessenta idiomas e dialetos.
Por ter poucas páginas e várias ilustrações, escondem em suas entrelinhas um dos conteúdos mais poéticos e filosóficos de toda a literatura mundial. São sábias palavras infantis puxando nossas orelha a todo instante. Não estranhe se você se sentir meio cego durante a leitura, pois "só se vê bem com o coração".
O Pequeno Príncipe nos ensina a valorizar aquilo que está muito próximo, através da arte da sensibilidade. E, principalmente, a abrir o coração para enxergar que as coisas mais belas da vida são as mais simples.
As teorias sobre amizade, generosidade e respeito são postas em prática por um garotinho que é fiel a uma rosa, e aí percebemos que nada é impossível. Definitivamente fica provado que tamanho nunca foi documento.
"O Pequeno Príncipe devolve a cada um o mistério da infância. De repente retornam os sonhos. Reaparece a lembrança de questionamentos, desvelam-se incoerências acomodadas, quase já imperceptíveis na pressa do dia-a-dia. Voltam ao coração escondidas recordações. O reencontro, o homem-menino." (Amélia Lacombe).

Leia O Pequeno Príncipe em http://home.kc.rr.com/slyon/por.html

sexta-feira, 11 de julho de 2008

MARIA,

Você não precisa disto,
Você não precisa disto, mas faz mesmo assim.
Quer mudar o mundo, mas e sempre tão igual.
Quer ser diferente, faz questão de ser normal.

Maria, por que não segue o seu destino?
Maria , por que não vai com as outras?
Va em paz.

Quer mudar o mundo, mas e sempre tão igual.
Quer ser diferente, faz questão de ser normal.

Maria, por que não segue o seu destino?
Maria , por que não vai com as outras?
Va em paz.

Não precisa imitar, oh Maria.
Não precisa ir atrás, oh Maria.
Seja você onde quer que for,
Seja você pra sempre, meu amor.

Maria, por que não segue o seu destino?
Maria, por que você não me da a mão?
Vem, vem rodar, oh Maria
(...)

domingo, 29 de junho de 2008

Todo carnaval tem seu fim

Sinto falta do confete caindo, das fantasias e das máscaras de lantejoulas coloridas: verde, vermelho e rosa, verde, vermelho e rosa.
Com o passar do tempo a lantejoula perdeu a cor e a serpentiiina, serpentiiiiiina, serpentiiiiiiiiina era apenas uma serpentina.
Aquele confete grudante na língua, no cabelo, no corpo suado, no corpo suado, no cabelo, na língua, agora grudado na memória.
O marinheiro no navio. A bailarina nos palcos. O índio na tribo. A fantasia morreu.

Sinto falta das coisas simples do meu tempo.
Sinto falta das matinês de Carnaval no domingo à tarde.
Sinto falta daquela roupa vermelha, de tecido barato, que minha mãe bordou com lantejoulas cor de prata para aquele Carnaval.
Às vezes, mal consigo me lembrar das coisas que tanto puxo pela pontinha do cérebro. Essas são as mais difíceis de se alcançar.
Queria poder lembrar e compartilhar qual foi a desculpa convincente que minha mãe me deu, fazendo com que eu usasse a sainha e o bustiãn vermelho, além do chinelinho de dedo que ela também encapou com o mesmo tecido vermelho.
Eu não consigo.
Eu tento, mas eu não consigo.
Neste Carnaval foi a primeira vez que usei batom, vermelho. Eu deveria ter uns 6 anos. Vitória!
É bom lembrar que quando somos crianças tudo é motivo para comemorar: não fazer xixi na cama, um brinquedo, um dia no parque, uma bola, parar de roer unhas, algodão doce, bala de menta, abraço de pai, aprender a mergulhar, xingo de irmão, carimbo 'muito bom!' na escola, (...).

Acho bonito isso: coisas simples.
Quero ser mais simples, mais criança.
Quero sentir o amor puro.
Quero ser mais criança e comemorar por poder escrever. (explosão)
Quero, sendo mais criança, fazer festa em comemoração às lembranças que ainda não se foram e permanecem vivas na lembrança e na vontade de reviver.

Sinto saudade,também, das marchinhas, das marchi-nhas, das mar-chi-nhas."


(Clique na imagem para ampliar.)

domingo, 15 de junho de 2008

Ciranda da Bailarina

Chico Buarque

Composição: Edu Lobo / Chico Buarque

Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira
Berruga nem frieira
Nem falta de maneira
Ela não tem

Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida
Ela não tem

Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina
Ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem

Confessando bem
Todo mundo faz pecado
Logo assim que a missa termina
Todo mundo tem um primeiro namorado
Só a bailarina que não tem
Sujo atrás da orelha
Bigode de groselha
Calcinha um pouco velha
Ela não tem

O padre também
Pode até ficar vermelho
Se o vento levanta a batina
Reparando bem, todo mundo tem pentelho
Só a bailarina que não tem
Sala sem mobília
Goteira na vasilha
Problema na família
Quem não tem

Procurando bem
Todo mundo tem...


(Dialogo:

-Meu mundo magico esta escapando de minhas mãos como a agua que eu não posso com elas segurar. (Estou sem acento agudo e crase.ok)

-Não deixa essa rotina te esmagar, flor. Procura a bailarina aí dentro e tenta escrever sobre ela.
Ela ainda deve dançar em algum canto do seu coração. )


sexta-feira, 6 de junho de 2008

Sonho de Ícaro

Voar, voar
Subir, subir
Ir por onde for
Descer até o céu cair
Ou mudar de cor
Anjos de gás
Asas de ilusão
E um sonho audaz
Feito um balão...

No ar, no ar
Eu sou assim
Brilho do farol
Além do mais
Amargo fim
Simplesmente sol...

Rock do bom
Ou quem sabe jazz
Som sobre som
Bem mais, bem mais...

O que sai de mim
Vem do prazer
De querer sentir
O que eu não posso ter
O que faz de mim
Ser o que sou
É gostar de ir
Por onde, ninguém for...

Do alto coração
Mais alto coração...

Viver, viver
E não fingir
Esconder no olhar
Pedir não mais
Que permitir
Jogos de azar
Fauno lunar
Sombras no porão
E um show vulgar
Todo verão...

Fugir meu bem
Pra ser feliz
Só no pólo sul
Não vou mudar
Do meu país
Nem vestir azul...

Faça o sinal
Cante uma canção
Sentimental
Em qualquer tom...

Repetir o amor
Já satisfaz
Dentro do bombom
Há um licor a mais
Ir até que um dia
Chegue enfim
Em que o sol derreta
A cera até o fim...

Do alto, coração
Mais alto, coração...

segunda-feira, 14 de abril de 2008

domingo, 13 de abril de 2008

Hoje não é dia de sol.

Hoje não é dia de sol. Em dia que não é dia de sol, é dia de ficar com o a pontinha do nariz bem grudada na janela, olhando as gotinhas de chuva que caem do céu. Hora chuva mais fraca, hora bem fortona. Tem horas que parece música, daquelas pra gente dormir.
Em dia de chuva não se pode brincar lá fora. O bom é que o universo mágico é aqui mesmo, bem em baixo dos meu pés.
De olhos fechados, sentindo ainda meu nariz encostado à janela, conheço mil lugares, sem tirar os pés do chão. Mas, eu posso voar com as asas da imaginação e abraçar o mundo só com um braço.
Nos meus delírios particulares e faço tudo e posso tudo.
Dia desses, venci um gigante e ainda fiquei com a galinha dos ovos de ouro e também, teve uma vez, que dormi como a bela adormecida. Não fui acordada com um beijo, nem nada. Mas valeu a pena, pois os anões foram muito simpáticos comigo.
O que mais gosto de tudo isso é brincar de descobrir o mundo: descobrir um animal novo, uma cor nova no arco-íris, uma terra distante, um livro esquecido, uma pessoa perdida.
Certa vez, eu descobri uma pessoa perdida. Eu também estava perdida, mas não estou falando de mim. Era outra pessoa. E foi ali que eu encontrei a peça do quebra-cabeça de mil peças que faltava. Agora o quebra-cabeças gigante está completo. Tirei uma foto com cara de feliz e colei no álbum da minha memória.
Depois deste dia, resolvi nunca mais descolar o nariz da janela, só para passar o tempo todo vivendo o sonho da realidade. Então eu tirei o nariz da janela e fiquei só com o sonho da realidade. Depois eu tirei o sonho e fiquei só com a realidade.

E foi aí que o nosso mundo virou nosso, e girou...
E agora nós sabemos que todas as palavras eram verdadeiras, mesmo nas canções mais bregas.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

sábado, 5 de abril de 2008

João (s) e (m) Maria

Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava o rock para as matinês

Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país

Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Vem, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido

Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Chapeuzinho Amarelo

Era a Chapeuzinho Amarelo.
Amarelada de medo.
Tinha medo de tudo,
aquela Chapeuzinho.
Já não ria.
Em festa, não aparecia.
Não subia escada
nem descia.
Não estava resfriada,
mas tossia.
Ouvia conto de fada
e estremecia.
Não brincava de mais nada,
nem de amarelinha.

Tinha medo de trovão.
Minhoca, para ela, era cobra.
Nunca apanhava sol
porque tinha medo da sombra.
Não ia pra fora pra não se judar.
Não tomava sopa pra não ensopar.
Não tomava banho para não descolar.
Não falava nada para não engasgar.
Não ficava em pé com medo de cair.
Então vivia parada,
deitada, mas sem dormir,
com medo de pesadelo.

Era a Chapeuzinho Amarelo.

E de todos os medos que tinha,
o medo mais que medonho
era o medo do tal do LOBO.
Um LOBO que nunca se via,
que morava lá para longe,
do outro lado da montanha,
num buraco da Alemanha,
cheio de teia de aranha,
numa terra tão estranha,
que vai ver que o tal do LOBO
nem existia.

Mesmo assim a Chapeuzinho
tinha cada vez mais medo
do medo do medo do medo
de um dia encontrar um LOBO.
Um LOBO que não existia.

E Chapeuzinho Amarelo,
de tanto pensar no LOBO,
de tanto sonhar com LOBO,
de tanto esperar o LOBO,
um dia topou com ele
olhão de LOBO,
jeitão de LOBO,
e principalmente um bocão
tão grande que era capaz
de comer duas avós,
um caçador,
rei, princesa,
sete panelas de arroz
e um chapéu
de sobremesa.

Mas o engraçado é que,
assim que encontrou o LOBO,
a Chapeuzinho Amarelo
foi perdendo aquele medo,
do medo do medo do medo
de um dia encontrar um LOBO.
Foi passando aquele medo
do medo que tinha do LOBO.
Foi ficando só com um pouco de medo daquele lobo.
Depois acabou o medo
e ela ficou só com o lobo.

O lobo ficou chateado
de ver aquela menina
olhando para a cara dele,
só que sem o medo dele.
Ficou mesmo envergonhado,
triste, murcho e branco-azedo,
porque um lobo, tirado o medo,
é um arremedo de lobo.
É feito um lobo sem pêlo.
Lobo pelado.

O lobo ficou chateado.


E ele gritou: sou um LOBO!
Mas a Chapeuzinho, nada.
E ele gritou: sou um LOBO!
Chapeuzinho deu risada.
E ele berrou: EU SOU UM LOBO!!!
Chapeuzinho, já meio enjoada,
com vontade de brincar
de outra coisa.
Ele então gritou bem forte
aquele seu nome de LOBO
umas vinte e cinco vezes,
que era pro medo ir voltando
e a menina saber
com quem não estava falando:

LO-BO-LO-BO-LO-BO-LO-BO-LO

Aí,
Ela se encheu e disse:
"Pára assim! Agora! Já!
Do jeito que você está!"
E o lobo parado assim
do jeito que o lobo estava
já não era mais um LO-BO.
Era um BO-LO.
Um bolo de lobo fofo,
tremendo que nem pudim,
com medo da Chapeuzim.
Com medo de ser comido
com vela e tudo, inteirim.

Chapeuzinho Amarelo não comeu
aquele bolo de lobo,
porque sempre preferiu
de chocolate.
Aliás, ela agora come de tudo,
menos sola de sapato.
Não tem mais medo de chuva,
nem foge de carrapato.

Cai, levanta, se machuca,
Vai à praia, entra no mato.
Trepa em árvora, rouba fruta,
depois joga amarelinha
com o primo da vizinho,
com a filha do jornaleiro,
com a sobrinha da madrinha
e com o neto do sapateiro.

Mesmo quando
está sozinha,
inventa
uma brincadeira.
E transforma
em companheiro
cada medo que ela tinha:
o RAIO virou ORRÁI,
BARATA é TABARÁ,
a BRUXA virou XABRU
e o DIABO é BODIÁ.

Ah, outros companheiros da Chapeuzinho Amarelo: o GÃODRA, a JACORU, o BARÃO-TU, o PÃO BICHÔPA e todos os TROSMONS.

Chico Buarque
As pessoas querem seguir sempre em frente, mas o que ainda não aprenderam é que quem anda sempre em frente, não pode ir muito longe...

quarta-feira, 26 de março de 2008

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Penúltimo Capítulo

Eu queria ter feito de você uma pessoa pequena, igual a mim, para um dia, quem sabe, a gente crescer junto.
Eu só esqueci de uma coisinha: você já era pessoa grande.
As pessoas grandes são esquisitas. Elas machucam as pessoas que amam e por serem grandes de ego e de barriga, perdem de viver o que poderia ser, mas não é, porque simplesmente... Eu não sei o porquê. Ninguém sabe, nem elas mesmas.
É, realmente, as pessoas grandes são muito esquisitas.

Eu não quero ser esquisita, nem crescer nunca, nem ser como você.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Último(?) Romance, 13 do sete de 2007

O mundo de cores sem cor era o mundo que eu vivia.
O sorriso de alegria sem alegria era o sorriso que eu fingia.
Assim eu ia e vinha. Andava pelo infinito, no meu infinito particular.
Tinha brinquedos na caixinha. Vez ou outra, quando me sentia sozinha, pegava aquela bolinha dourada e pensava divertir-me, brincando com ela. Jogava para cima e para baixo, mas isso era cansativo. Tinha também o cachorrinho de pelúcia. Tinha pêlo macio. Cheirava bem. Ele não me mordeu, nem nada, mas perdeu a graça.
Vez ou outra, quando os brinquedos da caixa já não mostravam atrativos, saía à procura de objetos inanimados na floresta.
Teve uma vez, que encontrei um pedacinho de madeira. Era adorável. Cheirava à natureza. Cheirava chuva quando chovia. Cheirava minha pele quando estávamos juntas. Mas teve um dia, um dia triste, um dia de vento forte, forte como um trem, que não consegui segurá-la em minhas mãos e ela se foi. Escapou de levinho, gotinha à gotinha, igual quando a gente tenta segurar água na mão. As cores que eu já não tinha, ficaram mais pálidas.
Eu ainda estava ali. Permanecia ali, na floresta. Sentada no mesmo lugarzinho de todos os dias, frente ao lago observando o reflexo dos meus desejos particulares, quando o sapo me apareceu.
Fiquei surpresa. Jamais, em tempo algum, outra coisa, além de seres inanimados, mexeu comigo. E eis que ele estava ali.
Sua presença me agradava e sua cor verde, verde como o céu de meus desenhos, devolvia-me as cores que há muito não enxergava.
Num primeiro momento, desviei meu olhar daqueles olhos miudinhos. Olhos pretinhos, envoltos num branquinho, fixados numa gosminha verde e molhada. Num segundo momento, aquele brilho não me doía mais as vistas e eu pude abrir meus olhos.
Fiz parzinho com o sapo. Saltitávamos e sorríamos juntos. Comi até deliciosas moscas em sua companhia.
Os momentos que passávamos juntos eram mágicos e quando ele tinha de voltar para seu habitat, eu desejava ser um sapo também para podermos continuar nossas prosas e dar corda às nossas histórias imaginárias juntos, ali, na floresta, com os vaga-lumes nos fazendo companhia e trilha sonora.
A caixa de brinquedos existia ainda. Apresentei ao meu amigo sapo e ele, com muita paciência e sábio como era, ensinou-me que aqueles objetos já não tinham mais valor. Ensinou-me que a madeira que deixei escapar de minhas mãos era apenas mais uma madeirinha da floresta. Ensinou-me, também, que devemos gostar de quem gosta da gente e, muito mais que isso, ensinou-me a viver outra vez, com cores fortes e sorrisos verdadeiros.

Feliz ano novo atrasado

Como estive por MUITO tempo de férias(?), senti - neste exato momento - uma enorme necessidade de escrever sobre aquela época do ano, emendada ao natal, onde as pessoas estupidamente ficam mais legais e amorosas: ano novo.

Ano novo é chato. Cansei. Tchau.

Despedida com adeus

As vezes eu tenho vontade de lhe escrever, contar que estou bem. Contar que eu cresci, mas que ainda não sou pessoa grande. Contar que agora os sonhos são outros e que eu tenho um alguém com quem eu quero envelhecer e dar beijinho sem dentadura. Esse alguém me faz feliz, como um dia você me desejou que alguém fizesse.
Sabe? Eu tenho muito que lhe agradecer, pois foi você quem me ensinou os princípios básicos do mundo de maravilhas que eu vivo hoje.
Eu também queria lhe escrever para dizer que por muito tempo sonhei em fazer estudos literários e me tornar uma escritora de verdade, mas que não me sinto capaz, por isso, decidi fazer história - uma coisa que me traz igual satisfação.
Queria te dizer que agora eu trabalho, no melhor lugar do mundo: numa livraria. Lá eu posso ficar lendo e vivendo um mundo de realidades lindas.
Às vezes, sem nenhum personagem dos livros perceber, roubo um pedacinho da história deles e trago para o meu cotidiano. Porém, isso não aconteceu quando eu li A Hora da Estrela. Eu não quero ser Macabéa - sem personalidade. A Hora da Estrela me fez lembrar muito seu vocábulo.
Não quero ser longa nesta carta de despedida com adeus que jamais será enviada, por isso, encerro aqui, em breve palavras, o que nunca existiu. Porém, professor, serei eternamente grata por você ter e não ter feito parte de mim.

Eu sou feliz agora, seja também.

Demonstração escrita de afeto

Apareceu do nada e num instante, de uma forma totalmente inesperada, me ganhou. Trouxe consigo as tais cores que eu tanto queria e que me faltavam, devolveu meu sorriso e me ensinou, entre tantas outras coisas, o que é o amor.
Ele faz do meu universo o universo mais lindo de todos os universos do mundo e como sou feliz por isso. Ele é o meu sabor predileto. Como é bom tê-lo... Simplesmente encantador.

Que tudo isso, essas cores e esta felicidade, perdure, pois é o que quero. Adoro.

Mundo mágico de Bic

Veja bem, meu bem

Olho você hoje como se fosse um brinquedo que desejei tanto, mas não funcionava direito. Deixei dentro daquela gaveta de tranqueiras infantis. Às vezes eu vejo ali no meio dos meus devaneios, mas não tenho mais vontade de girar a corda pra ouvir a canção que tocava antes.
Eu era aquela bonequinha que você viu passar, com o vestido mais bonito de baile que já tive. Mas chegou a bailarina, ela dançava sem os pés no chão, ela não te deu a mão, ela não te acompanhou na valsa sem par.
Minha caixinha de músicas tem aquela canção. Aquela toda de fazer chorar. Aquela sem letra e sem melodia, sem ordem nem harmonia.
E na parede da casa ainda tem os carrinhos de controle remoto que faziam as tardes de corrida agradáveis, tem os bonequinhos de chumbo sempre longe da bailarina. Agora é do teu controle que eu perdi as pilhas, devo ter colocado em algum outro brinquedo que falava coisas bonitas.
A boneca perdeu os sapatos pelo caminho, a Cinderela fugiu do baile antes de aprender a sorrir. Deu meia-noite, a noite começou no meio da festa, os reis e os bobos rodavam pelo salão. A bonequinha estava lá, você do outro lado. Paralelos são assim mesmo.
O dia sorriu meio tímido. O frio congelou as plantas e o nossa lasanha congelada no freezer.
O café ta pronto, mas o brinquedo ainda dorme. O frio consome, e a cama vazia.
Ninguém pra arrumar a mesa, nem a casa, nem a dor. Os pratos sujos na pia, o horário amarrado aos pés. Caminhando sempre dois passos atrás do tempo, atrasado, tempo perdido. A noite chega outra vez, a gata borralheira esquece de aguar as plantas, se arruma pra ele e sai.
Ele pensa na bailarina, ela torce pra bailarina errar o passo e cair no chão. Os reis e os bobos de volta ao salão, a noite termina embriagada. Ela tira os sapatos de cristal, devolve o bonequinho de chumbo sem coração na gaveta e dorme pra sonhar com aquele que fará a sua valsa ter par.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Capítulo favorito

(O Pequeno Príncipe, Saint-Exupéry)

(...)

E foi então que apareceu a raposa:

- Boa dia, disse a raposa.

- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.

- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...

- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...

- Sou uma raposa, disse a raposa.

- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...

- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. não me cativaram ainda.

- Ah! desculpa, disse o principezinho.

Após uma reflexão, acrescentou:

- Que quer dizer "cativar"?

- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?

- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?

- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?

- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?

- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."

- Criar laços?

- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...

- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...

- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...

- Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.

A raposa pareceu intrigada:

- Num outro planeta?

- Sim.

- Há caçadores nesse planeta?

- Não.

- Que bom! E galinhas?

- Também não.

- Nada é perfeito, suspirou a raposa.

Mas a raposa voltou à sua idéia.

- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.

O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...

A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:

- Por favor... cativa-me! disse ela.

- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.

- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!

- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.

- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...

No dia seguinte o principezinho voltou.

- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.

- Que é um rito? perguntou o principezinho.

- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!

Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:

- Ah! Eu vou chorar.

- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...

- Quis, disse a raposa.

- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.

- Vou, disse a raposa.

- Então, não sais lucrando nada!

- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.

Depois ela acrescentou:

- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.

Foi o principezinho rever as rosas:

- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela á agora única no mundo.

E as rosas estavam desapontadas.

- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.

E voltou, então, à raposa:

- Adeus, disse ele...

- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.

- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.

- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...

- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
(...)



Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde,
desde as três eu começarei a ser feliz!



Ah, é verdade, ele me cativou...

Dedicado ao Prinsapão

Se fosse em outros tempos, tempos remotos dos quais já nem faço questão de lembrar-me, acharia tudo isso terrível, afinal, sempre tive medo dessas batidas mais fortes de coração e daquele vazio na barriga que, aos pouquinhos, transforma-se em frio. Agora as coisas são diferentes, os sentimentos são outros.
Você torna-me paradoxal. Adoro sentir-me assim.
Pensar em nossos momentos tornou-se meu segundo prazer, visto que o primeiro é quando estamos juntos.
Me pego sorrindo quando lembro-me das coisas engraçadas que conversamos e quando você, com muita paciência, ensina-me o que eu ainda não sei e me aponta novas possibilidades a serem seguidas. Nestes e em tantos outros momentos sinto como é bom tê-lo.
Às vezes, quanto estou distraída, me noto com as mãos ao telefone a fim de lhe ouvir e saber se a noite de sono e sonhos foi boa. Quando caio em mim, desligo imediatamente, somente para não demonstrar o que sinto, mas eu sei que não consigo, pois isto está em mim, estampado em meu sorriso, meu olhar e minhas ações, que me condenam a toda hora.
Os fantasmas do medo já não me assombram mais. Ainda os tenho e sempre terei, porém, agora com força, os enfrento, e como sou feliz por isso. Você me transmite uma coragem que até então eu não tinha e agora sinto o que até então não sentia.
Obrigada.

Capítulo Primeiro

Chegou em casa correndo. Só tinha uma hora até o horário combinado. Não gostava de esperar. Não gostava de deixar ninguém esperando.
Demorou um pouco para escolher a roupa, mas compensou num banho rápido. Não era a sua melhor roupa, mas era a que estava com vontade de vestir. Pensou em trocar, mas já estava atrasada. Saiu.
Haviam combinado na biblioteca. Era pertinho, uns dois ou três minutos de sua casa. Foi ouvindo Empty Room no mp4 e lembrando das coisas que aconteceram nos últimos dias e de todas as coisas que tinham acontecido até ali. Entre um verso da música e outro, chegou à biblioteca.
Tentou localizá-lo. Nada viu. Estava entrando quando resolveu não o fazer. Alguma coisa a dizia que não iria dar certo. Ouvia uma voz que a mandava embora. Não ouviu a si mesma e, para matar o tempo, deu uma volta numa praça perto dali.
Uns dez ou menos minutos depois, entrou.
A cada degrau que subia da escadaria que dava anexo à biblioteca, tinha a certeza de que havia dados passos em vão. Tinha a certeza de que ele não estaria ali. Estava certa. Ele não estava.
Escolheu uma das inúmeras mesas daquele lugar. Era uma de frente para as escadas. Sentou-se. Da bolsa, retirou, cautelosamente, um livro que havia ganhado no dia anterior: 'A menina que roubava livros'. Até pensou em, como no título, roubar algum livro dali, mas já estava contente com o seu de quase 500 páginas. Aí, reiniciou a leitura. Leu até a página quarenta e três. Nenhum vestígio.
Então, escreveu, em seu celular, uma sms à ele, dizendo: 'Você não veio...'.
Teve medo de estar sendo chata com isso. Passou por este sentimento e enviou mesmo assim. Ele não respondeu. Naturalmente.
Tentou se concertrar novamente na leitura. Não conseguiu. Ficou ali, na biblioteca, por mais um tempo.
Estava arrumando suas coisas para ir embora, quando o celular tocou. Pensou que era ele. Enganou-se. Era uma amiga.
Trocaram dúzias de palavras. Desligou.
Desceu, passo a passo, os mesmos degraus que subiu com tanta euforia - mesmo pressentindo o que acabara de acontecer.
Olhou o caminho de casa, mas ainda estava cedo para voltar. Decidiu, então, perambular pela mesma pracinha de antes.
Lembrou-se de um dinheiro esquecido na bolsa. Resolveu empregá-lo. Estava com sede.
Foi ao primeiro estabelecimento comercial que encontrou. Pegou uma bebida qualquer. Não lembro. Pagou. Vinte e cinco centavos de troco.
Voltou à praça.
Sentou-se num banco e ficou olhando as estrelas. Não pensava em nada. Estava com a mente vazia. Olhava apenas as estrelas e ouvia cada palavra com atenção da música que tocava em seu mp4 - The blower's daughter. Lembrava de coisas passadas, não coisas felizes. Tentou abstrair estes pensamentos bebendo rapidamente. Tempo depois, jogou a garrafa no lixo.
Cansou-se do nada. Bateu em retirada.
Estava um tanto desapontada. Nada demais. Na esquina passou. Na outra, já havia esquecido.
Chegou em casa. Chegou cedo. Não tinha nada o que fazer. Não tinha nada o que fazer além de um trabalho de física, que decidiu deixar para a última hora, como sempre.
Ligou o computador.
De início, abriu o orkut. Nada. Enganou-se pela última vez. Abriu, então, o MSN. Ele estava on line. Pensou em abordá-lo para conversar. Desistiu.
Estava mexendo em outros recursos da internet quando uma luzinha laranjada contendo o nome dele piscou. Abriu.
Ele justificou-se a respeito do ocorrido, dizendo: 'Minha namorada passou mal' e etc. Ela já previa. Era o de costume.
Leu, então, as devidas desculpas. Nem precisava delas. Não tinha motivos para tal. Morava perto da biblioteca e não fora trabalho algum ir até lá; aproveitou, até, para colocar as idéias no lugar - o que não conseguiu, pois precisa de mais tempo, sim, de mais tempo para fazer as coisas certas.

( E quem não precisa?!)

Espelhinho, espelhinho

Definitivamente cansei. Cansei de implorar coisas minimas a pessoas que nem são tão importantes assim. Cansei de dizer: ‘amigo, eu te amo’ e receber em troca um sorriso amarelo.
Está certo que amor é incondicional, mas na amizade ou é recíproco, ou ela não existe.
Hoje foi o limite. Não agüento mais. Minhas forças se acabaram. Na verdade, sei que posso muito bem viver sozinha, mas tenho a necessidade de compartilhar alegrias e tristezas.
Queria alguém que pudesse me entender e me estender à mão quando eu precisar. Queria alguém pra me consolar quando eu chorar. Em vez disso,tenho um espelho, único com quem posso contar. (9.10.06)

(Confessa, texto lindo, não?! Foi o melhor que consegui produzir no tema: 'Meio-adolescente-ninguém-me-ama-ninguém-me-quer-logo-tenham-pena-de-mim'.)

(01/10/06)

A ansiedade, o frio na barriga, tremedeiras e demais sintomas se apresentaram.
Não era amor, nem nada. Era algo mais forte, sublime e supremo, porém indefinível e quem ninguém nunca conseguirá descrever.
O inesperado tornou-se premeditado, muito desejado e finalmente realizado.
O sabor da expectativa já não existia mais, só existia o da troca mútua, do querer e do sentir.
As almas se envolveram por um momento, esqueceram dos deveres e passaram aos prazeres e foi aí que tudo realmente se encaixou, se entendeu e se completou.
Aquelas vontades foram recíprocas: explodir e reviver, diminuir e crescer, desquerer e querer pra si novamente.
Naquele momento, o esdrúxulo passou a ser comum, lindo e perfeito.
Sentiu-se que o abominável era tão normal quanto aceitável por todos.
Amou e, no instante seguinte, acabou.
Era efêmero e ao mesmo tempo eterno...
Na lembrança, na distância e na vontade de reviver.

Para mim mesma:

A única diferença entre um capricho e uma paixão para toda a vida é que o capricho dura um pouco mais.

Brincando de se distrair

'Você não sai da minha cabeça.
Quando estou com você, você voa em meus pensamentos. Quando não estou, estou pensando em você, te querendo em cada segundo de minha vida, em cada momento e, novamente, em cada pensamento.
Acordo pensando em você e tudo que faço é pensando em você; é pensar em você; te querer para sempre.
Mas parece que tudo é em vão... Nada dá certo...
Espero que você volte quanto antes.
Não estamos juntos nesse momento, mas sei, você vai voltar.'

(Ler entrelinhas é um dom que você não tem, eu sei.)

Ímpar

Quando vejo aquele livro empoeirado na estante
Quando leio aquela carta guardada na caixa de coisas importantes
Eu me lembro que existe coisa bem melhor que coca
E eu me lembro dos nossos bons momentos.
Quando leio nossa história nas entrelinhas da agenda
Com doloroso amor eu insisto que não acabou.

Por favor, a gente desiste de sonhar
A gente para de ser par
A gente deixa de ser tudo
Só não me deixe sem saber como você está.

Quando paro posso ver seu rosto
São tantos, são todos que eu não posso ter.

Por favor, a gente desiste de sonhar
A gente para de ser par
A gente deixa de ser tudo
Só não me deixe sem saber como está
E se você tem se alimentado direitinho.

Nostalgia de um feliz(?) aniversário

No dia seguinte recomecei a contagem:
'Faltam trezentos e sessenta e quatro dias pro meu aniversário. Trezentos e sessenta e quatro porque não é ano bissexto, senão, ainda faltariam trezentos e sessenta e cinco!'
Comigo é sempre assim, sempre crio expectativas para o aniversário seguinte:
'Ano que vem, quando eu completar dezoito, já poderei tirar minha carta de motorista. Quero tirar de moto e de carro, tudo de uma vez só. Dizem que é mais barato. Ah, mas se eu não passar no teste, faço igual meu pai fez e acabo comprando. Vai sair caro, mas eu compro. Melhor isso que fazer igual minha mãe, que quando foi tirar a carta de moto, fez e refez o tal teste umas oito vezes e, mesmo assim, não passou e também acabou comprando. '
Por fim, quando a tão esperada data se aproxima, tudo já perdeu a graça. Acabei sonhando demais com tantas coisas, que nem possuo mais expectativas. Nada é novo. São idéias velhas, acomodadas no cérebro empoeirado, acostumado com tudo aquilo por ter idealizado previamente, que já nem mais produz endorfina.
Finalmente entendo o que mamãe queria dizer quando falava a respeito de 'não colocar a carroça em frente aos bois.'
Vejo que pensando em cosias que, quem sabe, poderiam vir acontecer futuramente e que muitas vezes, não passariam nem perto da realidade, deixei de viver o presente, que agora já é passado. Lastimo profundamente por tal, mas é tarde.
Tenho tentado, ao máximo, ficar feliz, mas lembrar do fato de eu estar ficando um ano mais velha, me traz à memória todas as coisas que já vivi até aqui e, observando tudo isso, chego à conclusão de que eu não sei nada e de que nada fiz para mudar isso.
'Quantas pessoas eu ajudei até aqui? Quantos livros eu comprei este ano? Quantas pessoas eu fiz sorrir? Quantas cartas eu escrevi? Quantas pessoas eu perdoei? (...)' Estas e outras perguntas passeiam constantemente na minha cabeça, mas nada muda. Nunca muda. Sequer o coração pulsa mais forte... O mesmo ritmo, sempre o mesmo ritmo.
Tudo continua igual, pois na verdade, não há nada de especial no dia de hoje, é apenas oito de maio, dia que milhares de pessoas, em diversos lugares, nasceram, mas continua sendo apenas mais um dia. Sendo assim, estou de saída. Em dias normais, costumo dormir cedo. (08/05/07)

Passos para uma boa crítica:

Uma crítica deve acima de tudo, não considerar os sentimentos e pensamentos da pessoa criticada, por que? simples, ela não merece.
Uma crítica deve ser feroz e ao mesmo tempo não perder o tom de superioridade.
Uma crítica sempre que possível deve ser acompanhada de contexto social.

Uma crítica deve ser assim:
Ana: olha o fulano lá;
só ouve merda
Neto: MERDA?
nem o lixo de angra 1 é tao ruim quanto o que ele ouve



DROGA! Agora que vocês já sabem como criticar, vão criticar este post inútil.

Mentiras e prazeres

Ficou triste ao vê-lo outra vez. Ele, mesmo sem saber, faz mal a ela, que sofre. Até tenta esconder, mas sempre transparece o que sente. Tenta fugir, mas o destino parece empurrá-los para perto, como um imã. Tantas ruas, tantas esquinas, mas sempre escolhem as mesmas para se refugiar.
É involuntário. É proposital.
É tão forte que não acaba. É tão pequeno que talvez nem exista.
Pode ser delírio. Pode ser o verdadeiro. Pode ser teatro. Pode ser tudo, mas tem que ser. E se não for, talvez não faça diferença. E se fizer esta diferença, será a maior diferença do mundo.
Um ato... Um gesto... Um momento... E fim... Sempre acaba. Tudo acaba. Por mais que seja intitulado eterno, não passa da esquina. E se passar, morre na próxima. [dosesdespleen (03.11.2006)]

(Agora eu sei que tudo isso é mentira e mentira, para as mulheres, é algo que proporciona prazer sem nem mesmo tirar a roupa!)

(06.10.2006)

Uma lágrima caiu... Aparentava covardia e de fato era. Fraqueza demonstrada num ato. A armadura de ferro havia caído, deixando-a vulnerável. Tentou até se proteger, mas nessas circunstâncias tudo era em vão. Suas energias pareciam ser extraídas por algo maior e assim, sem mais relutar, se rendeu.
Se sentiu amada apenas por um instante. Se sentiu importante por um instante. No seguinte, acordou.
Não era necessariamente um sonho, apenas um pressagio. Sabia o que estava por vir, mas era tarde demais. Como num piscar de olhos Ele apareceu. Pouco a pouco foi se acomodando, chegando aos extremos que não se podia mais sair e nem se conseguia mais tirar. Mas quando chega a hora, torna-se inevitável...
Quando decidiu ir embora, levou tudo o que ela possuía, inclusive o que ela chamava de felicidade e em lugar disso, sobrou apenas um sentimento que pra ele era insignificante.
O que estava vazio, tempos depois fora preenchido, mas de uma forma diferente: algo mais concreto, pra ser exato, concreto.
Coração intocável pelo amor, apático à dor, semelhante à morte e na tentativa de ser feliz.

(atualmente acho este desfecho bem ridículo. tchau)

Amor: se você não sabe, o dicionário responde

do Lat. amore

s. m.,
viva afeição que nos impele para o objecto dos nossos desejos;
inclinação da alma e do coração;
objecto da nossa afeição;
paixão;
afecto;
inclinação exclusiva;
ant.,
graça, mercê.


com -: com muito gosto, com zelo;
fazer -: ter relações sexuais;
loc. prep.,
por - de: por causa de;
por - de Deus: por caridade;
ter - à pele: ser prudente, não arriscar a vida;
- captativo:vd. amor possessivo;
- conjugal: amor pelo qual as pessoas se unem pelas leis do matrimónio;
- oblativo: amor dedicado a outrem;
- platónico: intensa afeição que não inclui sentimentos carnais;
- possessivo: amor que leva a subjugar e monopolizar a pessoa que se ama; o m. q. amor captativo.
Quanto tempo leva para uma lágrima cair?
É o tempo que eu preciso para te perdoar.

Soneto Primeiro

A sombra da longínqua escuridão
abriga o mais sincero sentimento,
trazendo a dor e o constante lamento,
fustigndo o quebrado coração.

Maldito os dias em que Ele diz não,
dissipando o sim, no qual me sustento.
A noite fria não traz acalento
para tão atormentada razão.

E assim, se terminado o encantamento,
têm-se a consciência que o sofrimento
foi-se para longe, abaixo do chão.

Finalmente livre desse tormento,
Ele não mais perturba o pensamento
e eu, contente, viverei então.

Ana Braun

Outubro, 27, à tarde


(um clique)

Música? Onde?

"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música". (Nietzsche)

Querida Alice no País das Maravilhas,

Conheço as dificuldades que tens aí, no País da Maravilhas e, tento, até posso entender quais são os sentimentos que você não consegue denominar e só sabe sentir. Creio que ninguém (nem eu mesma) poderá ajudá-la.
Nas proporções atingidas tudo é paradoxal: o coração pode lhe indicar o caminho ou lhe atar à prisão.
Penso que se deve viver cada momento como se fosse o último e mais belo segundo da vida, sem ficar fazendo supostas previsões sobre perdas ou danos e, quem sabe, privando-se de coisas tão amáveis por determinadas coisas quem nem mesmo chegariam a tornar-se realidade.
Peço-te que não se sinta sozinha e, jamais, padeça. Sempre estarei ao seu lado e mesmo não podendo lhe dar presença, estarei em sentimentos, pensamentos e amor.
O rio tem dois lados e sempre terá. Um pertence ao outro e isso não pode ser alterado por escolha nossa ou por qualquer coisa que venhamos fazer. (É fato, é natureza, é Vontade.)
Quanto a mim, também me encontro desnorteada. Porém, a tormenta vem do norte. Na verdade, nunca veio, sequer se fez presente. Mas o vento soprou para longe antes mesmo que os sonhos, que eram e são tão bons, se tornassem uma linda realidade.


Atenciosamente,
Ana Braun
teste. tchau..